A condição MULHER e suas sequelas emocionais

Revista Casa D’Italia, Juiz de Fora, Ano 3, n. 21, 2022 – Fatima Godoy |  A condição MULHER e suas sequelas emocionais


O Dia Internacional da Mulher homenageia a luta das mulheres por sua justa participação em pé de igualdade com os homens na sociedade e em seu pleno desenvolvimento como pessoa. Ledo engano!

Apesar de estarmos em 2022, a cultura do machismo ainda permanece nas entranhas sociais, gerindo e dirigindo a vida de muitos homens e mulheres. O machismo está impregnado não só nos homens, como também em muitas mulheres. Muitas mães reproduzem ou introduzem comportamentos machistas em seus filhos o tempo todo sem perceber, como, por exemplo, não os ensinar desde cedo que onde se suja, se limpa; que isso não é ser “marica” ou coisa parecida, como sempre ouvimos por aí, e sim higiene, parceria, empatia, enfim, a obrigação de todos que sujam; que isso não é papel ou função somente da mulher.

Esse pé de igualdade, na prática, não funciona na maioria dos casos. E qual seria a solução? A informação! Informação no sentido cru da palavra. Há muitos homens e mulheres que não sabem o que é o machismo e o quanto o estão propagando.  Precisamos de mais informação e mais discernimento. Às vezes, o homem tem um comportamento machista e não sabe que está tendo por falta de informação, de conhecimento e de interesse também.

A mulher de hoje se desenvolve em um meio que estimula a busca de muitos e novos objetivos, motivo pelo qual, frequentemente, acabam tendo que se dividir entre filhos, carreira, autorrealização e relacionamento, e ainda lidam com pressões estéticas, comportamentais, relacionamentos abusivos e tóxicos. Sem contar os números assombrosos de violência e feminicídio que passam a ser coadjuvantes na vida de muitas.

Além das questões genéticas e hormonais, o excesso de pressões sociais, conjugais e submissões ao sistema, fazem com que a mulher passe a ser presa fácil para desenvolver doenças mentais. Seu emocional é bombardeado o tempo todo, em forma de cobranças, culpa e de autocobrança. A carga emocional decorrente do que se espera da mulher é nociva para a sua saúde mental. Ela cumpre, diariamente vários papéis, mas muitas vezes esquece o principal deles: ser ela mesma, em sua plenitude, identidade, dissabores e delícias.

O risco de uma mulher com problemas de saúde mental sofrer violência na relação é multiplicado entre duas e quatro vezes em comparação com as mulheres sem o diagnóstico. A evidência é que 80% das mulheres com problemas de saúde mental e que estão em um relacionamento sofreram algum tipo de violência doméstica, mais da metade sofreu violência física e mais de 40% foram vítimas de violência sexual ao longo de sua vida. A máxima do ditado “em briga de marido e mulher, não se mete a colher” tem contribuído para o silêncio frente aos abusos físicos, psicológicos e sexuais.

Infelizmente, sabemos que esses números são bem maiores, já que a maioria dos casos ainda não é denunciada.

Mulher, nesse dia de tantos significados, não se esqueça de que tão importante quanto as lutas lá fora é a luta aí dentro. Por isso, cuide-se e faça terapia!

Referências Bibliográficas:

Mirim, L. A. “Balanço do enfrentamento da violência contra a mulher na perspectiva da saúde mental.” Vinte e cinco anos de respostas brasileiras em violência contra a mulher: alcances e limites (2006): 266-287.

Rennó Jr, Joel, et al. “Saúde mental da mulher no Brasil: desafios clínicos e perspectivas em pesquisa Women’s mental health in Brazil: clinical challenges and perspectives in research.” Rev Bras Psiquiatr 27.Supl II (2005): S73-6.


Fatima Godoy

Psicóloga/Psicanalista/Professora de Psicologia e Psicóloga Clínica desde 1999 pelo Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora MG. Pós Graduada em Psicanálise Ufjf -MG. Pros graduada em Neuropsicologia Faculdade Faciba -Bahia. Curso de extensão em Hipnose e Hipneatria da Sociedade Brasileira de Hipnose de Ribeirão Preto- SP. Curso de Hipnose Clássica -Memento Hipnose Florianópolis -SC. Terapeuta de Casal e Familiar SOBRAP seção Juiz de Fora-MG. Curso de Psicanálise SOBRAP seção Juiz de Fora. Facilitadora de Educação Emocional formação no EPP Miriam Rodrigues. Fundadora do Instituto de Psicologia Fatima Godoy. Atua como perita do juízo em Processo Judicial em tramitação no TJMG Professora de Psicologia em cursos Técnicos área de saúde. Professora curso de extensão Universitária em Psicologia Escolar -SOBRAP seção Juiz de Fora. Palestrante em escolas e empresas. Ministra cursos no Instituto de Psicologia Fatima Godoy. Psicóloga Escolar- Escola Sonho Encantado/Cema. Curso de extensão universitária em Farmacologia SOBRAP seção Juiz de Fora. Curso Extensão Universitária em Saúde Publica -SOBRAP seção Juiz de Fora. Professora no curso de Psicanálise na SBPEJFora