Janeiro Branco

Revista Casa D’Italia, Juiz de Fora, Ano 3, n. 19, 2022 – Fátima Godoy |  Janeiro Branco


O primeiro mês do ano é conhecido por ser a época das resoluções e de projetos de ano novo, período em que se planejam diversas mudanças.

A campanha “JANEIRO BRANCO — Todo Cuidado Conta” foi criada por psicólogos brasileiros em 2014 e seu objetivo é chamar a atenção da humanidade para as questões e necessidades relacionadas à saúde mental e emocional das pessoas e das instituições humanas, a fim de propor debates e ações sobre saúde mental e de prevenir o adoecimento emocional da população.

A saúde mental sempre foi vista em meio a tabus e mitos. Apesar do costume de dividir corpo e mente para falar sobre o assunto, a saúde do corpo e a emocional estão interligadas, visto que uma boa alimentação e exercícios, por exemplo, favorecem nosso humor e bem-estar. Da mesma forma, cuidar das emoções e da mente proporciona bons efeitos em nosso corpo.

O que muitas vezes acontece e não percebemos é que dores e doenças podem ser geradas a partir de preocupações e estados psíquicos que não foram tratados com atenção, como uma preocupação que vira uma dor de cabeça ou um trauma que vira uma doença, fenômenos denominados de somatização. Assim, quando não estamos bem emocionalmente, nosso corpo alerta, dando sinais de alguma maneira.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, saúde mental é o estado de bem-estar em que o indivíduo reconhece suas próprias habilidades, pode lidar com os estresses normais da vida, pode trabalhar de forma produtiva e frutífera, e é capaz de contribuir para sua comunidade.

A ansiedade, a depressão e o suicídio cresceram nos últimos anos. Além disso, o advento da Covid-19 no mundo trouxe consigo não só mudanças nas relações, mas também o medo, a tensão e a privação de várias necessidades e comportamentos, colocando-nos em mais desordens emocionais e sociais. Nessa perspectiva, o Brasil é o país com o maior número de pessoas com transtorno de ansiedade, sendo que cerca de 6% da população sofrem de depressão. Dessa forma, sentimos a necessidade, de maneira acolhedora, de orientar, sugerir e direcionar a atenção da importância e do cuidado que se deve ter com a saúde mental, pois ela é o nosso bem mais precioso. Tendo a saúde mental no mínimo equilibrada, as sequelas emocionais serão quase mínimas e, consequentemente, a saúde física receberá menos descarga hormonal negativa e nociva para todo o organismo.

O convite à campanha, então, possibilita a reflexão das pessoas sobre qual é o sentido e o propósito de suas vidas, qual a  qualidade dos seus relacionamentos e o quanto elas conhecem sobre si mesmas: emoções, pensamentos e comportamentos. Visa contribuir para o desenvolvimento e a disseminação do conceito de ‘psicoeducação’ entre todos. Afinal, somos agentes ativos da nossa história, da nossa saúde mental, do nosso autocuidado, da nossa saúde como um todo. Somos protagonistas e não coadjuvantes do nosso percurso neste planeta e no nosso planeta particular.

Como supracitado, não há saúde física sem saúde emocional. Nosso organismo recebe estímulos das nossas emoções e dos nossos pensamentos o tempo todo, sejam positivos ou negativos. Todos temos que lidar diariamente com as nossas emoções, com o nosso comportamento e com os pensamentos que surgem constantemente. Temos momentos de tristeza, de pânico e de ansiedade naturalmente, porque nós somos seres emocionais. Cada pessoa vive e interpreta experiências de modo particular. Entretanto, os principais sinais de alerta são quando nos sentimos demasiadamente estressados, tristes, desanimados e com dificuldades nas relações interpessoais.

A psicoterapia atua na mudança de pensamentos e sentimentos, desenvolve nossa inteligência emocional, além de fazer com que nos sintamos melhor. A terapia nos enriquece como pessoas, nos auxilia a lidar de forma mais favorável com o mundo e, principalmente, com nós mesmos. Através dela, aprendemos a identificar, trabalhar e superar nossas emoções e a entender e conviver melhor com o próximo. E a sua saúde mental, como anda?


Fátima Godoy

Psicóloga/Psicanalista/Professora de Psicologia e Psicóloga Clínica desde 1999 pelo Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora MG. Pós Graduada em Psicanálise Ufjf -MG. Pros graduada em Neuropsicologia Faculdade Faciba -Bahia. Curso de extensão em Hipnose e Hipneatria da Sociedade Brasileira de Hipnose de Ribeirão Preto- SP. Curso de Hipnose Clássica -Memento Hipnose Florianópolis -SC. Terapeuta de Casal e Familiar SOBRAP seção Juiz de Fora-MG. Curso de Psicanálise SOBRAP seção Juiz de Fora. Facilitadora de Educação Emocional formação no EPP Miriam Rodrigues. Fundadora do Instituto de Psicologia Fatima Godoy. Atua como perita do juízo em Processo Judicial em tramitação no TJMG Professora de Psicologia em cursos Técnicos área de saúde. Professora curso de extensão Universitária em Psicologia Escolar -SOBRAP seção Juiz de Fora. Palestrante em escolas e empresas. Ministra cursos no Instituto de Psicologia Fatima Godoy. Psicóloga Escolar- Escola Sonho Encantado/Cema. Curso de extensão universitária em Farmacologia SOBRAP seção Juiz de Fora. Curso Extensão Universitária em Saúde Publica -SOBRAP seção Juiz de Fora. Professora no curso de Psicanálise na SBPEJFora