ENTREVISTA: A Ponte

Revista Casa D’Italia, Juiz de Fora, Ano 2, n. 11, 2021 – Departamento de Cultura | ENTREVISTA: A Ponte


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Achamos muito interessante como se deu a formação do grupo, que se desenvolveu a partir de uma iniciativa e foi se ressignificando até a conformação atual. Vocês poderiam falar um pouco mais sobre esse processo e como as pessoas interessadas podem fazer para integrar ao grupo?

A junção dos integrantes se deu de forma muito natural. Alguns dos artistas já se conheciam por fazerem parte de dois outros coletivos de arte: o Pulsartes e o Urban Sketchers de Juiz de Fora. E, numa atividade acadêmica de Tarsila Palmieri que consistia em desenhar pontes sobre o rio Paraibuna numa manhã de sábado ocorreu o convite dela para outros amigos artistas participarem também. Essa nova forma de desenho ao ar livre foi prazerosa e deixou um gostinho de quero mais aos que foram desenhar neste primeiro dia. Então, aos poucos, novos artistas se juntaram ao grupo e, todos com o mesmo desejo do desafio de desenhar na rua. Pessoas que desejarem se juntar ao grupo, devem também possuir este desejo de estarem ao ar livre para desenhar a cidade. Essa atividade acontece sempre aos sábados pela manhã. Basta seguirem o Instagram do grupo que é @grupo.a.ponte e enviarem mensagem.


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O nome “A Ponte” traz um simbolismo muito importante para a definição do grupo, o que levou a escolha desse nome?

O nome foi sugerido por um ex-integrante e foi aceito por todos porque além de remeter ao primeiro desenho feito, também representa o elo que o grupo deseja fazer entre a arte e o público.


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A proposta de vivenciar a cidade e capturá-la por meio de um olhar muito atento e íntimo através da arte reproduzida nos desenhos é uma experiência singular. Vocês poderiam compartilhar um pouco dessa experiência, dessa sensação de ir a campo, e de como ela influencia na percepção do artista?

A experiência é fascinante. O contato com a cidade que está ali funcionando de forma pulsante, com o ir e vir de pessoas e carros, faz com que ao desenharmos, tenhamos uma integração com a cidade. Há também, uma introspecção necessária do artista no ato de desenhar. Essa dicotomia da urbe efervescente versus concentração do artista torna a atividade de certa forma mais enriquecedora e plena, pois traz o desafio da escolha, dentro da efervescência há a necessidade da seleção, daquilo que vai para o papel e o que se vai deixar ir. Sem falarmos ainda também do contato com as pessoas, o público que para e assiste, que faz pergunta e interage conosco .


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Como o grupo enxerga a importância dessas ações artísticas nesse momento delicado em que estamos passando devido a pandemia da Covis-19? Como isso tem afetado as atividades do coletivo?

Com certeza termos essas manhãs de sábado para desenharmos, nos faz sentir uma certa normalidade em meio a todo o caos que vivemos da pandemia, pois ainda assim podemos fazer arte e levar para o público. Acreditamos que nosso ato de ir para as ruas e desenhar pode ajudar as pessoas a terem mais esperança em dias melhores. A arte é transformadora e por isto, importante que continue acontecendo e chegando a todos que dela precisarem.


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Como foi a experiência e qual a percepção dos artistas que fizeram os sketches da Casa D’Itália? Teve algum detalhe que não havia sido notado anteriormente? Ou algo mais específico que chamou atenção? Sua relação com o entorno da Av. Rio Branco, etc?

A experiência do Sketch da Casa D’ Itália foi significativa porque foi feita como apoio ao movimento da comunidade contra o fechamento da instituição. Conhecermos a Capela de São Francisco de Paola fez percebemos que a instituição também é guardiã de uma importante parte da história da fé e devoção dos primeiros imigrantes italianos que vieram pra cidade.


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Há 6 anos a Casa D’Italia de Juiz de Fora e seu Departamento de Cultura, vem desenvolvendo iniciativas em prol da cultura e suas manifestações artísticas, buscando a valorização dos coletivos e artistas da cidade e região. Como se deu esta conexão entre o grupo A Ponte, a arte e a instituição?

O convite para a exposição virtual se deu através do ato de termos feito o Sketch da Casa D’Itália durante o movimento contra o fechamento da instituição. Desta forma, o grupo se fez conhecido e foi convidado para participar na Galeria Virtual que estava sendo implantada devido a pandemia.


7 Um dos objetivos da Galeria Online é incentivar as pessoas a acreditarem e investirem na arte e nos artistas juiz-foranos, principalmente o público jovem. Vocês poderiam deixar algum recado para esses jovens e para todos os leitores da Revista Casa D’Italia?

Como já foi dito, a arte é transformadora e é também democrática e transcendental, de forma que qualquer pessoa, de qualquer cor, sexo, idade, raça ou credo, pode fazer arte, então, nosso recado aos jovens seria: experimente! A possibilidade de se expressar e se comunicar através deste processo do fazer, do criar é de fato como a construção de uma ponte para acessar outros universos individuais e outros pontos de vista.
Obrigada/ Paola Sayão


A Ponte

“A Ponte” é um grupo formado com profissionais das artes visuais que tem o objetivo de fomentar a conexão das pessoas com o universo das artes.


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