Coquetelaria ítalo-brasileira

Revista Casa D’Italia, Juiz de Fora, Ano 3, n. 23, 2022 – Henrique Passos | Coquetelaria ítalo-brasileira


Um tema pouco falado é a influência italiana na coquetelaria nacional. A criação do maior clássico nacional na coquetelaria existiu graças a uma marca italiana de vermute, a Cinzano.

Já ouviram falar de Rabo de Galo? Não?

Ele é a mistura do nosso destilado nacional, a cachaça, com o vermute italiano Cinzano. Na década de 1950, quando a marca chegou ao Brasil, queria saber como popularizar essa bebida vínica. Logo perceberam o consumo de doses de cachaça pelos italianos no país e pensaram em como sofisticar e tornar mais interessantes nos bares de São Paulo e de todo o Brasil.


Mas como tornar popular um drinque desse no Brasil da caipirinha e das batidas?

Primeiro, encomendaram para a fábrica Multividro, tradicional empreendimento de Belém, a criação de um copo diferenciado, seguindo as orientações dos empresários, para servir a bebida com a cachaça. Esse copo tinha uma marcação para colocar o vermute e, depois, completar com a cachaça.

Com isso foi criado o cocktail, nome utilizado pelos norte-americanos para designar um drinque que mistura duas ou mais bebidas. O nome, no entanto, não agradou muito, pois se tratava de uma bebida brasileira e precisava ter suas raízes respeitadas em seu nome. Foi então que surgiu a ideia de traduzir a palavra ao pé da letra: cock, que significa galo, e tail, que significa rabo em inglês, transformando-a em “Rabo de Galo”.

O drinque ganhou outro nome no Rio de Janeiro, o Traçado (por causa da marca no copo), e, em Minas Gerais, o vermute italiano foi trocado para outra bebida italiana, o Cynar, aperitivo tradicional com base de alcachofra.

Hoje em dia, esse drinque ítalo-brasileiro está entranhado na nossa cultura e, por mais incrível que possa parecer, é o mais vendido no Brasil, pois está em todos os cantos do país.

Agradando muito bartenders (inclusive eu), no ano de 2017 foi criado o primeiro campeonato de Rabo de Galo, para vários bartenders apresentarem sua versão desse clássico, chegando à oitava edição neste ano.

O Rabo de Galo, que inicialmente tinha em sua proporção original 2/3 de cachaça para 1/3 de vermute, não tem uma receita exata atualmente, nem uma técnica fixa de preparo: as bebidas podem ser misturadas num mixing glass com gelo ou no próprio copo de servir. Com essas nuances, se tornou o drinque mais consumido pela boemia no país.

Mas vamos passar aqui o preparo de uma variação para vocês experimentarem em casa, juntando um pouco da história toda desse clássico.

Rabo de Galo – tradicional
– 50 ml de cachaça Arborea Blend BBQ
– 20 ml de vermute Carpano Clássico
– 10 ml de Cynar
– gelo
– Casca de limão-taiti

Modo de Preparo:
Coloque a cachaça, o vermute e o Cynar em um mixing glass com gelo, mexa até resfriar e coe em um copo baixo. Guarneça com um twist de limão-taiti.


Henrique Passos

Atuando por 10 anos no mercado de coquetelaria, fundador da Drink & Shot Assessorias e Consultorias, responsável por mais de 40 consultorias em bares de Juiz de Fora e região, com mais de 50 turmas formadas em coquetelaria básica, embaixador do Nimas Blend Gin, eleito o melhor gin da América do Sul e Melhor Gin Brasileiro Contemporâneo, Sócio Proprietário do Bar Vizú