ENTREVISTA: Juliana James

Revista Casa D’Italia, Juiz de Fora, Ano 2, n. 16, 2021 – Departamento de Cultura | ENTREVISTA: Juliana James


1 Juliana, para iniciarmos nossa entrevista gostaria que você nos contasse um pouco sobre a importância do teatro na sua infância e também na sua vida.

Nasci em Juiz de Fora, no dia 10 de julho de 1982. Aos 6 anos de idade, comecei a fazer teatro. Acredito que, ao nascer a criança se encontra imersa num universo sócio-cultural. A descoberta e a apropriação deste universo, através do meio, da arte, da literatura, do convívio com o outro, definem o conteúdo do processo de constituição do ser humano da criança. Assim, tornamo-nos alguém na medida em que nos relacionamos com as coisas, com a natureza, com as pessoas. Tudo que é humano é produto da ação humana. Por isso, sei que o contato com o teatro e a literatura desde cedo impactaram positivamente minha vida e minha formação.


2 Juliana, você hoje tem uma carreira consolidada, com enorme experiência de palco e 13 livros publicados. Mas como foi que tudo começou?

Tive a minha primeira experiência como professora de teatro substituta há 22 anos e continuo vivendo essa experiência até os dias atuais, mesmo que de forma online.

Tanto como aluna quanto como professora, trabalhando com crianças desde a Educação Infantil até idosos, pude comprovar, com a minha observação durante esses anos, como a encenação (brincadeira de faz de conta) e a leitura do texto desenvolvem a imaginação e a criatividade.

Além disso, no ano 2000, ingressei na faculdade de Psicologia, uma experiência singular que muito contribuiu para minha formação, visto que o interesse pelo humano sempre esteve presente em minha vida. Nessa época, eu dava aula de teatro na Casa de Cultura Estação Palco e fazia estágio na Fundação Fiaine com crianças com deficiência. Conquanto não tenha concluído o curso, que interrompi no 7° período, essa experiência me fez abrir as portas da minha sala de aula para receber alunos com necessidades especiais.


3 E como foi que surgiu a vontade de escrever um livro?

O universo infantil e sua “mágica” imaginativa sempre estiveram em meu horizonte. Pensar uma escrita que chegasse até os pequenos e trouxesse elementos para o desenvolvimento da criatividade e da possibilidade de reinventar o mundo são pontos que me impulsionam a seguir estudando e escrevendo. 

Penso que a literatura associada à contação de histórias, pode atuar como um baú de memórias, sobre o qual a criança poderá se debruçar para revisitar as histórias, usando a sua imaginação e, assim, reescrever o seu mundo.

Em 13 de novembro de 2013, lancei meu primeiro livro: “Qual a cor da sua vida?” pela editora Giostri SP. Depois desse, vieram mais 12 livros, todos voltados para o público infantil


4 Nesses últimos anos com o avanço das tecnologias novas formas de ler e contar histórias foram desenvolvidas, como os audiobooks e QRcodes, por exemplo. Como tem sido sua relação com essa recente tendência?

Acabei de relançar a segunda edição da minha obra “Ser Diferente é Legal”. Com esse trabalho, visitei muitas escolas de Juiz de Fora e região fazendo a contação de histórias e conversando com muitas crianças de diversas idades, em uma troca enriquecedora. Na nova edição do “Ser Diferente é Legal” o leitor encontra um livro fluido, interativo e inclusivo. Reescrevi o texto fazendo pequenas alterações e melhorias. As novas ilustrações foram feitas pela Giovana Martins, artista de Ji-Paraná, Rondônia e a grande novidade é que o livro possui 4 músicas autorais e a contação de histórias que o leitor poderá ouvir através do acesso ao QRcode. As músicas foram feitas pelo músico e compositor Rogério Nascimento e o projeto gráfico pela Editora Paratexto.


5 Outra recente tendência do mercado são os cursos online. Você já está com algum projeto em execução ou em desenvolvimento ?

Em setembro de 2020, junto com a editora Paratexto de Juiz de Fora, comecei um curso on-line de escrita para crianças, “Fábrica de Histórias”. Nesse curso, ensinamos às crianças o conceito de literatura, os gêneros literários, fazemos exercícios de escrita criativa e estimulamos as crianças a escreverem seu primeiro livro.  No fim do curso, cada criança recebe 10 livros de sua autoria, sendo que elas participam e aprendem sobre todas as etapas para a publicação. Em breve abriremos a quarta turma do curso pelo qual já passaram 30 crianças entre 7 e 10 anos.

6 Desde muito cedo você contribui para a formação de crianças e jovens da cidade e da região por meio da arte-educação. Para você, qual a importância de se trabalhar essa forma de educação?

O contato com o teatro e a literatura desde cedo impactaram positivamente minha vida e minha formação, por isso tenho um desejo enorme de contribuir para que mais pessoas possam entender e valorizar a combinação potente e explosiva entre arte e educação.


Juliana James

É professora de teatro, escritora e pedagoga.
Tem pós graduação em Literatura Infantil e Juvenil pela UCS e é Mestranda em Educação pela UFJF.
Tem 13 livros publicados e atua como professora de teatro e de escrita criativa em duas escolas da rede privada e como professora de teatro em uma Ong para crianças com deficiência.
Contatos:
Email: julianabandeirajames@gmail.com
Instagram: @juliana_james


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