ENTREVISTA: Fernando Priamo

Revista Casa D’Italia, Juiz de Fora, Ano 2, n. 14, 2021 – Departamento de Cultura | ENTREVISTA: Fernando Priamo


1 Como artista atuante em JF, como vê a importância das manifestações artísticas nesse momento de pandemia?

Como artista atuante eu vejo a importância pelo seguinte: eu acho que todo artista tem por obrigação fazer com que sua arte leve felicidade para as pessoas, eu acho que nesse momento de pandemia todos nós artistas poderíamos ter esse compromisso com a nossa cidade de levar a essas pessoas um pouquinho de da nossa arte para que essas pessoas consigam também passar por esse momento difícil com um pouco mais de leveza e a leveza somente a arte traz para a gente. As nossas manifestações artísticas são muito importantes, elas marcam o tempo e o espaço mas também marcam a vida das pessoas de uma forma positiva. Elas levam a leveza para as pessoas e se você olhar, por exemplo, a minha exposição… a minha exposição é para que as pessoas se transportem desse mundo pesado de pandemia para um mundo imaginário da arte, no meu caso a fotografia, para que aquela fotografia leve para ela um pouco mais de leveza nem que seja por alguns minutos, mas ela vai se sentir acolhida, transformada, feliz, com bem-estar. Acho que a importância de nós artistas em juiz de fora deveria ser levar essa leveza de alguma forma para aqueles que estão a nossa volta. A gente , as vezes, nós artistas, tiramos tudo o que podemos de juiz de fora mas não damos nada para juiz de fora. A gente recolhe tudo que a cidade tem e nunca dá nada em troca. Eu acho que esse é um momento oportuno para que todos os artistas repensem qual é sua participação na sociedade, o que sua arte representa na sociedade, o que você está disposto a doar para a sociedade da sua arte. Acho que isso é muito importante nesse momento.


2 Na exposição em exibição na Galeria Online da Casa D’Italia “AS MULHERES DE FLORENÇA E SUAS BICICLETAS” você expõe, através do seu olhar, o encanto e as belezas das mulheres que transitam pela cidade de Florença e seu cotidiano.  Como você acredita que pode tocar e sensibilizar as pessoas através de seus registros? 

 A minha segunda exposição, que são As Mulheres de Florença e Suas Bicicletas, representa o respeito que eu tenho pelas mulheres. Esse momento que a gente vive atualmente, o empoderamento das mulheres, a independência delas e o respeito…eu acho que a minha exposição leva e sensibiliza a todos os leitores, a todas as pessoas que a visitam. É uma reflexão da importância da mulher na sociedade e do respeito que temos que ter pelas mulheres. Eu sempre gosto de homenagear as mulheres nas minhas obras porque elas são fortes, independentes e nos ensinam muito. Então nós precisamos ter esse tipo de manifestação para que as pessoas possam se sensibilizar realmente e a gente possa levar a grandeza do feminino para o mundo. Então eu prezo muito isso e gostaria muito que as pessoas que olhassem essas fotografias não enxergassem só as fotografias em si: uma fotografia em preto em branco, bonita, bem elaborada. Eu gostaria que elas conseguissem fazer uma leitura dessa fotografia  em prol da beleza feminina e de sua independência, do respeito que devemos ter, que a sociedade deve reverenciar todas as mulheres e deve ter respeito  para com elas. É a isso que meu trabalho faz referência e se você observar, na minha carta em que faço referência as mulheres de Florença que fica junto da exposição, eu sempre toco como referência a Deusa Nic, que é uma deusa grega, a deusa da vitória, que foi uma grande inspiraçao para que eu fotografasse as mulheres de bicicleta. Se você observar as mulheres ali, elas não estão em uma mountain bike se exercitando, fazendo um exercício, elas estão como se estivessem com asas porque a bicicleta ali é uma bicicleta do cotidiano europeu, uma bicicleta que é um meio de transporte, e a bicicleta para mim tem o nome de independência. As mulheres vão e vem com total independência. Então, é como se fosse asas, asas da independência. Por isso eu faço tanta referência a Deusa da vitória, que é forte, independente e vai e vem para todos os lados com suas asas. Então eu acho que todo mundo que observar, que fizer essa leitura das minhas fotografias precisam, primeiro enxergar em todas elas respeito, respeito é a palavra de ordem.


3 Há 6 anos a Casa D’Italia de Juiz de Fora e seu Departamento de Cultura, vem desenvolvendo iniciativas em prol da cultura e suas manifestações artísticas, buscando a valorização dos artistas da cidade e região. Como se deu esta conexão entre você, sua arte e a instituição?

Minha conexão com a Casa D’Italia é de família. Eu sou de família italiana tanto de pai quanto de mãe, sou ítalo-brasileiro e me tornei cidadão italiano há pouco tempo, em 2015, e sempre na minha vida a Casa D’Italia foi uma referência de local da Itália em juiz de fora, apesar de que dentro da minha casa também era porque nós éramos de família italiana, tanto de pai quanto de mãe. Então sempre tive referências. Referências gastronomicas, referências de cultura, referências de aprendizado, referências de caráter. Tudo o que veio da Itália com os meus antepassados e isso foi me passado com muita força e são coisas que prezo muito, tanto é que minhas referências artísticas são os pintores renascentistas. Então a minha conexão com a Casa D’Italia é em relação a essa cultura italiana e todas as suas manifestações artísticas gastronômicas que por lá passam. Acho que a Casa D’Italia tem essa referência e tem mesmo que valorizar e buscar essa valorização dos artistas da cidade e da região. A Casa D’Italia é uma referência italiana em juiz de fora e ela tem por obrigação promover a arte porque o celeiro da arte mundial é a Itália, a Itália é a  base da grande arte mundial, onde nasceram os renascentistas, onde viemos com arte romana, então assim nós temos essa grande referência. Então a Casa D’Italia leva esse peso, esse peso de valorização a cultura então eu acho que ela faz muito bem em poder desenvolver e buscar essa valorização. Não só dos ítalo-brasileiros mas também da arte como uma forma geral, quando a gente pode até conciliar o italiano expondo na Casa D’Italia ou fazendo uma manifestação artística lá, a gente fica feliz porque casou muito bem. Então eu acho que está de parabéns a Casa D’Italia, tem que buscar mesmo, desenvolver essa iniciativa, tem que desenvolver mesmo, tem que aprimorar, tem que jogar isso para o mundo porque a casa D’Italia é um local que é referência cultural e não pode ser perdido.


4 Qual sua memória mais remota com a Casa D’Italia de Juiz de Fora? Qual a importância do prédio e suas associações para a cidade de Juiz de Fora na sua opinião?

Acho que nós italianos devemos enxergar a Casa D’Italia como esse marco zero e lutar por ela, lutar pela sua continuidade cultural, lutar pela sua continuidade da memória italiana, preservar essa memória italiana na Casa D’Italia e para nós, não só de Juiz de Fora como cidades vizinhas foi o primeiro local ponto de chegada dos italianos que vieram. Estou até olhando uma foto minha, bem pequeninho com meu pai, com minha mãe, e a força de nós italianos que viemos, que construímos, que demos o nosso suor pela cidade, pela economia, pela cultura, demos o nosso de melhor que temos que é a força de trabalho e intelectual para que a cidade se desenvolvesse e a casa D’Italia sempre foi essa referência para nós todos. Então eu acho que é isso aí.


5 Você acredita que a Casa D’Italia de Juiz de Fora e os artistas da cidade podem ajudar as pessoas neste momento difícil de pandemia com suas produções? De que maneira?

Eu acredito mesmo  que a Casa D’Italia e os artistas ajudam e possam ajudar nesse momento difícil da pandemia. Eu acho que uma forma é você colocar todas as manifestações, a Casa D’Italia seria o nosso veículo que vai levar a arte em conexão com as outras pessoas, acho que os artistas precisam sim mostrar sua arte para a casa D’Italia para que ela possa levar a arte para as pessoas nesse momento difícil. 


6 Um dos objetivos da Galeria Online é incentivar as pessoas a acreditarem e investirem na arte e nos artistas juiz-foranos, principalmente o público jovem. Você poderia deixar algum recado para esses jovens e para todos os leitores da Revista Casa D’Italia?

Eu acho que a galeria online tem esse poder sim, ela tem esse poder de incentivar e acho que os artistas podem acreditar nisso, nesse mundo que vivemos hoje e a galeria online se tornou o nosso melhor ponto de exposição, acho que o artista quer expor seu trabalho e nesse momento de pandemia em que as coisas começam a querer voltar a uma normalidade, que ainda não é normal, a gente precisa entender que a galeria online da Casa D’Italia ela nos dá essa oportunidade de mostrarmos a nossa arte, de levar nossa arte, e que essa arte pode estar aberta ao mundo porque uma galeria online, com a Internet, com a evolução do poder de conexão da Internet com o mundo, dessa janela, a galeria online é o veículo que te transporta para o mundo. Então eu acho que os jovens artistas juizforanos, principalmente esse público mais jovem, ele precisa se conscientizar de que sozinho também ele não vai conseguir nada. A gente precisa se unir, a arte precisa se unir, para que ela possa ser levada, e uma coisa que eu sempre gosto de falar  é que tanto a revista da casa D’Italia quanto a galeria online ou demais manifestações que a casa D’Italia faz… o importante para o artista não é aparecer, é sua obra aparecer, isso é uma coisa que eu vou deixar, que eu gostaria que todos os artistas que fossem me ler ou escutar o que estou dizendo, também não é uma dica, é uma sugestão. Acho que o que tem que aparecer é sua obra, o artista ele faz a obra para que ela se torne independente e alcance o mundo. A gente só faz a obra aparecer. Entao eu acho que todos os artistas que estão começando, eu vejo muitos aí que querem aparecer mais do que suas próprias obras e acaba que não acontece nada: nem ele aparece nem a própria obra. Porque o que você precisa é criar uma obra e ter a  humildade de também deixar sua obra aparecer mais que você porque senão a gente desaparece no tempo.

Eu queria deixar aos leitores da revista Casa D’Italia o meu muito obrigado, gostaria de agradecer a todos que tiram um pouquinho do tempo para olhar minha arte, para olhar minha exposição online, eu queria agradecer a todos e dizer que me sinto muito orgulhoso em vocês tirarem um tempinho e olharem as minhas obras mesmo que não gostem delas ou que gostem, eu já me sinto orgulhoso de ter o olhar de vocês e de tentar de alguma forma levar um pouquinho de leveza para sua vida, para o seu cotidiano, e tentar inspirar outras pessoas também a terem a mesma atitude. Eu acho que esse muito obrigado ele é muito bem colocado aqui porque a minha obra foi feita para ser vista e eu tenho a oportunidade de mostrar então eu agradeço a todos, agradeço a casa D’Italia, a revista, as pessoas que trabalham no portal, a voce Paola, e eu agradeço a todos, a todos mesmo pela oportunidade e a minha obra está sempre aí para que todos possam ver, comentar e muito obrigado mesmo pela oportunidade. É um orgulho muito grande poder mostrar isso para vocês.


Fernando Priamo

Ítalo-brasileiro, nascido em Juiz de Fora, Minas Gerais, cursou fotografia em São Paulo, especializando-se em fotografias de moda e fine art. Em 1999 inicia sua trajetória no fotojornalismo, sendo convidado para compor a equipe do Jornal Tribuna de Minas, onde em 2016 se torna editor de Fotografia. Prestou serviços para diversas agências de publicidade, empresas das mais diversas áreas, além de prestar serviços como freelancer para vários jornais e revistas do país.


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