ENTREVISTA: Wesley Monteiro

Revista Casa D’Italia, Juiz de Fora, Ano 2, n. 10, 2021 – Departamento de Cultura | ENTREVISTA: Wesley Monteiro


1 Como artista atuante, como vê a importância das manifestações artísticas nesse momento de pandemia?

Estamos passando por um período de grandes mudanças em todo mundo, todos os seguimentos que envolvem o ser humano estão sendo adaptados com uma nova leitura e questionamentos diversos. A crise da Cultura no país e algo que vem sendo questionado a muito tempo, os setores de Cultura e economia criativa estão entre os mais prejudicados pela pandemia da Covid-19. Tivemos a necessidade de nos isolarmos socialmente, locais como, museus, teatros, galerias, casas de espetáculos e demais seguimentos foram suspensos, acarretando desta forma, um enorme impacto financeiro para os profissionais que atuam nessas áreas. Diante deste cenário que nós artistas fomos inseridos, reinventar foi a alavanca para a sobrevivência e fortalecimento de equilíbrio emocional para muitos artistas. Novos formatos de trabalhos e criações foram adaptados onde o artista mostrou sua força, criatividade e sensibilidade diante das crises. Os movimentos de incentivos culturais e manifestações artísticas foram primordiais para não cairmos no abismo; a união da classe fortaleceu essa corrente e aos poucos descobrimos um poder de superação e consciência de grupo que há tempos não se via.


2 A exposição em exibição na Galeria Virtual da casa D´Itália “Do Cubismo ao Abstrato” tem como inspiração os grandes artistas do movimento modernista brasileiro do século XX. Você acredita que suas inspirações com esse movimento podem tocar de alguma maneira os juizforanos para apreciação da arte?

Acreditando no poder de transformação e na força de um grupo, foi o que me levou a grande admiração e respeito pelo Movimento Modernista Brasileiro, que diante de um formato de resistências pré-estabelecido da época, conseguiu diante de muita luta e perseverança rupturas diante desses modelos. Desta admiração peguei forças e inspirações para meu processo de trabalho que fluiu em identificação pela linha cubista, e Abstracionismo, onde abre um universo de possibilidades para o processo de criação que a técnica permite. Pintar e criar sem amarras é o que todo artista almeja, é uma forma de mostrar suas ideias e digital. O formato cubista, assim como sua história, trás o conceito do figurativo, que é meu carro chefe, onde posso entrar no universo de qualquer linha de pensamento e cultura. É isso que me seduz, mostrar pessoas em seu processo de trabalho, seu cotidiano, movimentos culturais e religiosos. Mostrar o Brasil para os juizforanos, cores, suas faces e especificidades.


3 Há 6 anos a casa D’Itália de Juiz de Fora e seu Departamento de Cultura, vem desenvolvendo iniciativas em prol da cultura e suas manifestações artísticas, buscando a valorização dos artistas da cidade e região. Como se deu esta conexão entre você, sua arte e a instituição?

Os meus trabalhos e projetos sempre são voltados para um estudo de valorização e sensibilização através da arte, fiquei muito feliz em conhecer o projeto cultural da casa D’`Itália e tudo que a Instituição representa para a cidade e para o país. A instituição é um fortalecimento e resgate da cultura Italiana da cidade de Juiz de Fora, onde funciona um centro de cultura ativo com atividades diversas. É muito importante para nós artistas termos o apoio e incentivo de instituições como a Casa D’Itália, que não medem esforços para a promoção e interação com o público, fomentando assim a cultura local. As ferramentas de comunicação que o Departamento de Cultura utiliza conversam muito bem com o cenário de Pandemia que nos encontramos, gerando dessa forma, confiança para os participantes e envolvidos nos projetos.


4 Qual sua memória mais remota com a Casa D’Itália de Juiz de Fora? Qual a importância do prédio e suas associações para a cidade de juiz de Fora na sua opinião?

O Brasil passa por uma crise que vem se arrastando durante anos, diversos setores da economia e cultura sofrem interferências há décadas. Com a crise oriunda da pandemia este cenário ficou mais prejudicado. O foco emergencial ficou voltado para a saúde e economia, onde houve um desgaste considerável e lamentável, e outros setores como a cultura, ficaram desamparados. Contar só com o poder público para fins de projetos e incentivos culturais, tornou algo difícil neste momento. Os Centros de cultura tornaram-se importantes ferramentas e polos de produção e disseminação da cultura. “Voltando na história- As manifestações culturais no Brasil aconteceram desde a sua descoberta graças aos padres Jesuítas na sua tarefa de catequizar os índios que ali viviam, onde elementos como as cantigas, teatros e livros foram grandes aliados nessa tarefa (MILANESI, 1997)”. Houve um aumento muito grande na construção de centros culturais, para promover as cidades e integrar a sociedade nesses espaços de forma que não obtenham apenas informações e conhecimentos, mas também lazer e integração entre as classes presentes naquele ciclo social. Essa integração em fomentar a cultura, foi o que mais me chamou atenção na Casa D´Itália. Em uma ação como um dos integrantes do Grupo “A ponte – Conexão com a Arte” (Um grupo formado por artistas visuais que tem como objetivo fomentar a arte local e conectar com o cotidiano de todos…enaltecer os patrimônios, ligar a história aos olhares da atualidade…e registrar a vida da cidade, para ligar o hoje ao futuro./Tarsila Palmiere). O departamento de Cultura, através da Assessoria de Comunicação, mostrou-se interessados pelo projeto e solícitos a ação, onde gerou a oportunidade de uma Exposição on-line e também individual para os artistas participantes do Grupo.


5 Você acredita que a Casa D’Itália de Juiz de Fora e os artistas da cidade podem ajudar as pessoas neste momento difícil de pandemia com suas produções? De que forma?

Acredito no poder de transformação da arte na vida das pessoas, pensamentos tomam forma e ideais de culturas e etnias têm a oportunidade de serem apreciados pela sociedade no seu todo. Assim, o conceito de arte está ligado à história da humanidade, embora não seja presa a determinado contexto, período ou época, e por esse ângulo é essencialmente mutável. Como será que nossos bisavôs definiriam a arte? Possivelmente nesta época fosse impossível pensar em uma arte digital, ou no desenvolvimento de um projeto de instalações contemporâneas, mas hoje esse fator é determinante para compreendermos a arte num sentido mais amplo e completo. Tudo passa pelas tecnologias e a humanidade está marcada pelos desafios políticos, econômicos e sociais decorrentes de uma nova configuração da realidade. Hoje as instituições, tem o poder de alcance da população através desses veículos de comunicação, Todos estão se adequando devido a pandemia, onde gera o momento perfeito ao acesso e repasse desses conteúdos.. Com a bagagem de informações que a Casa D’Itália tem, torna-se uma mina de ouro para quem está a procura de crescer culturalmente e ter uma melhor qualidade de vida. Através de uma mostra de arte, uma boa poesia, dança, música e outros entretenimentos, podemos inserir conceitos, emoções positivas existentes na vida humana, e dentre elas, uma que mais se destaca são as emoções geradas pelas manifestações artísticas em suas mais variadas formas de expressão; sua energia é muito grande. A arte talvez seja a mais bela manifestação de contato entre o ser humano e sua essência, independentemente deste ser humano ser o criador ou apreciador. Nós eleva pois nos aproxima do sagrado e o profano que habitam dentro de nós.

6 Um dos objetivos da galeria On-line é incentivar as pessoas a acreditarem e investirem na arte e nos artistas juizforanos, principalmente o público jovem. Você poderia deixar algum recado para esses jovens e para todos os leitores da Revista Casa D’Itália.

Nós artista temos uma ferramenta muito preciosa nas mãos, podemos juntos mostrar para os demais a importância de ter uma boa cultura; o artista vê aquilo que as outras pessoas não veem, ele cria aquilo que está além do cotidiano, torna intensa a sensibilidade e a capacidade de promover uma visão crítica sobre determinado tema, ou até propor uma reflexão, seja com pintura, música, um pequeno poema ou um livro… Estamos na hora de arregaçar as mangas e ir à luta por nossos ideais. Mostrar para o mundo essa força e riqueza de conteúdos. etc.. O Brasil é admirado por sua diversidade cultural e produção artística. No entanto, o que é produzido em território nacional é inacessível para uma grande parcela da população. Pequenas ações de fortalecimento e resgate cultural, integradas com o poder público ou privado, podem ajudar aqueles que não têm acesso. Referente aos investimentos em projetos e nos artistas, um canal aberto seriam as empresas. Visto pela ótica corporativa, as empresas querem usar os patrocínios como parte de estratégias na construção de suas marcas. Ao Investir em um projeto, são beneficiados: o produtor, o público e o investidor. Um dos benefícios para as empresas em seu papel de investidor Cultural é o posicionamento da marca e a valorização da imagem corporativa.
Ninguém pode dizer que o caminho até seus sonhos será fácil, provavelmente muitos obstáculos encontrará e milhões de razões para desistir. Mas uma coisa fato! Somos guerreiros…somos artistas, e artistas são fortes, com poderes diferenciados e com conexão ao divino. Acredite no seu poder de transformação e de fazer o diferencial na vida das pessoas. Acredite em você!


Wesley Rocher Monteiro

Artista Plástico Brasileiro Contemporâneo, atua principalmente com pintura em telas, gravuras e desenhos. Amante do Movimento Modernista Brasileiro, fomentou seu trabalho na área do cubismo e abstrato com cores fortes e traços mercantes. Autodidata, optou em não ter influências de academias, preservando assim o aprendizado de forma natural e singular. “Rocher Monteiro”, como é conhecido no mundo artístico, acredita na legitimidade do seu trabalho e no processo criativo em fazer desses fatores um diferencial no mercado das artes.


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