A comunicação no campo religioso – Reinventar-se para crescer na fé!

Revista Casa D’Italia, Juiz de Fora, Ano 3, n. 25, 2022 – Brenda Melo | A comunicação no campo religioso – Reinventar-se para crescer na fé!


Comunicar é um ato indispensável em qualquer situação. Em uma organização, a interação eficiente entre os diversos públicos envolvidos e a construção de relações efetivas podem ser vistas como um instrumento inteligente para alcançar o sucesso. No âmbito religioso não é diferente. O processo de se comunicar – passar uma mensagem e esta ser compreendida por quem a recebe, pode ser entendido, então, como um meio de divulgar a visão de mundo cristão de uma instituição.

Comunicação e religião podem ser compreendidas como dois termos indissociáveis. Haja vista que os preceitos da fé são baseados na emissão de uma mensagem (Evangelho) partindo de um emissor para um ou vários receptores. Uma comunicação que não se limita ao campo das ideias, mas alcança um patamar de sentimentos, que gera amor, comunhão e solidariedade.

Para compartilhar sua mensagem, as diversas instituições religiosas utilizam-se dos diferentes meios de comunicação e marketing e vão além na intenção de divulgarem sua doutrina. Mostrar o trabalho social, alcançar um dízimo mais alto e atingir um público ainda não alcançado são alguns dos objetivos secundários da comunicação religiosa.

Para melhor compreendermos esse assunto, focaremos na comunicação que a Igreja católica emprega para difundir o catolicismo.

A comunicação na vida da Igreja

Desde a antiguidade, a Igreja está envolvida com os meios de comunicação. O Evangelho apresentado em forma de livro – a bíblia, é um exemplo desta relação. A vocação da Igreja é evangelizar e difundir a pessoa de Jesus Cristo. Há muitas formas de se fazer isso. O testemunho de vida como missão evangelizadora é um ato de se comunicar.

A comunicação primária constitui-se no diálogo dos líderes religiosos com os fiéis. Como processo comunicacional, toda forma de relacionamento humano se estabelece como um meio de transmitir um conteúdo para outra pessoa.

A fim de consolidar seu discurso e propagar seu carisma através de outros métodos, a Igreja passou a contar com o uso de diversas mídias. Do tradicional informativo aos meios de comunicação mais modernos e digitais, a instituição religiosa começa a empregar novas formas de evangelizar no mundo contemporâneo, em uma sociedade cada vez mais midiática.

Mesclando informação institucional com mensagens de espiritualidade, a fim de promover a evangelização, os meios de comunicação estabelecem uma profunda relação com a religião, concretizando um vínculo determinante para a missão da Igreja.

Reinventar-se para um novo cenário

O que podemos falar sobre a comunicação religiosa em tempos atuais? A primeira coisa que associamos com o termo “atualidade” é o novo contexto imposto pela pandemia do coronavírus, uma realidade inédita, repleta de adaptações e descobertas. É preciso se reinventar!

As restrições exigidas pelo cenário pandêmico criaram um certo pânico em algumas Igrejas. Líderes religiosos, movimentos e grupos pastorais perguntavam-se: de que forma chegar aos fiéis que não podem sair de casa? A realidade estrutural que muitas paróquias enfrentam é a falta de profissionais de comunicação qualificados para a tecnologia digital. Iniciada a época das lives, a Igreja começa a apostar na transmissão online das missas. E o caminho escolhido deu certo! Apesar de muito amadorismo de um lado, de outro, havia o aprendizado demonstrado na melhoria contínua das transmissões: a mensagem estava chegando ao público.

Paralelo a isso, um novo desafio instaura-se: o tradicional “jornalzinho” paroquial começa a não ser mais impresso, por duas razões. A primeira é que não fazia sentido imprimir um material que não seria entregue aos paroquianos, uma vez que as missas estavam sendo realizadas a portas fechadas e sem a presença de público. Aqui, precisamos frisar a característica própria deste meio de comunicação na Igreja como sendo uma oportunidade de estreitar laços, aperfeiçoar a convivência com a comunidade, divulgar os serviços ofertados e propagar a Palavra de Deus. A segunda é que, com a pandemia, instaurou-se uma crise econômica em todos os setores, o que levou ao corte de gastos. A bem da verdade, a nova realidade da inserção na era digital foi a melhor desculpa para contornar este último motivo. Com isso, os informativos começam a ser disseminados de forma online.

Com a comunicação religiosa imersa nas novas tecnologias, outros campos começam a ser explorados: aprimoramento das redes sociais e podcasts são exemplos de trajetórias percorridas por muitas instituições que apostam nos meios de comunicação modernos para transmitirem sua mensagem.

Quando abordamos a comunicação reformulada no âmbito religioso, não podemos nos restringir à adesão das novas tecnologias e à inserção total à era da informação digital. A palavra de ordem é: fidelidade criativa!

Não adianta utilizar meios modernos para a comunicação se não é atualizada a forma em si de comunicar-se. A preocupação agora não é somente o meio de chegar às pessoas, mas a forma como isso é feito e o conteúdo usado no discurso. Estamos falando de uma revolução da linguagem, de uma nova concepção e da mudança de referências também no método pastoral. As mudanças tecnológicas estão, muitas vezes, acompanhadas pela mudança na forma de pensar e as transformações têm influência na vida de fé e na experiência da religiosidade.

Por isso, a atualização do carisma de uma instituição religiosa torna-se um grande desafio e uma necessidade urgente. Respeitando sua história e identidade, é preciso atualizar e dinamizar o discurso eclesial para fortalecer uma comunidade de fé e amor, construindo, assim, uma comunicação efetiva no contexto sociocultural da atualidade.


Brenda Melo

É bacharel em Comunicação Social com ênfase em Jornalismo pela Universidade Federal de Juiz de Fora – graduação que foi concluída em setembro de 2006, e pós-graduada em Comunicação Empresarial pela mesma instituição. Há 15 anos, trabalha como jornalista e coordenadora de Departamento na Congregação Redentorista dos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo. Dentre suas responsabilidades como comunicadora da entidade religiosa, englobam-se atividades de assessoria de comunicação; administração de conteúdo nas mídias sociais; elaboração de textos para site e jornal; diagramação; planejamento gráfico e editorial e produção de podcasts.