A experiência de mudar de país depois dos 40

Revista Casa D’Italia, Juiz de Fora, Ano 3, n. 20, 2022 – Augusto Medeiros | A experiência de mudar de país depois dos 40 


Então, já pensou em mudar de país, mudar completamente a sua vida, deixar para trás uma cultura com a qual você está acostumado? 

Olá! Sou o Augusto Medeiros, jornalista e gerente de projetos, e comecei minhas experiências de mudar de cultura ainda dentro do Brasil, porque mudei de cidade seis vezes. Nasci em Surubim, no interior de Pernambuco, onde também já morei na capital Recife e em Petrolina, no sertão do estado. Passei seis anos em João Pessoa, na Paraíba, onde me formei jornalista e iniciei a carreira como repórter. E boa parte da minha vida, onze anos, foram em Minas Gerais, onde cheguei a ter uma vivência de diferentes culturas. É que morei em Divinópolis, Uberlândia e, por fim, em Juiz de Fora, onde passei mais tempo, seis anos. Cada uma dessas cidades possui perfis culturais bem distintos. Divi, para mim, é a mais mineira, Uberlândia tem influência de São Paulo e Juiz de Fora, do Rio de Janeiro. Mas depois desses anos todos, posso dizer que todas têm a essência do jeitinho mineiro de ser.

Contudo, a grande mudança mesmo foi mudar de país, sair do Brasil para morar na Alemanha, quando vim para Berlim. 

Agora que estou contando essa história, tem dois anos e quatro meses que vivo em Berlim, já que cheguei em 3 de setembro de 2019. Então, quero compartilhar com vocês essa experiência, desde quando pensei em mudar. Por que mudei? Como foi esse processo de mudança? Como é que está hoje? O que que aconteceu, o que é que mudou, o que que foi bom, o que não foi bom, as dificuldades. Acredito que isso possa ajudar muitas pessoas que pensam em mudar de vida, não é?  

Às vezes, não é só mudar de país. Tem mudanças que podem ser até pessoais, algo assim que a pessoa muda até o comportamento, porque quando você muda seu olhar para a vida, você pode mudar muita coisa, você pode ver a mesma coisa de um jeito diferente. 

Então, vamos lá. Sempre gostei muito de viajar, isso é uma característica muito forte do meu estilo de vida. Porque sempre fui muito curioso, principalmente, em relação às pessoas. 

Viajar para mim sempre esteve muito ligado a conhecer muita gente. Quanto mais diferente, melhor para mim, mais curioso. Tanto no visual, quanto na forma de pensar, no idioma, sempre gostei de estudar idiomas. 

Então, isso sempre me encantou muito. Mas comecei a viajar para valer, internacionalmente, a partir de 2007, quando fiz minha primeira viagem fora do Brasil, para a Argentina.

Depois, não parei mais. Foram 35 dias na primeira viagem aqui para a Europa, em 2010. Queria viver algo assim, muito de mochileiro mesmo, então me programei para conhecer alguns países. Conheci seis países na Europa, nessa viagem: França, Inglaterra, Bélgica, Holanda, Espanha e Alemanha. E, para conhecer muitos países, eu precisava ter uma viagem com um custo menor. Então, uni o útil ao agradável. Como gosto de conhecer pessoas, me hospedei em albergues, que são bem mais baratos. Fiquei em quarto que tinha até 16 camas. Quanto mais cama em um quarto, mais barato é.  

Consegui conhecer alguns países e conheci muita gente, amizades que guardo até hoje. 

Essa introdução é interessante para começar a entender essa questão da mudança de país. 

Ainda morando no Brasil, também viajei para o Chile e para o Uruguai.  Com o tempo, comecei a aproveitar mais minhas viagens, passando mais tempo em menos lugares, justamente para ter uma experiência cultural maior, uma imersão. 

Por isso, fiquei um mês de férias apenas no Uruguai, que não é um país muito grande. Então, além de Montevidéu, conheci as cidades de Colônia do Sacramento e Punta del Este.

É assim que a gente vai somando experiências, memórias, se transformando com as viagens. Isso sempre foi muito forte para mim. Em vez de gastar com bens materiais, sempre preferi investir nas viagens.

Depois, também fiz outras viagens para a Europa. 

Em uma delas viajei apenas para Itália. Dessa vez, eu só tinha sete dias e pouco dinheiro. Fiquei dois dias em Roma e dois dias na região da Puglia, sul do país, na cidade de Cisternino. E passei também por Alberobello. No meio desse percurso entre Roma e o sul, fiquei um dia em Veneza. Entre todas as coisas mais interessantes da Itália, o que mais me chamou atenção em relação a outros países foi a relação com uma época muito antiga da nossa história. As ruínas em Roma e as casas de pedra, no sul.

Em 2016, passei uma temporada de três meses na Europa. Um mês em Londres e dois em Berlim. A ideia era fazer uma imersão cultural e eu tinha dúvidas sobre onde ficar, então acabei dividindo a temporada. 

E até então, para vocês acompanharem, eu não pensava em sair do Brasil, porque sempre fui muito ligado ao meu trabalho, à minha profissão, sempre muito apaixonado pelo meu trabalho de repórter. Sempre vivi muito isso intensamente.

Foi depois dessa temporada de três meses que começou a mudar mais minha cabeça, mexeu muito com minha visão de mundo. Fiquei hospedado na casa de um inglês e de um alemão. Isso foi intencional, aluguei quarto pelo aplicativo Airbnb.

Quis isso para ter mais contato com pessoas locais. Então, foi muito interessante, porque fiz amizade e, quando a gente viaja, também tem muita facilidade de fazer amizade, se entrosa rápido com estranhos, principalmente, com outros viajantes.

Fiz muita amizade com esse inglês e com a família dele. Com eles, frequentei clubes, fui para restaurantes, churrascos.

Normalmente, no aplicativo Airbnb, você só aluga um quarto, não necessariamente você vai ter uma relação de amizade. Mas nesse caso foi muito bacana. Quando viajamos, ficamos muito abertos. Então, a partir daí, já foi legal por eu ter quebrado aquela imagem de preconceito que a gente carrega sobre os ingleses, quando dizemos que são muito frios. Eles são muito educados. Talvez sejam mais reservados. O europeu em geral é assim, mas eles foram super legais comigo, fizeram churrasco, fomos ficando amigos, fizeram uma despedida.

Em seguida, vim para Berlim, para passar dois meses. 

Foi a primeira vez que estudei alemão, durante um mês, não entendi nada, nada. Foi muito complicado, estava muito puxado, porque eu estava um pouco de férias também. Queria relaxar um pouco, mas estava muito pesado, porque  não consegui entender. Ficava perdido na sala, mesmo sendo uma turma iniciante. Isso é normal, só que eu não conseguia acompanhar. Foi complicado no começo, depois melhorou um pouco.

Também fiquei na casa de um alemão, fiz questão disso. E foi mais complicado no começo, porque o alemão já tem um estilo bem diferente. É que nem sempre eles são muito delicados. São muito diretos no que desejam falar, no que pensam, então, quando a gente não conhece a cultura, assusta. Passado o choque, nos tornamos amigos. Antes disso, porém, pensei: será que vou ter que sair daqui? Vou para outro lugar? Mas então lembrei que a intenção era  viver a cultura e constatei que estava tendo isso da forma como esperava. “É isso que eu quero”, pensei, e então segurei um pouco, continuei e fui entendendo as diferenças. A gente vai aprendendo a ser mais tolerante. 

Fui ficando, fui entendendo o jeito dele e fui aprendendo com ele. Ele também foi muito receptivo, me levou para conhecer o bairro, a gente saiu para jantar; quando dava, a gente conversava. Então, foi legal a experiência e realmente comecei a conhecer bem a Alemanha.

Por eu ter vindo para cá para mudar de país, já fica claro que eu gostei, não é? Eu já tinha uma ideia boa de como é aqui.

Também tive uma nova e, mais uma vez, breve experiência na Itália. Fui convidado por um amigo italiano, que conheci no curso de alemão, para visitar a região de Vêneto, onde ele nasceu. Conheci a produção do prosecco e cidades medievais como Ásolo. Visitei o Bar sem Dono, onde não há vendedores. Você se serve e deixa o pagamento.

Quando decidi mudar de país, foi depois dessa viagem de três meses. Voltei para o Brasil e comecei a ter crises de ansiedade. Aquela sensação de falta de ar, achava que ia morrer porque não encontrava ar para respirar. Aquilo acendeu o sinal de alerta e me fez refletir. Sem pensar em mudar de país, passei a questionar minha rotina. Como é que eu estava levando a vida? Foi aí que comecei a ver muito esse lado mais introspectivo e cogitar o que fazer.

Comecei a pensar em mudar, não necessariamente morar aqui na Europa. Mas, então, a primeira mudança que achei necessária fazer foi uma educação financeira. Porque eu via que ganhava bem, que tinha uma vida confortável, viajava sempre, mas não tinha dinheiro guardado. 

Falava: “Nossa, gente, preciso ter liberdade para escolher o que quero para minha vida”. Busquei o apoio de um consultor financeiro, que me ajudou, e comecei a investir dinheiro. Então, já me foi me dando uma sensação diferente. 

Acredito que isso tenha muito a ver com a minha experiência na Europa, porque depois que vim a primeira vez para a Europa, sempre quis voltar. Nem sentia muita vontade de ir para os Estados Unidos, como havia pensado antes.

Tinha sempre essa ideia de que aqui há menos capitalismo e se consome mais cultura. As pessoas são mais ligadas à cultura, uma sensação maior de se estar aprendendo com a história, com a arte.  Sempre gostei muito disso, me identifiquei muito. Mas ainda tenho vontade de conhecer os Estados Unidos, pelo menos Nova Iorque e São Francisco. Tanto que, antes de vir para cá, renovei meu visto para os Estados Unidos, que venceu sem eu nunca usar.

Esse olhar para o dinheiro já mudou muito também com a questão da viagem. Comecei a ver que seria melhor gastar dinheiro com outras coisas. Depois, quis ter um cachorro. Sempre tinha aquela coisa de falta de tempo, de dar desculpa. Acabou que adotei o Chibito, que apareceu na minha rua.

O planejamento

Aos poucos fui mudando a forma de olhar para a vida, também porque comecei a tirar muito foco só do trabalho e a dar mais atenção para a vida pessoal. 

O passo seguinte foi melhorar uma fraqueza minha, que era a questão do planejamento, da disciplina e de conseguir executar meus projetos. Assim, procurei um MBA em gerenciamento de projetos, na Fundação Getúlio Vargas, em Juiz de Fora. Expliquei que não tinha interesse em trabalhar em empresas com projetos, mas que gostaria muito de desenvolver meus próprios projetos. Responderam que seria completamente possível, porque a gente consegue realmente aplicar todas as ferramentas que as empresas usam na nossa própria vida. E eu usei essas ferramentas para montar meu primeiro projeto, que foi a mudança de país. 

Dessa forma, posso dizer que algumas mudanças iniciais foram fundamentais para a mudança de país. Primeiro, o olhar para os sintomas da ansiedade, depois a educação financeira e, por fim, o planejamento. Tudo me ajudou a ter outras ideias sobre a vida. 

Elaborei um projeto com base em tudo que estava aprendendo na especialização. Vi que estava funcionando muito bem, porque comecei a planejar essa mudança de uma forma muito organizada, identificando todas as metas que eu precisava alcançar, todos os documentos, tudo que eu precisava providenciar, até para trazer o cachorro também, o  que é um pouco complexo. Então, assim, tudo foi muito tranquilo, tudo dividido em etapas, em passo a passo. Isso me ajudou muito a mudar de país. 

A escolha do país

Para escolher o país, a princípio pensei que sempre gostei muito de estudar espanhol e sempre gostei da Espanha. Gostei muito quando visitei o país pela primeira vez, tive muita vontade de morar em Madri. 

Porém, em relação a Madri, um obstáculo foi a economia em crise e a pouca oferta de emprego. Começar uma vida nova sem garantia de emprego? Sem uma segurança mínima? 

Londres seria uma outra opção, mas a capital da Inglaterra tem um custo de vida muito alto. E assim Berlim, que também estava entre as favoritas, foi a escolhida. 

O custo de vida é menor e isso pesou bastante. É uma cidade muito grande, mas não é caótica. E não tem problemas de transporte e trânsito, como Londres já tem. 

Esse projeto de mudar de país foi ganhando mais sentido à medida que eu sentia que estava precisando ter mais qualidade de vida, equilibrar mais vida profissional e pessoal. Pedir demissão do trabalho já fazia parte do projeto de mudar de país. 

E, por isso, também pensei na questão financeira, em fazer uma reserva, o que é importante. Além disso, comecei a estudar alemão numa escola de idiomas em Juiz de Fora. 

A mudança de país

Não é que todo mundo tem que mudar dessa forma. Eu acredito que cada um deve se conhecer bem, refletir, parar para pensar e ver o que é que traz mais satisfação. Foi depois de muita reflexão que tomei essa decisão. Só o projeto para executar e preparar tudo isso demorou um ano, com tudo sendo feito com muita tranquilidade. Tanto que hoje tenho um projeto só sobre mudança de vida na internet, que eu chamo de Mudar é Possível.. Hoje, ajudo as pessoas a aprender sobre planejamento, porque isso me ajudou muito a ter novas possibilidades na vida.. 

Fui me despedir do pessoal da Globo, no Rio de Janeiro, e contei que estava indo embora. Aí surgiu a ideia de que eu poderia trabalhar como correspondente aqui na Alemanha. E, por mais que eu estivesse querendo dar um tempo do trabalho, achei legal. Fiquei orgulhoso de ter a possibilidade e a gente começou a conversar.

A mudança foi acontecendo, vim para cá com a intenção de ficar um ano estudando alemão para depois decidir o que faria da minha vida, se iria continuar como jornalista, se iria seguir outra carreira. No entanto, em apenas dois meses fiz a primeira reportagem para o Fantástico. 

Já estava com o contrato e já estava para receber meu visto de correspondente internacional. Só que, quando fui fazer essa reportagem, senti de novo um peso do trabalho, porque eu precisava de um tempo realmente, precisava me afastar. Não conseguia, emocionalmente, continuar.

Foi quando conversei com a Globo e também falei para o governo alemão, que eu não poderia ter esse visto de correspondente porque eu não iria continuar trabalhando, por enquanto.

Comecei a entrar numa fase sabática, de procurar saber o que é que seria bom para a minha vida e o que não seria bom. Fiquei confuso, mas isso tudo era porque eu tinha sofrido o burnout, embora ainda não soubesse. Era meu jeito de lidar com o trabalho. 

Eu buscava sempre trabalhar muito, mesmo que a empresa não exigisse; eu que queria trabalhar, eu que buscava o trabalho sempre. 

Eu precisava desse tempo. Passei um bom tempo só dedicado ao alemão e aí, quando percebi, também me dedicava demais ao alemão. Existe uma compulsão, que foi me levando ao esgotamento e eu poderia estar levando para outras situações da minha vida. 

Passaram-se alguns meses, veio a pandemia e ficamos mais introspectivos. Passei a ficar mais em casa, não obrigatoriamente por causa do lockdown. 

Comecei a assistir vídeos no YouTube sobre essa questão do autoconhecimento, do propósito, das questões profissionais, mas não consegui encontrar outra profissão que achasse interessante. Como vi que sempre estava na área da comunicação, decidi compartilhar minha história no canal Mudar é Possível, no YouTube, contando essa história de mudança, porque aos poucos fui sentindo que me reencontrei na comunicação. Foi quando tive a ideia de criar uma revista e um perfil no Instagram chamado Mais Berlim. 

Inicialmente falava sobre viagem e sobre turismo. Só que ainda estava com aquele peso do trabalho, sendo que eu queria voltar de uma maneira mais leve, porque no jornalismo a gente lida com situações que são muito fortes. Por isso, fui voltando aos poucos e fui compartilhando na internet a minha história. E aí foi surgindo esse projeto que no Instagram é @projetomudarépossível. Foi assim que percebi que poderia continuar na comunicação. 

Em fevereiro de 2021, tive um sonho e acordei pensando no trabalho. E aí tive a ideia de que eu poderia continuar trabalhando como repórter e comecei a me abrir de novo.

Foi quando vi também que precisava de um apoio psicológico, de modo que fiz terapia e comecei a fazer yoga. Na terapia foi que descobri que tive burnout, que tinha essa questão da compulsão. Também tive ajuda de uma amiga psiquiatra, que me abriu os olhos sobre isso e que me deu o diagnóstico. Fui reaprendendo a lidar com o trabalho, a enxergar os limites.

E, aí sim, voltei a conversar com a Globo. Expliquei tudo o que aconteceu e eles foram muito compreensivos. Assinei um novo contrato e hoje tenho visto de correspondente internacional, com o qual já comecei a fazer reportagens, como a que foi exibida no Fantástico na véspera do Natal, sobre o colecionador da Alemanha que bateu o recorde mundial de árvores de Natal, com 444 árvores montadas.

Posso fazer outros trabalhos como autônomo. No caso, dou consultorias para pessoas que desejem montar um projeto pessoal e profissional para mudar de vida. Também gravei um filme aqui, que sempre foi um sonho antigo e que eu não conseguia executar por ter dificuldade de planejar. Também escrevi o roteiro e atuei.

Tudo isso me fez ver que eu poderia desenvolver meus projetos. Também gravei um curso sobre planejamento para ajudar pessoas na transição de trabalhar presencialmente para trabalhar na internet. Ensino o passo a passo e o que a pessoa precisa fazer. 

Tudo foi acontecendo de uma maneira muito natural, porque tive tempo e uma poupança para passar um tempo sem trabalhar. O grande desafio foi aprender a falar o alemão. Hoje, consigo desenvolver uma comunicação do dia a dia, que avalio em 60% de compreensão. 

Isso é o que posso falar sobre morar fora do Brasil. Digo que vim por alguns motivos e hoje permaneço por outros motivos. Sempre gostei da parte da cultura, da qualidade de vida, dos parques, da História. Hoje,o que mais me prende aqui é a questão da segurança e da qualidade do transporte. A gente vem com um pensamento, mas a rotina é diferente de quando você vem como turista e quando você vem morar. Tem coisas que você percebe que são muito importantes, como viver com aquela sensação de segurança, 

utilizar um transporte pontual e confortável, não precisar de carro, ter muitos parques, muita natureza na cidade, qualidade de vida.

A questão da arte, por exemplo, no Brasil temos bastante em cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, e mesmo Juiz de Fora, que considero ser uma cidade com muita influência europeia. Mas aqui você não precisa ganhar muito dinheiro para viver com qualidade, as compras no supermercado são mais baratas do que no Brasil quando a gente compara o percentual do orçamento para isso.

A parte de aluguel acho que é mais complicada. Em Berlim, a gente tem muita dificuldade de encontrar apartamento e existe muita disputa, concorrência para conseguir o apartamento, então essa é uma dificuldade. Muita gente, inclusive, mora dividindo apartamento, aluga quartos aqui. Também é um pouco mais caro, justamente por causa dessa procura, mas, mesmo assim, é uma cidade considerada com um custo de vida baixo na Europa.

Digo que eu estou passando ainda pelo processo de adaptação e ainda não estou curtindo o país e a cidade da forma como quero. Depois dessa adaptação, quero visitar mais museus. Aqui tem 175 museus, só em Berlim.

Vou sempre, mas quero ir mais e também a galerias de arte. Também quero melhorar meu alemão e poder trocar mais experiências com eles aqui, apesar de que aqui, falando inglês, é bastante possível se comunicar, uma vez que é praticamente uma segunda língua. 

É muito interessante essa mudança de país. A gente parece que nasce de novo. E o desafio que a gente tem para se adaptar, para entender outra cultura, outro estilo de vida, isso também é muito interessante. 

Acredito que vale muito a pena você se desafiar E sentir essa sensação de recomeço, de nascer de novo. Faz muito bem para se sentir ainda mais vivo. 


Augusto Medeiros

É pernambucano, da cidade de Surubim, tem 45 anos, mora em Berlim desde 2019 e atua como correspondente internacional para a Globo, da Alemanha para o Brasil e como redator para a Microsoft News Brasil/Portugal: www.msn.com/pt-br. Também é gerente de projetos e desenvolveu o Método Mudar é Possível, que usa o planejamento descomplicado para facilitar a execução de projetos de mudança de vida. Instagram @metodomudarepossivel e @reportorteraugustomedeiros