Café: um produto brasileiro que é paixão na Itália

Revista Casa D’Italia, Juiz de Fora, Ano 1, n. 6, 2020 – Louise Torga | Café: um produto brasileiro que é paixão na Itália


Quem é que não tem na memória aquele cheiro de café fresquinho? É impossível ser brasileiro e não ter sentido esse aroma que invade o ar sem pedir licença em qualquer lugar do país… Café está na nossa cultura e cotidiano há quase 300 anos, mas muito antes de aparecer por aqui ele já dominava a Europa e o Oriente.

O café chegou na Europa no século XVII, há registros da sua comercialização em Veneza, a partir de 1615, quando teria sido introduzido por mercadores. Apesar da Itália não produzir café, os italianos aperfeiçoaram muito o processo de preparo da bebida. Antes das máquinas pressurizadas inventadas pelos italianos, o café era 100% consumido filtrado nas mais diferentes formas em todo o mundo e sabemos que o processo de filtragem do café leva certo tempo e exige paciência, portanto, para dar agilidade ao processo, uma prática comum das cafeterias era requentar o café ou mantê-lo sobre uma superfície aquecida. Procurando solucionar esse problema, e facilitar a vida dos baristas, Angelo Moriondo pensou em uma máquina que pudesse servir várias xícaras em menor tempo e desenvolveu uma máquina a vapor, porém, sem incentivo, não deu continuidade ao projeto utilizando-a somente em seu estabelecimento em Torino.

Em 1901, o milanês Luigi Bezzera revisa o projeto de Moriondo e nasce então a primeira máquina de café espresso, mas o projeto continuou não tendo sucesso. Somente em 1903, Bezerra se une a Desiderio Pavoni que introduz alguns ajustes à máquina e, com um grande poder de marketing, começa a produção em série da máquina que faz o café batizado de “Cafeé Espresso”, pelo próprio Pavoni. Após vários anos e modificações substanciais, outro milanês, Achille Gaggia, dono de um café e funileiro versátil desenvolveu em 1947 a Gaggia Crema Café, modelo principal responsável pela produção da crema, que dá a característica atual do Café Espresso. E até os dias de hoje a Itália é referência em equipamento para café espresso.

A palavra espresso se refere à forma como o café é feito, ou seja, sob pressão e por isso se escreve com “s”. O café tipicamente italiano pode causar estranhamento à maioria dos brasileiros, pois tem apenas 25ml de acordo com o Instituto Nazionale Espresso Italiano, uma
entidade criada para certificar o autêntico “Espresso Italiano” tamanha a importância que a bebida tem para o país. Portanto, não se assuste quando a xícara chegar! Pode parecer pouco, mas é exatamente como deve ser, pois, segundo os provadores profissionais e as regras científicas da analise sensorial o espresso italiano extrai apenas as características principais do café como sabor, aroma, consistência, etc. Pode-se dizer que o espresso é uma espécie de “lente de aumento” do café: se for um bom grão, as boas qualidades serão ressaltadas e o café será uma experiência maravilhosa; se for ruim, ficará impossível beber!

Há mais de um século os Italianos inventaram o espresso e não é de se estranhar que quase toda nomenclatura em uma cafeteria seja na língua materna deles: Cappuccino, Affogato, Macchiato, Lattes… A “Italia e o Café” têm muita história, são mais de 400 anos de uma relação intensa, de descobertas e aperfeiçoamento de técnicas, bebidas e também na gastronomia. Um dos símbolos da culinária italiana, o famoso Tiramisù, tem o café como ingrediente principal em sua receita e só de pensar já dá água na boca! E para ninguém passar vontade, segue a receita dessa sobremesa típica italiana, que como tudo na Itália, é cercada de história e nacionalismo!

Tiramisù

Ingredientes:
300g de mascarpone
3 gemas de ovos
4 colheres e meia de açúcar
Migalhas de pão
Café (levemente adoçado)
Cacau em pó

Preparo:
1- Bata a gema de ovo com açúcar
2- Adicione o mascarpone obtendo um creme macio
3- Molhar as migalhas de pão no café e disponha em camadas
4- Cubra as camadas de pão com o creme e repita a operação até terminar a última camada com
creme.
5- Coloque na geladeira por uma hora
6- Finalmente polvilhe o cacau em pó e sirva gelado.


Fonte:

ARGOLLO, André. Arquitetura do Café. 2. Ed. Campinas: Editora Unicamp,2015.

STEPHENSON, Tristan. The Curious Barista’s Guide to Coffee. London: Ryland, Peters & Small Ltd, 2015.

Caffè espresso: storia ed evoluzione della bevanda più amata dagli italiani em:
https://www.gamberorosso.it/notizie/articoli-food/caffe-espresso-storia-ed-evoluzione-della-bevanda-piu-amata-
dagli-italiani/

The Certified Italian Espresso and Cappuccino em: http://www.espressoitaliano.org/files/File/istituzionale_inei_hq_en.pdf

Tiramisú: La ricetta originale em: https://www.accademiadeltiramisu.com/tiramisu-ricetta-tradizionale-e-originaria-
di-treviso/

Louise Torga

Turismóloga, Fotógrafa e Barista. Graduada em Turismo pela UFJF e pós-graduada em Gestão de Patrimônio Cultural, pela Faculdade Metodista Granbery. Trabalhei no acervo fotografico do Instituto Itamar Augusto Franco, sendo a responsável pela digitalização, conservação preventiva e arquivamento das fotografias. Há 4 anos me rendi ao mundo do Café e hoje sou sócia da Giotti Cafés, uma Cafeteria Itinerante especializada em eventos, atuando como barista, fotógrafa e também como pesquisadora da história do Café. 


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