A Constelação Familiar Sistêmica como ferramenta de apoio nas questões existenciais e relacionais

Revista Casa D’Italia, Juiz de Fora, Ano 3, n. 24, 2022 – Keity Duque Nazareth |  A Constelação Familiar Sistêmica como ferramenta de apoio nas questões existenciais e relacionais


Desenvolvida pelo alemão Bert Hellinger, a Constelação Familiar Sistêmica é uma técnica terapêutica utilizada como forma de identificar acontecimentos na vida de uma pessoa ou de um sistema familiar. Dinâmicas ocultas que podem ser transgeracionais e que, de certa forma, ocorrem repetidamente em um núcleo familiar.

É uma terapia breve, ou seja, não são necessárias muitas sessões para se obter o resultado esperado. 

Uma dinâmica que consiste em montar um sistema baseado nos relatos do cliente para tentar colocar em ordem o que se apresenta em desordem.

Assim como outras terapias, na constelação é necessário um profissional formado na área. Um profissional com conhecimento para lidar com as situações que serão apresentadas, inclusive ter responsabilidade emocional diante de revelações impactantes.

E quando devo constelar?

Quando sentir que o fluxo da sua vida está estagnado ou bloqueado, situações e relacionamentos que repetem certos padrões, problemas financeiros, relacionamento com parentes (pai, mãe, filhos, parceiro, etc…), rompimento de padrões mentais prejudiciais, questões de saúde, dependência química, etc…

Não podemos deixar de citar que, assim como os problemas são individuais, os benefícios após a constelação também irão variar de acordo com a disposição de mudança de cada indivíduo. Não existe mágica no processo de curar feridas. Mas, com certeza, muitos esclarecimentos serão úteis; não tem como passar por uma constelação sem nenhuma percepção.

Identificar conflitos ocultos dentro de um sistema familiar pode trazer ordem para esse sistema e, assim, beneficiar todos que estão inseridos no mesmo. Constelando apenas uma pessoa dessa família pode-se colher benefícios para todos os envolvidos, diminuindo, assim, aflições que podem estar sendo passadas de geração em geração.

É importante ressaltar que a Constelação Familiar Sistêmica não substitui a terapia; ela apenas coloca luz sobre a sombra e traz à tona respostas que muitas vezes podem acelerar o processo terapêutico já em andamento. Também não substitui nenhum tratamento médico; é utilizada apenas como um complemento nos processos de cura.

Um dos pilares de grande importância para as Constelações foi chamado por Bert de As Ordens do Amor. E é exatamente o descumprimento das leis que as compõem que gera as desordens e emaranhamentos nos sistemas familiares. São elas:

  • Lei do Pertencimento: Todo indivíduo pertence a uma família e precisa ter seu lugar reconhecido nessa família, mesmo que seja alguém moralmente inadequado como, por exemplo, um assassino, estuprador, pedófilo, abusador, ladrão, etc… É muito comum, por raiva ou vergonha, a família excluir esse indivíduo, o que pode gerar uma grande dor, afetando, inclusive, as gerações futuras, onde o sentimento de exclusão será sentido e causará desequilíbrios. Abortos ou natimortos também pertencem. Relacionamentos não concluídos ou mal acabados dos pais também podem pertencer e prejudicar relacionamentos futuros desses filhos.
  • Lei da Hierarquia: Além de pertencer, cada indivíduo tem um lugar dentro da família; é necessário respeitar quem veio antes. Essa dinâmica se aplica até aos casamentos anteriores dos pais. Muitos filhos passam a ocupar o lugar dos pais e se sentem maiores, o que causa desequilíbrio. Os pais vieram antes, portanto, são maiores que os filhos. Essa lei se aplica também entre irmãos e é importante que seja respeitada.
  • Lei do Equilíbrio: Fala do Dar e Receber. Muitos relacionamentos se encontram em desequilíbrio quando um dos parceiros só oferece e o outro só recebe. Inevitavelmente, quem só recebe será “empurrado” para fora dessa relação. Para relacionar-se de forma saudável é imprescindível o equilíbrio no dar e tomar. Essa lei também pode ser reconhecida quando alguém abdica da própria vida pelo outro.

Mesmo sem ter conhecimento, através dos campos morfogenéticos todos somos afetados pelas Leis do Amor.

As Constelações podem ser realizadas de forma individual ou em grupo.

 É através do acesso ao Campo Morfogenético do cliente que o constelador pode identificar qual emaranhado está se apresentando para poder modificá-lo, como se fizesse um “download” de todo o sistema. A movimentação nesse campo que foi criado tem a participação do cliente, que deve estar atento e no estado de presença.

Após o término da constelação, o cliente deve relaxar e não ficar pensando muito no que foi visto e nem ficar comentando com outras pessoas, principalmente quando aparecem questões duras e complexas de digerir. Ele deve ficar com a cena final e deixar que reverbere no campo para que modificações comecem a surgir.

É de total responsabilidade do cliente as situações vivenciadas, e repito ser de grande importância levar as questões vistas para análise em terapia. É muito difícil lidar com algumas situações apresentadas.

Passar por essa terapia movimenta muitas questões nos campos mórficos da família. Por esse motivo, não é recomendado fazer com frequência, mas esperar um período, tipo seis meses, para a realização de nova constelação.

E, para finalizar, vale ressaltar mais uma vez a responsabilidade do cliente diante das questões vistas, das mudanças propostas, para que possa trazer modificações positivas em sua jornada e possa, assim, colher os melhores benefícios da Constelação Familiar Sistêmica.


Referências Bibliográficas:

HELLINGER, Bert. Ordens do Amor. Cultrix, 2003.

https://www.minhavida.com.br/bem-estar/tudo-sobre/33617-constelacao-familiar


Keity Duque Nazareth

Sou formada em Medicina Veterinária e ainda faço atendimentos na área. Trabalhando como Médica Veterinária Holística.
Como Terapeuta Sistêmica faço parte da equipe do Instituto de Psicologia Fátima Godoy.
Consteladora Familiar formada pela Constelari e Comunicadora Intuitiva.
Psicanalista em formação.