O Coletivo Maria Maria

Revista Casa D’Italia, Juiz de Fora, Ano 3, n. 21, 2022 – Luanda Santos |  O Coletivo Maria Maria


O Coletivo Maria Maria-Mulheres em Movimento, foi criado em 2006, através de alunas e servidoras da UFJF, inspiradas no trabalho da Marcha Mundial das Mulheres (MMM), movimento que nasceu em 2000, com uma grande mobilização que reuniu mulheres do mundo todo em uma campanha contra a pobreza e a violência. A MMM realiza ações internacionais a cada cinco anos, baseadas em quatro campos de atuação:  bem comum e serviços públicos, paz e desmilitarização, autonomia econômica e violência contra as mulheres.

Somos um coletivo feminista, com uma perspectiva anticapitalista, antissistêmica, antissexista, realizamos atividades como oficinas, encontros de formação, intervenções e mobilizações, procurando levar as questões feministas para a sociedade, além de ajudar no acolhimento e no encaminhamento de mulheres vítimas de violência para os locais especializados.

 Acreditamos que uma das formas mais eficazes de combater os sistemas de opressão contra as mulheres é levar esse debate para os espaços públicos, como escolas, universidades, ruas e praças, a fim de que tanto crianças quanto professores estejam atentos para as nuanças da discriminação de gênero e de respeito às diversidades, de modo a coibir, por meio de ações educativas, comportamentos disfuncionais.

O Coletivo Maria Maria é composto de mulheres, independente de raça, orientação sexual e identidade de gênero e, para se integrar basta querer mudar a vida das mulheres, participar das nossas reuniões e estar de acordo com as pautas de atuação.

A Pandemia da Covid 19 acirrou as desigualdades de gênero, raça e classe, inviabilizando medidas como o isolamento social para uma parte da população. Cuidar é um trabalho árduo, que sobrecarrega muito mais mulheres que homens. Em virtude disso, a Pandemia da Covid 19 exigiu que olhássemos de forma muito mais atenta para a coletividade e que repensássemos o nosso papel na sociedade.

Mediante o cenário da Pandemia da Covid 19, nós, do Coletivo Maria Maria, tentamos nos movimentar como pudemos, apesar das limitações. Conseguimos realizar uma campanha de arrecadação de agasalhos, cestas básicas e kits de higiene para as mulheres encarceradas. Lutamos arduamente contra a violência doméstica, o estupro e a homofobia/ transfobia. Entregamos a Medalha Rosa Cabinda a 25 mulheres incríveis que se destacaram neste contexto de Pandemia; participamos da elaboração do Plano Municipal de Segurança Pública; lutamos contra a transfobia e as violências de gênero, de modo geral. Fomos às ruas gritar por Vida, Pão, Vacina Já. Educação, para defender a Ciência e nosso SUS; marchamos pelo fim desse governo corrupto, homofóbico, misógino e genocida; tomamos posse no Conselho Municipal da Juventude; perdemos companheiras como Fabiane Clara de Barros Portela, a nossa Clara, sempre positiva e atuante. Enlutamos!

Lutamos pela dignidade menstrual e realizamos uma grande campanha de Arrecadação de Absorventes. No dia da Consciência Negra, fomos às ruas defender a aprovação do PL 158. Conseguimos reativar o Boteco das Minas, a batucada feminista, ganhamos a Medalha Prefeito Tarcísio Delgado e encerramos o ano com uma linda confraternização do Maria Maria, comemorando a criação de frentes de trabalho e a adesão de novas mulheres para a luta. Somos um movimento singular em nossas idiossincrasias e plural em nossas lutas, abraçadas por muitos outros movimentos afins. Tentamos, tentamos muito viver, sobreviver, não nos calar e lutar. Resistimos!

Para conseguirmos êxito em nossas lutas, precisamos eleger representantes na Câmara Municipal, não há como promover políticas públicas, sem que estejamos representadas por mulheres de luta. O Coletivo Maria Maria tem algumas representantes neste mandato: a vereadora Laiz Perrut, a secretária de saúde Ana Pimentel e a secretária de agropecuária e abastecimento Fabíola Paulino. Somos as Mulheres da Marcha Mundial!


Luanda Santos

Membro do Coletivo Maria Maria. Mãe-solo e professora. Mestre em Linguística. Doutora em Saúde