Do carnaval veneziano ao baile de máscaras do Tarantolato

Chegamos ao mês de fevereiro e como Jorge Ben Jor, disse em “País Tropical”,  “em fevereiro, tem carnaval”! Certamente esse não foi o carnaval que esperávamos, já que ainda estamos sofrendo os efeitos causados pelo Covid-19. Apesar disso, vamos aproveitar a ocasião para ler e conhecer sobre o carnaval de Veneza e também, um pouco mais sobre o Grupo de Danças Folclóricas Italianas Tarantolato.

O Carnaval é considerado uma das comemorações mais populares e representativas do mundo. O modo como conhecemos a festa hoje, teve origem na Idade Média e, ainda que tenha uma aparência fortemente secular, está relacionada ao catolicismo. Seguindo o calendário cristão, o carnaval antecede o período da Quaresma. Poderíamos compreender com um período de festejos e até mesmo excessos, que precedem o jejum quaresmal.

No Brasil, o carnaval chegou durante o período colonial com os portugueses. Desde aquela época, acontecia uma série de  jogos e brincadeiras populares e, sobretudo, prevalecia a ideia de liberdade, algo ainda percebido nos dias de hoje. Essa festividade também acontecia em outras partes da Europa. Na Itália, por exemplo, viam-se o uso de fantasias e desfiles urbanos. Neste ponto, o carnaval italiano e o brasileiro, compartilham hoje, algumas semelhanças. Mas para esse texto, optamos por ressaltar algumas particularidades e curiosidades.

A primeira diferença se mostra pelo clima. Enquanto no Brasil os foliões se deparam com altas temperaturas, na Itália a festa acontece ainda no final do inverno e por isso, as temperaturas são mais baixas, induzindo as pessoas a usarem fantasias mais aquecidas. Para além das diferenças climáticas, é mais comum vermos entre os brasileiros as folias dos bloquinhos, os trios elétricos, as escolas de samba e o frevo. Entre os italianos é possível se deparar com o luxo das fantasias, os desfiles de carros alegóricos, as comidas típicas e até uma batalha de laranjas.

O carnaval na Itália tem uma origem bem antiga, remetendo ao período medieval. Para se ter uma ideia, em Veneza há menções sobre a festa desde o final do século XI, cujo intuito era desfrutar um período de brincadeiras, diversão e jogos em âmbito público antes do início da quaresma. Entretanto, isso se tornou mais claro posteriormente. Na região da Veneza, no ano de 1296, o Senado decretou que o último dia antes da quaresma fosse festa, formalizando assim o Carnaval.

Em Veneza, o Carnaval se destacou de tal modo, que tornou-se um dos mais famosos do mundo. Desde o século XVI, virou tradição o uso de máscaras, muitas vezes por parte da nobreza, que usava como uma brecha para se disfarçar e sair junto ao povo. Os trajes como vemos hoje remetem ao século XVII, sempre com muita pompa explicitam apetrechos, seda, penas e chapéus bem trabalhados.

Durante um longo período o Carnaval de Veneza ficou, digamos, apagado de seu esplendor, alcançado nos séculos XVII. Foi somente em 1980, que o Carnaval resgatou suas raízes históricas, permanecendo assim até à contemporaneidade. Desde então, a Praça São Marcos vira palco desta festa, que acontece ao longo de 10 dias, sendo a abertura oficial dada a partir do Voo do Anjo, seguido pelos desfiles, concursos de fantasias e toda a exuberância da festa!

Em Juiz de Fora, o Grupo de Danças Folclóricas Italianas Tarantolato trouxe elementos do carnaval veneziano para as festas municipais. Em conversa com a presidente do grupo, Mariza Fernandes Pinto Gomes, nos foi dito que o grupo leva, em suas apresentações, uma coreografia chamada Valsa de Veneza. Nesta, os dançarinos portam máscaras e os movimentos vão demonstrando referências sobre o carnaval de Veneza. No ano de 2014 o Tarantolato manifestou esse seu lado carnavalesco na avenida, quando participou do desfile da Escola de Samba Real Grandeza. Por fim, o grupo também foi responsável por promover, no Salão da Casa d’Italia, um Ballo in Maschera, que contou com um retorno positivo da população em todas as suas edições.

Infelizmente, estas comemorações e festejos foram pausados. Em Veneza, o Carnaval foi silenciado pelo segundo ano consecutivo. Agora, por conta dos protocolos de segurança sanitária, exigidos pelo risco de propagação da Covid-19. Esperamos, sinceramente, que este mal passe logo e que o Carnaval retome a sua magnificência!


Referências:

https://www.acessa.com/carnaval/2007/materias/mascara/

GOMES, Mariza Fernandes Pinto. Grupo de Danças Folclóricas Italianas Tarantolato. Rafael Bertante. Juiz de Fora, 2021.

https://g1.globo.com/mundo/noticia/2021/02/07/em-veneza-grupo-de-folioes-faz-silencio-em-praca-vazia-durante-carnaval-cancelado.ghtml

MARANI, Vitor Hugo; LARA, Larissa Michelle. Relações entre Corpo e Máscara no Carnaval de Veneza. In LICERE, Belo Horizonte, v.17, n.4, dez/2014.


Rafael Bertante

Graduado e mestre em História pela UFJF, com ênfase em sociabilidade e cultura italiana, atou em atividades patrimoniais no Laboratório de Patrimônios Culturais. Pós-graduado em Ciência da Religião. Cursa atualmente doutorado em Ciência da Religião pela UFJF e atua com pesquisa em arquivos.


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