Revista Casa D’Italia, Juiz de Fora, Ano 3, n. 29, 2022 – Leslie Ceotto | O termo “adolescência” vem do latim adulescens ou adolescens – particípio passado do verbo adolescere, que significa crescer
Matéria introdutória de um tema muito intrigante e fascinante por se tratar do ser humano em uma de suas fases mais complexas, que é fundamental para a formação do homem e da mulher do futuro!
Adolescência e Adolescentes no mundo de ontem
Para falar de adolescência e adolescente, ser social, não precisamos adentrarmos disciplinas e explicações de linguagens difíceis, mas é importante que saibamos alguns pontos da necessidade de compreender todo o processo. Voltando um pouco no tempo para esse registro rápido e histórico-cultural, ocidente/ Brasil, começo com o período infantil até o período da adolescência, chegando inclusive ao adulto. No entanto, o conceito de adolescência para um período em particular da vida de um indivíduo, localizado entre a infância e a vida adulta, é recente na história da humanidade e, principalmente, do ocidente.
A criança tem o período da infância com fases básicas de fundamental importância para o desenvolvimento físico, intelectual e social. Contudo, essa criança sempre foi, é e será guiada pelos comandos dos pais/responsáveis, numa duração do nascimento à puberdade que se manifesta para meninos e meninas em idades próximas e até distantes, dependendo do desenvolvimento interior e de influências externas neste. A partir daí, com muita clareza, são visíveis os sinais biológicos da puberdade, normalmente dos “dez aos doze” anos, período de transição em que começam as transformações da criança, em que seu lado infantil começa a ficar para trás e em que adentram, ao mesmo tempo, todos os sinais e sintomas de mudanças para descobertas, sensações e vivências, com escolhas e amadurecimento que farão desse adolescente um indivíduo. Desenvolve-se o sujeito responsável por suas atitudes, seus comportamentos e suas consequências para ser então, depois de vivenciar e superar traumas da infância e adolescência, um adulto equilibrado.
“Não existia divisão entre crianças e adolescentes até por volta dos anos 50. Quando eu estudei e comecei a atender, um Pediatra tratava de crianças de 0 anos a 18 anos de idade. Há muito pouco tempo instalou-se o período da Adolescência” Içami Tiba (livro Quem ama educa).
Para falarmos de adolescentes no mundo atual é fundamental saber o que é o ser adolescente e por que recebeu essa nomenclatura. Ao sabermos a origem e o significado do conceito, fica mais tranquilo entendermos, respeitarmos e nos atentarmos para o adolescente como ser social e para a importância do período da adolescência para todo e qualquer ser humano. Há uns 50 anos é que o pediatra deixou de ser o médico que trata dos adolescentes, de 12 a 18 anos. Não havia separação entre os períodos da infância e da adolescência, sendo que se passava direto da fase infantil para o período adulto. Contemporaneamente é que, entre ambos, passou a existir o período da adolescência, transitório entre os dois anteriormente citados. Além disso, por vezes crianças/adolescentes eram tratadas como crianças, outras vezes como adultos que ainda não eram, nem mesmo biologicamente falando.
Deles eram exigidos, na maioria dos casos, muitos por questões culturais e até mesmo de sobrevivência, a postura e o comportamento de adultos em almas ainda adolescentes. É sabido que adolescentes se casavam muito cedo e logo constituíam famílias grandes. Como assim? Eram considerados adultos com 15-16 anos. No Brasil, rapazes se casavam com 15-18 anos, e moças, a partir da menarca, pois assim já poderiam cumprir o papel da mulher, reprodutora, na sociedade. Porém, não estamos falando em mulheres e homens no período adulto, mas sim, em adolescentes num período de transição entre a infância e a vida adulta. Esta carga pesada da paternidade e da maternidade era compartilhada com seus filhos mais velhos, e esse era o hábito rotineiro: nas casas, sempre eram as filhas mais velhas que ajudavam a criar os irmãos. Hoje ainda temos casos assim, mas não são como antes e, atualmente, descabidos e inaceitáveis.
Adolescência e Adolescentes no mundo de hoje
Atualmente, a adolescência é um período de vida do ser de tal importância que existem estudos específicos em diversas áreas que se importam com o desenvolvimento da espécie humana e suas convivências com os que estão em seu entorno. Os focos são atitudes, comportamentos desse público-alvo e suas consequências para si e para a sociedade em que vivem. Especialistas em adolescência estudam o comportamento desse período, que é muito psicossomático, em adolescentes pelo mundo afora, e o interessante é que, por mais que consideremos o meio ambiente, que influencia diretamente, a adolescência é um período e os adolescentes são indivíduos com similaridades de sintomas biológicos e emocionais nos países que respeitam e compreendem esse período como uma escada para a vida adulta. Contudo, os pesquisadores reforçam que, apesar de a adolescência parecer um fenômeno universal, não é, pelo simples fato de que antropólogos constataram que as sociedades tribais não passam por esse período, porque o mundo adulto é alcançado por meio de rituais de passagem, ou rituais de iniciação.
Muitas coisas já mudaram e outras ainda precisam mudar com relação ao tratamento daquele ser humano, numa transição física e mental, dentro da sociedade, visto que gerações passadas viveram sob a tortura da ignorância. Em certa medida, as atuais ainda vivem, principalmente no Brasil, que é um país de terceiro mundo e onde há muita pobreza. Mas muito melhorou! E o que resultou toda essa melhoria foram trabalhos e pesquisas que confirmaram na prática as teorias de que o adolescente está no período chamado transitório da infância para a vida adulta. Esse período se inicia na puberdade, entre 10 e 12 anos, quando começam as chamadas biológicas, que correm cronologicamente e não param mesmo com interferências físicas e psicossomáticas. Segundo Içami Tiba, aí surgem as mudanças hormonais em uma quantidade desproporcional ao cérebro incompleto e imaturo. As mudanças hormonais começam a chegar e aquela criança já não existe. Têm início os conflitos internos e externos, e é nesse momento de “onipotência pubertária” que o adolescente busca sua identidade. Mas como fazê-lo? Até então os pais das crianças são toda a referência delas para tudo o que se refira ao quesito sobreviver; elas sempre foram conduzidas e ordenadas nas tarefas por seus responsáveis. Então os adolescentes, totalmente dependentes, querem ser donos de suas independências a partir do intelectual persona, serem indivíduos sujeitos de suas atitudes e comportamentos. Muitas vezes, porém, é difícil visualizar a responsabilidade que passa a assumir por suas consequências.
Conceitos de Adolescência em vários pontos de vistas por J. D. Nasio (livro Como Agir com um Adolescente Difícil, 2010)
– Do ponto de vista biológico: “A adolescência é sinônimo do advento do corpo maduro, sexuado, doravante capaz de procriar” (NASIO, 2010, p. 14)
– Do ponto de vista sociológico: O vocábulo “adolescência” cobre o período de transição entre a dependência infantil e a emancipação do jovem adulto. Segundo as culturas, esta fase intermediária pode ser muito curta — quando se limita a um ritual iniciático, que, em poucas horas, transforma uma criança grande em adultos — ou particularmente longa, como em nossa sociedade, em que os jovens conquistam sua autonomia muito tarde, levando-se em conta os estudos prolongados e o desemprego em massa, fatores que alimentam dependência material e afetiva em relação a família (NASIO, 2010, p. 14).
– Do ponto de vista psicanalítico: Tudo nele é contraste e contradição. Ele pode ser tanto agitado quanto indolente, eufórico, e taciturno, revoltado e conformista, intransigente e esclarecido; num certo momento, entusiasta e, bruscamente, apático e deprimido. Às vezes, é muito individualista e exibe orgulho desmedido, ou, ao contrário, não se ama, sente-se insignificante e desconfia de tudo. […] (NASIO, 2010, p.15).
São muitos os conceitos de adolescência e todos muito interessantes, mas, por termos um espaço definido, terei que otimizar o que está mais próximo de todos e é o que prevalece aqui no Brasil. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é considerado adolescente todo indivíduo entre 10 e 20 anos incompletos. Já o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), vigente no Brasil, considera adolescente todo indivíduo de 12 a 18 anos. Temos, nas fases características da adolescência, mutação biofísica e consequências psicossomáticas e psicossociais. Quando essas fases são passadas, mas não são vivenciadas e seus conflitos não são sublimados, não sendo resolvidos, começam os problemas de comportamento e, por vezes, o que hoje chamamos de “adolescência retardada”, com adultos agindo e se comportando como adolescentes mesmo que, biologicamente falando, já tenham passado essa fase e estejam prontos e formados. Em outras palavras, já são adultos biologicamente, mas não têm maturidade para o serem, por terem deixado lá trás traumas e feridas abertas, sem se curar, sublimar. Atualmente um adolescente retardado pode chegar à faixa etária de 30 anos para mais.
Por acaso já ouviu falar da especialidade Hebiatria? Muitos pais de adolescentes nunca ouviram falar, mas Hebiatria é como chamamos a parte da medicina que estuda e cuida dos adolescentes (também conhecida como Medicina do Adolescente). Os médicos especialistas em adolescência são hebiatras e atendem jovens a partir de 10 anos de idade.
Querendo sanar alguma dúvida sobre adolescência, através do contato da revista, disponibilizo-me a respondê-los.
Referências bibliográficas:
DESLANDES, Leslie Ceotto – A MÍDIA E O ADOLESCENTE – TCC – Biblioteca da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais
NASIO, JD – COMO AGIR COM UM ADOLESCENTE DIFICIL? Um livro para pais e profissionais
MOTTA, Débora – Texto Uma análise da adolescência ao longo da história – Página da FAPERJ – https://www.faperj.br
ROLF, Muuss – Teorias da Adolescência
TIBA, Içami – ADOLESCENTES: QUEM AMA, EDUCA! – Formando cidadãos éticos

Leslie Ceotto
É Jornalista, especializou-se em Adolescência pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais; Com cursos vários em instituições respeitáveis: Terapeuta, Leitura Corporal, Produção Cultural, Contadora de histórias, Formação para Editora, Promotora Cultural Territorial da Estrada Real. LESLIE DESLANDES é sua assinatura de Escritora. Tem três livros solos 1 – Hinos de Vida (literalmente falando) – Publicação Independente – Dois prêmios; 2 – REFLEXÕES Uma História sem Fim… – Sangre Editora; 3 – Eu Sou LESLIE DESLANDES Minha caminhada poética – Será lançado breve pela Editora Baronesa. Coautora de vários livros e premiações de concursos que participou, dentre eles dois prêmios Italianos. Foi de 2018 a 2020 e de 2020 a 01/ 2022 a Primeira Vice-Presidente da Coordenadoria de Minas Gerais da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil. É membro Acadêmico de Academias nacionais e PT, FR, IT e participa em vários grupos culturais em todo o Brasil e da Comunidade Italiana de Minas Gerais (dupla cidadania).