Viagem à Calábria

Nos séculos XVIII e XIX a Itália era destino de viagem de muitos artistas, sendo uma etapa considerada essencial para sua formação. Os destinos eram quase sempre os mesmos. Mais ao norte, Florença e Milão. Mais ao Sul, Nápoles e Sicília. A Calábria não fazia parte deste roteiro, mas, mesmo assim, alguns deixaram seus relatos durante suas passagens por estas terras e mares, como Alexander Dumas. Dentre estas narrações de viagem o da poetisa polonesa Kazimiera Alberti se destaca pelo período em que foi escrito: a autora percorreu a Calábria durante o exílio, em 1949, logo após a Segunda Guerra Mundial. Nessa época, muitos calabreses estavam saindo do país, buscando condições de sobrevivência e de uma vida melhor, como os avós da fotógrafa. As fotos reunidas nesta coleção foram feitas em uma sequência de viagens à Calábria, dentre os anos 2017 e 2019, e fazem parte, sem sombra de dúvida, de uma jornada – uma viagem – de formação: se não artística, pessoal. Os registros mostram uma terra onde o presente divide lugar com o passado, que persiste e resiste nos pequenos detalhes: nas construções, nas histórias, na natureza, nos sabores e nas tradições. E, ainda que o território não seja o mesmo narrado por Dumas e Kazimiera, a região continua não conformando parte do itinerário tradicional da maioria dos viajantes, com exceção daqueles que, potencialmente, já possuem algum vínculo com o lugar. Estas fotografias confirmam o irresistível convite para conhecer a Calábria e tudo o que ela tem a mostrar nos tempos de ontem e de hoje.

Viaggio in Calabria

Nei secoli XVIII e XIX l’Italia fu destinazione di tanti artisti, essendo una fase tenuta come essenziale per la loro formazione. I luoghi visitati erano quasi sempre gli stessi. Al Nord, Firenze e Milano. Più al Sud, Napoli e  Sicilia. La Calabria non era parte di questo itinerario, e, nonostante ciò, alcuni ci hanno lasciato racconti del loro passaggio per questa terra e mare, come Alexander Dumas. Fra queste narrazioni di viaggio, quello della poetessa polacca Kazimiera Alberti merita attenzione in virtù del periodo nel quale fu scritto: l’autrice la percorse durante il suo esilio, nel 1949, dopo la Seconda Guerra Mondiale. In quel momento, tantissimi calabresi cercavano di uscire dal loro paese, perseguendo un modo di sopravvivere, una vita migliore, come i nonni della fotografa. Gli scatti compilati in questa collezione sono state staccate in una serie di viaggi in Calabria, tra gli anni 2017 e 2019, e fanno parte, senza dubbio, di un percorso – un viaggio – di formazione: se non artistica, personale. Mostrano una terra dove il presente condivide spazio con il passato, che persiste e resiste nei piccoli dettagli: nelle costruzioni, nelle storie, nella natura, nei sapori e nelle tradizioni. E, anche se il territorio non è più lo stesso raccontato per Dumas e Kazimiera, la regione continua ancora non essendo parte dei percorsi tradizionali della maggioranza dei viaggiatori, con eccezione, forse, di quelli che hanno un potenziale legame con il paese. Queste fotografie confermano l’irresistibile invito per conoscere la Calabria e tutto quello che questo luogo ha da mostrare, nei tempi di ieri e di oggi.



(É expressamente proibida a reprodução parcial ou integral de qualquer uma das imagens) 


Mell Siciliano

Nascida em 1988, é natural do Rio de Janeiro, Brasil. Suas fotografias se concentram no registro da vida quotidiana, principalmente fotografias de rua, e refletem a maneira poética com que vê o mundo. Ainda que sua trajetória profissional não esteja diretamente relacionada à fotografia, sua formação contribui para seu desenvolvimento como artista. Atualmente, é doutoranda em Museologia e Patrimônio pela UNIRIO/MAST, e, em 2017 frequentou o curso de Língua, Cultura Italiana, Cultura e Tradição da Calábria na Università della Calabria (UNICAL) e em 2019 o curso de Língua e Cultura Italiana na Università per Stranieri “Dante Alighieri” (UNISTRADA), ambos com bolsa concedida pela Regione Calabria.