Il suono pesante dell’Italia

Revista Casa D’Italia, Juiz de Fora, Ano 2, n. 12, 2021 – Rhee Charles Santos | Il suono pesante dell’Italia


A Itália é um país que dispensa apresentações para nós brasileiros, visto que seus costumes, gastronomia e diversidade são tão amalgamados em nossa cultura que praticamente nos sentimos em casa ao falar dos nossos irmãos latinos.

A história da aproximação entre Brasil e Itália tem início pela imigração italiana no país, por volta de 1880, quando o Brasil, em alta pela cultura cafeeira, necessitava de mão de obra. A Itália, na época, vivia uma crise, desencadeando na emigração de muitos italianos. Essa imigração acabou se intensificando após o nosso país, sábia e tardiamente, ter proclamado a abolição da escravidão.

Quem não se lembra das novelas que mostravam a cultura italiana? Terra Nostra, enorme sucesso entre o fim dos anos 90 e início dos anos 2000, incluiu em nossos costumes aqueles vivenciados pela população na época da imigração italiana. E quem se recorda da novela O Rei do Gado? De junho de 1996 a 14 de fevereiro de 1997, a Rede Globo mostrou a história da discórdia entre um tio e um sobrinho por conta de demarcações de suas terras e um caso de amor proibido entre a prole de ambos. Quase um “Romeu e Julieta”, só que com final feliz (desculpem o spoiler).

Mas por que estou falando de telenovelas? É fato que esse nosso interesse pela Itália perpassa o tempo. Nossas línguas têm muito em comum e nosso jeito caloroso é muito parecido, o que torna a identificação com a cultura quase que automática. Mas o convite  que recebi da revista foi para falar de música italiana, com a qual muitos também sentem algum laço afetivo. Afinal, quem não cantou “Bella Ciao!” que atire a primeira pedra.

Então, vamos lá!

Quem aqui no Brasil não conhece a “quase brasileira” Laura Pausini?

Laura iniciou sua carreira por volta de 1993. No ano seguinte, suas canções como La Solitudine, Strani Amori (essa ganhando uma versão de Renato Russo) e “Gente” chegaram ao Brasil e tomaram conta das rádios na época.

Suas músicas viraram temas de novelas, embalaram casais e fizeram Laura vir ao país diversas vezes. A cantora, inclusive, domina o português hoje em dia, tamanha sua frequência por aqui.

Mas não é só de Laura que vive a Itália. Rica em sua cultura musical, a Itália ainda exportou grandes nomes a paradas musicais pelo mundo.

ANDREA BOCELLI: Outro fenômeno de vendas fora da Itália, Andrea Bocelli é dono de 5 BRIT Awards e 3 Grammys. Como tenor, chegou a gravar nove óperas completas; como cantor, gravou 16 álbuns, além de produzi-los. Andrea ainda é conhecido pelos incríveis duetos: já cantou com nomes como Jennifer Lopez, Celine Dión, Ariana Grande, Sandy e a própria Laura Pausini.

TIZIANO FERRO: Tiziano Ferro também atingiu grande êxito fora de seu país de origem. Lançou seu primeiro álbum “Rosso Relativo” em 2001, na Itália. Devido ao enorme sucesso lá, decidiu lançar uma versão em espanhol em 2002, o que lhe rendeu grande popularidade e sucesso fora da Itália, como na América Latina, por exemplo. Hoje, Tiziano é um dos principais nomes da música pop italiana.

EROS RAMAZZOTTI: Esse é o meu preferido da “Terra da Bota”. O ano de 1993 marcou a definitiva afirmação mundial do cantor, com a edição de “Tutte Storie”, trabalho que atingiu o topo da maioria das tabelas de vendas europeias graças a êxitos como “Cose Della Vita” (talvez quem esteja lendo esse artigo não se recorde dessa na trilha sonora na novela “Olho no Olho”, de 1993), “A Mezza Via”, “Un’altra Te” e “Memorie”. O videoclipe de “Cose Della Vita” foi realizado por Spike Lee. Após a digressão que promoveu o disco, o cantor regressou à Itália, onde concebeu o evento musical Trio, no qual foi protagonista ao lado de Pino Danielle e Jovanotti. Durante esse período, fundou sua própria empresa de representação, a Radiorama, e assinou um novo contrato com a editora BMG International. Durante o verão de 1995, participou no Summer Festival, um festival musical que levou a sete estádios europeus artistas como Rod Stewart, Elton John e Joe Cocker, entre outros.

Em maio de 1996, lançou Dove C’è Musica, seu oitavo longa-duração e o primeiro inteiramente produzido por si. Esse trabalho incluiu os sucessos “Più Bella Cosa” e “L’Aurora”, vendeu mais de 7 milhões de cópias em todo o mundo e proporcionou-lhe o prémio MTV Europe para Melhor Artista Italiano. Nesse período escreveu, para a interpretação de Joe Cocker, o tema “That’s All I Need to Know”.

No ano seguinte, lançou a colectânea dos seus maiores êxitos, intitulada Eros, que incluiu 16 temas, cinco dos quais em versão original (entre eles “Favola”, “L’Aurora” e “Più Bella Cosa”), sete regravados (de “Terra Promessa” a “Adesso Tu”) e dois inéditos: “Quanto Amore Sei” e “Ancora Un Minuto Di Sole”. O álbum contou ainda com os duetos “Musica È?” e “Cose Della Vita/Can’t Stop Loving You”, com Andrea Bocelli e Tina Turner, respectivamente.

É chegando a esse artista que pego o gancho que preciso para escrever aquilo para o que fui convidado: rock italiano! Sim, esse humilde e ferrenho amante de rock vai escrever às vezes para vocês sobre “IL SUONO PESANTE DELL’ITALIA”, ou uma tradução mequetrefe e “freestyle” de “O SOM PESADO DA ITÁLIA”. E, pasmem vocês, teremos muitos assuntos, artistas e temas para abordar sobre esse estilo, que fez e faz história.

A história do rock na Itália

Existe uma tradição do rock na Itália? Conseguimos fazer um grande rock na Itália? Sim, mesmo que com muitas dificuldades e preconceitos, infelizmente nunca completamente adormecidos.

Mas o que é indubitável é que, apesar de tudo, a música rebelde também foi um fenômeno social na Itália, ora despreocupada, ora comprometida, vinculada ou não a convulsões políticas. A voz de jovens de mais de uma geração contra aquela que, tanto na música como na sociedade civil, teria levado todos nós de gravata borboleta em busca do “emprego permanente” (paradoxalmente, hoje quase se tornou a coisa mais “alternativa” que existe…).

Mas quem são os protagonistas, os álbuns, as performances ao vivo, os lugares onde esse rock italiano se desenvolveu? Quem são os precursores? Quem são seus filhos e netos? E onde estão hoje?

O novo livro “La storia del Rock in Italia” de Roberto Caselli e Stefano Gilardino, editado pela Hoepli (sem versão em português ainda), tem a árdua tarefa de responder a essa e a muitas outras perguntas. Pode ser um excelente presente para colocar debaixo da árvore, para um amigo, um familiar ou, melhor ainda, para você mesmo.

Enquanto isso, um breve parêntese sobre os autores:

Caselli é um conhecido jornalista e crítico de música, uma palavra forte, mas verdadeira, em um mundo que agora é muito socializado.

O autor, por outro lado, tem de fato direito, graças a sua contribuição fundamental como voz da “Radio Popolare”, à direção de revistas como Hi Folks! e Jam e várias publicações, incluindo “La storia del Blues” (Hoepli 2005).

Stefano Gilardino é igualmente bom jornalista e escritor. É também o fundador da editora Intervallo, que tem um catálogo muito especial dedicado às bandas sonoras experimentais italianas dos anos 1970. Entre outros volumes publicados, ele é o autor de “La Storia del Punk”, mais uma vez graças a Hoepli.

Para embelezar a obra dos dois escritores, surgem os dois prefácios de Manuel Agnelli (Afterhours) e Franz Di Cioccio (PFM), dois músicos que muito conhecem o rock e que, em épocas diferentes, escreveram grandes páginas do gênero na Itália.

Portanto, vamos voltar ao livro. Tudo começou em 1957… na verdade não. Na verdade, e é uma das faces mais belas desse longo volume bem ilustrado, o advento da música rock e, antes mesmo, do rock’n’roll na Itália, não pode ser separado dos fenômenos mais significativos para a história do país.

Num período imediato do pós-guerra, em que o país saiu com ossos partidos, o Plano Marshall e a consequente instalação de algumas bases americanas na Itália levaram, a partir da chegada a Nápoles de milhares de soldados, também à divulgação de uma cultura musical muito distante das tradições.

Foi assim que os jovens conheceram o jazz, o blues e, claro, as primeiras formas de rock’n’roll. Fenômeno que logo se moverá do Sul para o Norte, em direção a Milão, o fulcro dos novos movimentos musicais italianos (ou convulsões?).

Não é minha função nem desejo antecipar muito do livro. Só sei que, além de saber mais sobre alguns dos principais protagonistas dessa revolução cultural, você vai ficar sabendo da existência de tantos outros nomes que, na época, eram de importância primordial nessa missão e que talvez hoje não sejam conhecidos da maioria.

Alguns nomes artísticos podem até fazer você sorrir, mas se lembre sempre que nos anos 50 e 60, uma era em alguns aspectos de fanatismo máximo, abraçar uma carreira musical em um gênero considerado, até mesmo no próprio mundo musical, como feito por “bobos gritadores”, exigia muito mais coragem do que hoje para fazer uma tatuagem contra o conselho de um pai. Significava ser banido por grande parte da sociedade ou, pior, até ser levado com frequência para visitar o quartel da polícia.

Mas dito isso, felizmente, a melhor forma de prever o futuro é inventá-lo (citado por Alan Kay) e as novas gerações foram capazes de trazer novas — brilhantes — cores, ao lado da única tradição do “bel canto”.

Em suma, essa é uma pequena apresentação do que essa coluna reserva aos leitores, um pouco de história, curiosidades e revelações sobre esse mundo que pode parecer sombrio pra muitos, mas que, em certos casos, até lembra e se funde com a história do rock do nosso país.

É uma lista infindável de artistas para conhecermos ou nos aprofundarmos:

Premiata Forneria Marconi, Afterhours, Vasco Rossi, Luciano Ligabue, Litfiba, Timoria, Verdena, Negrita, Caterina Caselli, Subsonica, Marlene Kuntz, Zucchero, Gianna Nannini, Rhapsody Of Fire, Lacuna Coil, Vision Divine, Elvenking, Disarmonia Mundi, entre muitos outros.

Vasco Rossi
Crédito: Serena Campanini
Artista: Premiata Forneria Marconi
Créditos: commons.wikimedia.org

Até a próxima!


Referências:

https://musicainspira.com.br/2015/11/17/o-som-que-vem-da-italia/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Imigra%C3%A7%C3%A3o_italiana_no_Brasil

https://pt.wikipedia.org/wiki/O_Rei_do_Gado

https://www.musicoff.com/musica-e-cultura/dischi-e-libri/una-classica-serata-jazz-per-bambini/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Rock_Italiano


Rhee Charles Santos

Graduado bacharel em Educação Artística pela UFJF, com ênfase em Design Gráfico, atua como designer gráfico / diagramador e músico, tendo participado como tenor do Coral da UFJF de 2000 a 2012. Também participou de vários projetos musicais na cidade de Juiz de Fora e região, sendo atualmente o vocalista dos projetos Acoustic N’ Roll, Glory e Rock 2U. Já gravou um CD com sua antiga banda autoral, “Glitter Magic”, chamado “Bad For Health” em 2012, que conseguiu relevância no cenário underground internacional. Já atuou como professor de técnica vocal na extinta escola de música “EMATECH”, de 2006 a 2013, e é apaixonado por rock e suas diversas vertentes.


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