Onde guardo o verso

A exposição “Onde guardo o verso” tem seu título retirado do livro “Júbilo, Memória, Noviciado da Paixão” de Hilda Hilst. No Sexto (IV) dos Dez Chamamentos Ao Amigo, se lê:

“Sorrio quando penso
Em que lugar da sala
Guardarás o meu verso.
(…)
O que pensa o homem
Do poeta? Que não há verdade
Na minha embriaguez
E que me preferes
Amiga mais pacífica
E menos aventura?
Que é de todo impossível
Guardar na tua sala
Vestígio passional
Da minha linguagem?
Eu te pareço louca?
Eu te pareço pura?
Eu te pareço moça?

Ou é mesmo verdade

Que nunca me soubeste?”

O nome foi escolhido em outubro de 2021 para contemplar uma seleção de desenhos realizados ao longo daquele mesmo ano. A escolha é posterior à realização das obras, e deseja expressar que o fio que conduz e une essa seleção é essa exploração livre das verdades e paixões que habitam o universo interno de uma mulher que apenas agora começa a se entender enquanto artista, e adulta, de certo modo. Há então uma curiosidade em relação a recepção que podem ter, o que suas produções passam a reverberar estando no mundo, o receio e o premeditado enfrentamento à incompreensão.

Os desenhos são realizados em cadernos tamanho a4 feitos pela própria artista, com a intenção de passar a produzir mais regularmente. Fazendo uso de canetas hidrocor e lápis coloridos, são frutos de uma produção quase diária, contemplativa, relativamente rápida e despretensiosa, a título de experimentar com os materiais e as visualidades. Há a intenção de expressar alguma emoção mais subjetiva, sutil e quem sabe indecifrável, ou ao menos incerta. A artista deseja se entender, e nesse caminho, entre idas e vindas, dialogar com o que entendem dela e de sua produção visual.



(É expressamente proibida a reprodução parcial ou integral de qualquer uma das imagens) 


Hannah Fagundes

Tem 20 anos e cresceu entre o Rio de Janeiro (RJ) e Juiz de Fora (MG), onde atualmente reside há cerca de 10 anos. É multiartista: possui produção visual tradicional e digital, com ênfase em desenho e linha, produções audiovisuais e além disso é escritora. Sua pesquisa poética de maneira geral se debruça sobre vulnerabilidade, humanidade, o que é ou não ser gente, ser mulher e ser feminino; a beleza escondida no cotidiano, no esquecido e no efêmero. Atualmente cursa o Bacharelado em Artes Visuais na UFJF. Recentemente tem se interessado por fotografia e questões de pertencimento, tempo e afetividade.