Arte e feminismo

Revista Casa D’Italia, Juiz de Fora, Ano 3, n. 26, 2022 – Letícia Renaut | Arte e feminismo


Poderíamos falar que a arte e o feminismo são complementares?  Até onde um interfere no outro, ou é usado a favor um do outro? Vamos falar desses fenômenos e os efeitos que eles trazem consigo na sociedade atual.

O conceito de arte é extremamente abstrato, fluido, dinâmico. Muda em sua forma e teor, de acordo com a realidade vivenciada em cada período. A grande certeza que trazemos sobre ela é que COMUNICA e INFLUENCIA.

 A arte, em todas as suas formas, tem a capacidade de se comunicar com a sociedade e transmitir um recado sobre o período histórico vivido. 

Como forma de comunicação, ela expressa exatamente quem somos, como vivemos, em que acreditamos e pelo que lutamos.

O feminismo tem por si só esse poder de fala artística, dando voz às questões que trazemos há muito em suor e conquista. 

Foi apenas nas décadas de 60/70 que as mulheres começaram a ter uma posição de maior destaque no meio da arte, ainda predominantemente masculino. Foi de extrema importância na resistência à ditadura militar, como principal meio de comunicação e expressão naquela época.

Hoje vivenciamos uma nova fase do feminismo (conhecida como quarta onda), buscando ainda uma maior igualdade de gêneros – inclusive no meio artístico – com pautas extremamente importantes voltadas ao fim do assédio e do abuso sexual.

A desvalorização da área no Brasil nos faz acreditar que a arte em si traz pouca relevância em termos de manifestações e reivindicações de direitos. No entanto, como exemplo contrário a isso, encontramos protestos, que podem, sim, ser tidos como meio artístico, tendo em vista ser uma forma de COMUNICAÇÃO na atualidade, como o #elenão, que foi considerado a maior manifestação de mulheres, pelo menos da história brasileira.

Trazemos a arte dentro de nós, na forma como nos vestimos, nos expressamos, nos comunicamos, dançamos, pintamos e/ou protestamos.

Arte e feminismo são complementares em sua essência. 

São formas de resistência.

São reivindicações de espaço, direito, voz. 

Toda sua essência é passada por gerações com sua simples expressividade. Seu posicionamento em relação ao mundo define o mundo em que viveremos. Talvez seja essa nossa maior esperança.

Dance, pinte, escreva, se vista, não se vista, SEJA, CONQUISTE.

A maior forma de expressão artística é ser você com tudo que consegue.

“Ao longo da maior parte da história, ‘anônimo’ era uma mulher.” – Virginia Woolf

Não deixemos que nos calem. Por meio da arte seremos Resistência e Conquista feminina para a prosperidade.


Letícia Renaut

Graduada em Direito pela Universidade Salgado de Oliveira, Pós- graduada em Comunicação e produção de moda pela Faculeste, professora de ballet e bailarina.