Semana de Arte Moderna: arte e inconsciente

Revista Casa D’Italia, Juiz de Fora, Ano 3, n. 20, 2022 – Fátima Godoy |  Semana de Arte Moderna: arte e inconsciente 


Quando falamos em Semana de Arte Moderna, sempre ouvimos e nos deparamos com intervenções artísticas que às vezes causam um certo espanto para algumas pessoas, principalmente para aquelas que não conseguem interpretar uma manifestação artística, seja ela real ou não.

Os conteúdos inconscientes são manifestados, em sua grande maioria, nas obras. A arte nos faz perceber o quão rica é nossa mente, criativa, polimorfa e indecifrável na sua completude.

A Arte Surrealista, por exemplo, reflete e propõe exprimir o funcionamento real e natural do pensamento com ausência total de qualquer controle exercido pela razão, deixando fluir a subjetividade totalmente desprovida de preocupação estética e moral. 

Para Freud, a arte é uma forma sublimada de representar o que está reprimido no inconsciente como: emoções, lembranças, sentimentos que escapam da censura e se transformam em cores, movimentos, vozes, palavras.

A sublimação é um mecanismo de defesa psíquico dentro da teoria psicanalítica que defende, grosso modo, que, quando não conseguimos realizar nossos desejos inconscientes e/ou reprimidos, tendemos a canalizá-los para outras atividades ou alvos, assim, descarregamos nossa energia acumulada diminuindo a tensão e o sofrimento interno.

Algumas pessoas sublimam para a religião e se tornam extremamente participativas em comunidades religiosas, outras sublimam para o trabalho, outros para os estudos e outros para a arte.

A ambivalência que algumas obras de arte exercem sobre nós vai ao encontro dos nossos conteúdos inconscientes. Talvez esse seja um dos motivos pelos quais algumas obras causam tanto horror, desprezo ou insignificância para alguns e, para outros, prazer e satisfação. É como se a pessoa estivesse se identificando inconscientemente com aquele conteúdo manifesto na obra. 

Vejamos o exemplo da obra de René Magritte em 1928. Observe e interprete.

A tela mostra duas pessoas se beijando, cobertas por um pano branco. Através do pano podemos ver o casal, suas formas e silhuetas, mas não somos capazes de saber a identidade deles. Logo, o espectador pode perguntar: o que será que o pintor quer esconder deixando os dois no anonimato, ou ainda, o que um está querendo esconder do outro, um segredo, um desejo reprimido, ou partilham um segredo que preferem não dividir com mais ninguém?

Analisar uma obra de arte, seja ela de qual natureza for, é instigante, envolvente, desafiador e exige, às vezes, paciência e desprendimento de preconceitos. A arte brinca com a curiosidade humana e desafia o espectador a pensar sobre seus próprios limites e os limites do outro.


Referências Bibliográficas:

BOURGEOIS, L. (1990) “Os brinquedos de Freud”, p.186-190.


Fátima Godoy

Psicóloga/Psicanalista/Professora de Psicologia e Psicóloga Clínica desde 1999 pelo Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora MG. Pós Graduada em Psicanálise Ufjf -MG. Pros graduada em Neuropsicologia Faculdade Faciba -Bahia. Curso de extensão em Hipnose e Hipneatria da Sociedade Brasileira de Hipnose de Ribeirão Preto- SP. Curso de Hipnose Clássica -Memento Hipnose Florianópolis -SC. Terapeuta de Casal e Familiar SOBRAP seção Juiz de Fora-MG. Curso de Psicanálise SOBRAP seção Juiz de Fora. Facilitadora de Educação Emocional formação no EPP Miriam Rodrigues. Fundadora do Instituto de Psicologia Fatima Godoy. Atua como perita do juízo em Processo Judicial em tramitação no TJMG Professora de Psicologia em cursos Técnicos área de saúde. Professora curso de extensão Universitária em Psicologia Escolar -SOBRAP seção Juiz de Fora. Palestrante em escolas e empresas. Ministra cursos no Instituto de Psicologia Fatima Godoy. Psicóloga Escolar- Escola Sonho Encantado/Cema. Curso de extensão universitária em Farmacologia SOBRAP seção Juiz de Fora. Curso Extensão Universitária em Saúde Publica -SOBRAP seção Juiz de Fora. Professora no curso de Psicanálise na SBPEJFora