Histórias, conexões e aprendizados

Revista Casa D’Italia, Juiz de Fora, Ano 3, n. 22, 2022 – Giotti Barista e Cafés |  Histórias, conexões e aprendizados


Onde sua paixão por café levaria você? Bom, aqui nos levou a lugares incríveis que renderam boas lembranças e histórias!

Das muitas voltas que o mundo dá, numa delas fomos parar no “Mundo do Café”, do qual nunca mais saímos. Tudo começou há mais de 15 anos, quando visitamos pela primeira vez uma plantação de café em Guaxupé, no Sul de Minas. Minas é o maior produtor de café do país, ao passo que o Brasil é o maior produtor do mundo. Recentemente, também ultrapassamos os Estados Unidos como os maiores consumidores da bebida. Estar nas origens do café e poder viajar pela sua história é uma sensação indescritível! Ver colher o café, lavar, secar, torrar, apreciar de perto todo o processo sabendo que cada colheita é única e que aqueles frutos ali beneficiados resultarão em uma bebida que talvez nunca mais tenha outra igual nos faz refletir sobre muitas coisas, principalmente a valorização do povo do campo.

O encanto das viagens para as regiões cafeeiras já começa no percurso. Cercadas por enormes montanhas verdes, extensivos canaviais e milharais, as muitas horas de viagem se tornam agradáveis e, quando passamos pelos mesmos caminhos mais de uma vez, percebemos a grande influência das mudanças climáticas nas paisagens. O café é a terceira cultura que mais depende do clima no mundo. Isso faz com que pensemos sobre sustentabilidade e a tão importante mudança do comportamento do homem em relação à natureza. Os cientistas afirmam que, diante da mudança climática, em breve poderá faltar café no mundo, levando a produção brasileira a uma diminuição de 60% na área ocupada por plantações do café tipo arábica. Ao conhecer produtores, percebemos que essa é uma preocupação real e que as mudanças são frequentemente perceptíveis nas novas safras.

Infelizmente, a pandemia de covid-19 nos afastou dos campos nos últimos dois anos. As fazendas foram obrigadas a fechar as portas para visitantes e só agora, graças ao avanço da vacinação, poderemos voltar a desfrutar novamente dessa interação, conectando as pontas entre o campo e a cidade.

Ter a oportunidade de visitar as fazendas de café, conhecer as histórias, os costumes e a dedicação de quem lida diariamente com a produção nos ajudou a entender melhor sobre os cafés especiais. Esse contato foi uma grande influência, mudou nossos hábitos de consumo do café e nos motiva a estudar ainda mais, aumentando o entusiasmo em compartilhar as experiências e o aprendizado.

Sítio Boa Vista do Engano, Caconde-SP. Foto: Louise Torga

O cafezinho está na mesa dos brasileiros há mais de 200 anos. Quem não conhece o famoso cafezinho com pão de queijo mineiro? Porém, a tradição de café preto adoçado nos afastou muito da realidade do que é um bom café. As gôndolas dos mercados abarrotadas com cafés comerciais, de baixo custo, colocou um abismo entre o pequeno produtor e o consumidor final.

Atualmente, está cada vez mais fácil encontrar cafeterias especializadas que proporcionam o acesso aos cafés de ótima qualidade direto do produtor.

Acreditamos que o café, hoje, virou ritual, companheiro e terapia. Tirar um momento para realizar os rituais de fazer o próprio café, dar aquela pausa em um dia corrido, ou sentar em uma cafeteria saboreando um bom café, nos despindo da pressa rotineira e curtindo a própria companhia, é quase um carinho na alma. A vida necessita de pausas, de sentar e desacelerar. E o café nos convida a isso.

Poder fazer a conexão com um trabalhador rural, que investe, estuda e dedica todo seu tempo a fazer melhorias e entregar um produto de excelência para o consumidor final, é muito gratificante. Aprender com ele e mostrar que o Brasil produz bons cafés — e que o famoso “o que é bom não fica aqui” já não faz parte da nossa realidade — é quase um trabalho hercúleo, de formiguinha mesmo, mas que vem dando certo, já que o cenário dos cafés especiais no país vem crescendo cada vez mais.

Cresceu tanto que, em 2005, a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) oficializou o Dia Nacional do Café, celebrado em 24 de maio, simbolizando o início da colheita do café no Brasil. Além disso, em 2014, a Organização Internacional do Café (ICO) instituiu o dia 1º de outubro para comemorar o Dia Internacional do Café.

E, apesar de 2021 e 2022 se configurarem como anos difíceis para a agricultura, que muito sofreu com as mudanças climáticas intensas (geadas, falta de chuvas…), felizmente temos boas expectativas relacionadas à safra deste ano, para assim garantir nosso cafezinho diário! Aguardamos ansiosos a próxima colheita e a próxima aventura à qual as estradas do café nos levarão!!!

Bons cafés para vocês!!


Referências Bibliográficas:

https://www.cafepoint.com.br/noticias/giro-de-noticias/aquecimento-global-pode-prejudicar-cafe-no-brasil-33955n.aspx

https://www.calendarr.com/brasil/dia-nacional-do-cafe/


Giotti Barista e Cafés

O Giotti Cafés é um Coffee Cart (Cafeteria Itinerante), especializado em eventos e comandado pelos baristas Marcelo Giotti e Louise Torga. Juntos, Marcelo e Louise uniram seu interesse por café e, após muito estudo e dedicação, criaram a Giotti Cafés.