Rosa e Momo

Revista Casa D’Italia, Juiz de Fora, Ano 2, n. 8, 2021 – Victor Bitarello | Rosa e Momo


Desde a década de 1950, o cinema italiano se tornou parte da cultura popular, trazendo aos amantes da sétima arte grandes produções no gênero da comédia, que cresceu ainda mais na década de 70. Nos dias atuais, os cinemas continuam se fortalecendo na Itália, principalmente nos gêneros da comédia e romance, além de ter destacado grandes nomes de referência para o cinema mundial, como por exemplo os diretores, Bernardo Bertolucci, Federico Fellini, Roberto Benigni e também grandes nomes na atuação como Alida Valli, Gina Lollobrigida e Alberto Sordi.
Nos últimos anos, a Casa D’Italia de Juiz de Fora tem trazido ao público muitas destas obras através do Festival CineItáliaJF e hoje temos o prazer de anunciar a nova coluna sobre Cinema Italiano que irá compor a Revista Casa D’Italia, escrita pelo colunista cinematográfico Victor Bitarello. A cada edição da Revista, traremos uma crítica de um filme, convidando o público leitor a se envolver e se emocionar com as grandes obras produzidas pela Itália.


“Rosa e Momo” (“La Vita Davanti a Sé”) conta a história de um improvável encontro e entrelaçamento de tragédias humanitárias e pessoais.

Rosa é uma senhora já bem idosa, judia, sobrevivente do holocausto judeu da Europa das décadas de 30 e 40 do século passado. Quem brilhantemente nos traz essa personagem é o rosto do cinema italiano, Sophia Loren.

Momo, Ibrahima Gueye, é um menino senegalês, muçulmano, que se tornou órfão após seu pai assassinar sua mãe, que havia decidido a não mais se prostituir.

Após levar a vida como prostituta, Rosa, a fim de auferir renda, passa a cuidar dos filhos das demais mulheres que viviam do sexo.

Seu encontro com Momo se dá a pedido do amigo Cohen, seu médico, que se dispunha a dar cuidados básicos para o menino até então, mas que não estava mais conseguindo lidar com ele, e via em Rosa uma pessoa mais enérgica, que talvez conseguisse aquietar um pouco o garoto.

Apesar do dificílimo primeiro momento de convivência, já que Momo era uma criança bastante desgostosa da vida, e sem interesses em seguir normas, pouco a pouco um sentimento de empatia surge entre os dois, que se observam tão sós e tão parecidos, mesmo com tantas diferenças.

“Rosa e Momo” não é um filme sobre as belezas de Florença, Veneza ou Roma. É um filme que fala de uma Itália que também abriga misérias e tristezas humanas, misérias estas que estão em todas as partes do mundo.

O filme tem roteiro e direção do filho de Sophia, Edoardo Ponti. Direção e roteiro transcorrem de forma simples, sem grandes idas e vindas, ou ideias implícitas. O conteúdo nos é transmitido com bastante clareza, porque o foco não é o roteiro, e sim os personagens. Há um esforço em gerar em nós uma empatia pelo imenso sofrimento que duas pessoas como aquelas já experimentaram em suas vidas.

O filme conseguiu. E isso é lindo.


Victor Bitarello

Tem formação em Direito pela Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF – e atualmente encontra-se cursando o quarto ano da Faculdade de Psicologia do Centro Universitário Estácio Juiz de Fora. Atua na área jurídica desde sua formação, em 2006. Foi ator de teatro desde 1998 nos grupos GATTU e Mise en scène, tendo encerrado essa fase de sua vida em 2012. É dançarino no grupo folclórico italiano Tarantolato. Há 7 anos atua em parceria com o portal ACESSA.com, no qual é colunista cinematográfico. Apresenta lives semanais no perfil do Instagram do referido portal, bem como em seu perfil pessoal, o @bitarellovictor.


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: