Cerveja Hofbauer, a cerveja do convento

Revista Casa D’Italia, Juiz de Fora, Ano 2, n. 18, 2021 – Pe. Jonas Pacheco Machado | Cerveja Hofbauer, a cerveja do convento.


“Domingo, 02 de Julho (1893), chegou o ‘Ceará’ ao Rio de Janeiro. Conforme me falaram é um dos portos mais bonitos do mundo. Viajamos no mar sem problemas, 25 dias: de 08 de Junho até 02 de Julho. Graças a Deus chegamos bem em nossa nova pátria.” Esse é o relato que descreve a chegada de dois grandes missionários redentoristas que primeiro chegaram a terras brasileiras: Pe. Mathias Tulkens e Pe. Francisco Lohmeyer. Da Holanda para o Brasil! Ao chegar a Juiz de Fora, Pe. Matias entusiasmou-se com a cidade ao dizer: “parece ser a cidade mais civilizada e mais próspera do Brasil. Os alemães construíram com os seus próprios meios uma igreja e tinham um vigário próprio também alemão. Faz 4 meses que ele faleceu e os alemães ficaram sem vigário (trata-se do Pe. Adolfo Januschka). Eles ficaram muito satisfeitos quando souberam que eu ficaria um tempinho com eles. A cidade tem 25.000 habitantes, dos quais, conforme o vigário, 1.200 alemães, mas um ou outro me falou que eram 4.000. A igreja é pequena mas, isto é costume aqui; há bastante espaço para ampliá-la”.

Foi dessa forma que a Congregação Redentorista se instalou em nossas terras e com isso os padres e irmãos trouxeram também seus costumes culturais. Dentre eles destaca-se a cerveja, tradição no continente europeu. E, nesse contexto, estão os holandeses como bons apreciadores da bebida, principalmente aos moldes artesanais, em pequena escala, em casas, mosteiros etc. A cerveja fazia parte da dieta cotidiana dos religiosos e não era considerada alcoólica. O vinho era consumido somente em ocasiões especiais, mas a cerveja era bebida todo dia. 

Depois de alojados no Morro da Gratidão, como era conhecido o Morro da Glória, os corajosos missionários cuidaram de montar aqui uma cervejaria, do mesmo modo como tinham nos conventos da Holanda. Equipamento de muito boa qualidade veio todo da Holanda. Logo a tradição cervejeira dos padres e irmãos holandeses foi passada aos brasileiros, que muito bem aprenderam a arte e se tornaram peritos na fabricação. O Irmão Geraldo, redentorista consagrado, foi quem, dos brasileiros, destacou-se pelo tempo dedicado à cervejaria, produzindo a cerveja até 1994, momento em que paralisou a produção. No ano de 2009, o saudoso Pe. Flávio, falecido repentinamente ano passado, na época Pároco da Paróquia de Nossa Senhora da Glória, dotado de peculiar atenção com as questões da história redentorista, enveredou-se pelos caminhos da cervejaria e decidiu então restaurá-la da forma mais fiel. Como o equipamento é de boa qualidade, quase nada se perdeu e ele colocou o “maquinário para funcionar”. Resgatou também a receita original e começou a produção da Hofbauer, a cerveja do convento. De lá pra cá não paramos mais. Atualmente a produção segue aos cuidados de um grupo de três redentoristas que se dedicam com atenção a essa laboriosa arte. Vale lembrar que é uma das cervejarias de convento mais antigas no Brasil e a única de que se tem notícia de que esteja em funcionamento e sendo produzida nacionalmente de forma artesanal em convento ou mosteiros. Conseguimos manter a produção de modo ativo e com ritmo mensal bom. 

Para mais informações entre em contato conosco pelo Whatsapp: (32) 99906-4848 e siga nosso instagram @cervejahofabauer


Referências bibliográficas:

HAUCK, João Fagundes. História da Igreja no século XIX, Petropólis: vozes, 1992.

NETO, Luciano Dutra. Das terras baixas da Holanda às montanhas de Minas, Rio de Janeiro: edições Galo Branco. , 2007.

Arquivo de Crônicas da Província Redentorista do Rio de Janeiro, Minas e Espírito Santo. Tradução do original em holandês do Padre Humberto Oosteron, C.SS.R


Pe. Jonas Pacheco Machado

Nascido aos 12 de Março de 1990. Natural de São Brás do Suaçuí-MG. Ingressou na Congregação Redentorista no ano de 2005. Graduado em filosofia pela UFJF, em teologia pela FAJE. Ordenou-se presbítero em 2017. Atualmente reside em Juiz de Fora, onde é reitor-formador do seminário menor dos redentoristas e diretor da Biblioteca Redentorista.