Palco Italiano: uma inovação cênica e acústica para o espaço performático.

Revista Casa D’Italia, Juiz de Fora, Ano 1, n. 4, 2020 – Rodrigo Spinelli | Palco Italiano: uma inovação cênica e acústica para o espaço performático.

Por volta do século XV, emergia na Itália uma corrente intelectual que seria conhecida anos mais tarde como renascimento cultural. É neste cenário que o pensamento em torno da arquitetura dedicada ao projeto de salas de espetáculos passava por uma grande transformação. A crescente noção de perspectiva impunha sobre o espaço performático a necessidade de se trabalhar a encenação e a ópera sobre um pano de fundo cada vez mais realista. Ao longo do ano de 1630, se inaugurava, em Veneza, o primeiro teatro público de ópera, um dos primeiros exemplares a conter um elemento arquitetônico que seria amplamente profundido em todo o ocidente dos anos seguintes até os dias atuais: o “palco italiano.” O palco italiano é sem dúvida a mais comum e mais utilizada estrutura de proscênio nos dias atuais, dada sua funcionalidade e praticidade na obtenção de efeitos enriquecedores à cenografia do espetáculo.

Diferentemente dos palcos de arena, por exemplo, o palco italiano era um espaço retangular, delimitado por três paredes fechadas (duas laterais e uma de fundos) e uma parede vazada que se abria ao público através de uma arcada denominada boca de cena. Esse tipo de palco dava, pela primeira vez, uma ampla percepção de profundidade cênica à plateia. Mais do que isso, o palco italiano permitia que os espectadores assistissem a performance de frente, homogeneizando todos os ângulos de visão. A própria forma da sala delimitava o ponto focal do espectador.

Com o transcorrer do tempo, inúmeros mecanismos foram sendo adicionados à infraestrutura interna do palco permitindo uma crescente mobilidade dos cenários e maior versatilidade das apresentações. O palco italiano era constituído de uma boca de cena arredondada, na qual luzes eram escondidas do público por meio de anteparos. Uma cortina de veludo adornava a boca de cena e permitia a troca de cenários e disposições musicais a partir de um mecanismo de trilhos e argolas suspensas responsáveis por sua abertura e fechamento. O palco passou a contar com uma caixa cênica dotada de espaços que comunicavam o palco com os bastidores (coxias), urdimentos que abrigavam toda maquinaria responsável pela criação de efeitos especiais (no segundo plano vertical do palco) e o porão.

A caixa cênica surgia como um importante mecanismo de condicionamento acústico em conjunto com a geometria da sala. Assim como acontece no anfiteatro da Casa D’Itália, em Juiz de fora, palcos italianos eram dispostos dentro de uma sala retangular, também denominada “shoebox”, uma espacialidade capaz de proporcionar muitas reflexões sonoras laterais e um aumento gradual da propagação das frentes de onda em suave decaimento. Uma sala como esta tem a tendência por reforçar o som dos instrumentos musicais, sobretudo os instrumentos de corda, sendo ideal à performance musical sem amplificação. Poderíamos citar três teatros italianos, exemplares primeiros da adoção desta estruturação de palco que permaneceram intactos até os dias atuais: Teatro Olímpico de Vicenza, projetado pelo arquiteto Andrea Palladio, em 1581; o Teatro de Abbioneta, projetado por Scamozzi, em 1590 e o Teatro Farnese, projetado por Aleotti, em 1618.

Perspectiva atual do anfiteatro da Casa D’Itália e fotografia de sua histórica apropriação performática.

Fonte: Acervo pessoal e acervo fotográfica da Casa D’Itália.

A popularização da ópera e do teatro falado durante os séculos XVII e XVIII fez com que apenas em Veneza houvesse aproximadamente 14 casas de espetáculos em funcionamento regular. O palco italiano se tornou rapidamente o modelo absoluto em todos os países da Europa. Lully, diretor de ópera de Luis XIV, promoveu por toda a França um crescente processo de italianização da arquitetura teatral. O palco italiano era responsável por um grande efeito de arrebatamento na plateia, seus recursos de iluminação e acústica a absorvia facilmente. Diante do espetáculo a plateia chegava a perder a consciência de que eram apenas espectadores, ilusões cênicas e cenográficas tornavam a performance algo ainda mais mágico.

Fontes:

ZILIO, D. T. A Evolução da Caixa Cênica: transformações sociais e tecnológicas no desenvolvimento da dramaturgia e da arquitetura teatral. Pós, São Paulo, v. 17, n. 27, p. 154 – 173, 2010.

LIMA, E. F. W. Arquitetura Teatral no Século XVII: o processo de italianização do modela francês dos jeux de paume. A cenografia do período e as transformações da arquitetura. O Percevejo, v. 4, n. 1, p. 1 – 18, 2012.

RODRIGUES, C. C. Teatro da Vertigem e a Cenografia do Campo Expandido. Disponível em: <https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/08.092/174> Acessado em: 16 de agosto de 2020.


Rodrigo Spinelli

Arquiteto e urbanista, graduado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFJF. Atuante nas áreas de acústica arquitetônica e patrimônio. Pesquisador em paisagem sonora histórica, integra o grupo de pesquisa em Paisagem sonora do Grupo de estudos em Edificações Sustentáveis (GEES) do Laboratório ECOS. Pianista, tem o cravo como instrumento complementar. É membro do núcleo de estudos interdisciplinares em musicologia e performance historicamente informada (NEIM-PHI).


ENTREVISTA: Leandro Dias, integrante do Time de Bocha Casa D’Italia JF

Revista Casa D’Italia, Juiz de Fora, Ano 1, n. 4, 2020 – Departamento de Cultura | ENTREVISTA: Leandro Dias, integrante do Time de Bocha Casa D’Italia JF


1 Como nasceu a iniciativa para o time de Bocha Casa D’Italia Juiz de Fora?

O nosso grupo atual resgatou a equipe de bocha da Casa D’Italia JF. A base atual do time era do Tupynambas F.C. de Juiz de Fora até 2009, quando a diretoria do clube naquela ocasião encerrou as atividades da modalidade. Depois, alguns jogadores foram para outros clubes e outros ficaram sem atuar. Em janeiro de 2017 este grupo reuniu e formou a equipe da Casa D’Italia numa parceria com a instituição.  A Casa D’Italia foi pioneira da bocha em Juiz de Fora nos anos de 1940 e disputou competição até a década de 1990. Chegamos ao consenso que era fundamental resgatar esta tradição do esporte local.


2 Qual a sensação de pertencer a um esporte tão tradicional na Itália e principalmente, tão jogado pelos italianos que passaram pela Casa D’Italia Juiz de Fora?

É um enorme prazer. Nossa equipe é formada por jogadores que amam a bocha. Todos já chegaram a viajar mais de mil kilometros para disputar uma competição em determinada parte do país.  Sabemos que nosso esporte é muito difundido na Itália.  É um dos esportes mais praticados em terras italianas. Levar o nome da Casa D’Italia para outras cidades e estados é um privilégio, além de manter viva a história daqueles que tanto fizeram por este esporte na instituição.


3 Você poderia contar um pouco para nós sobre a participação do Time Bocha Casa D’Italia nos campeonatos?

Estamos filiados na Liga Mineira de Bocha, que tem sua sede em Belo Horizonte e representa os clubes do estado. Disputamos campeonatos estaduais na capital mineira e em São João Del Rei.  Estamos empenhados na reforma do nosso ginásio e quando concluir vamos poder jogar em nossas dependências.  Pretendemos realizar uma competição própria para homenagear a imigração italiana. Disputamos também a Copa São Paulo, em São Bernardo do Campo, sendo uma das principais competições da modalidade no país. Em 2017, disputamos a Taça Brasil de Clubes, em Nova Prata, Rio Grande do Sul,  a convite da Confederação Brasileira por resgatar este esporte em uma instituição pioneira da modalidade em nossa cidade. Os campeonatos da Liga Mineira são: Mineiro de Equipes,  Mineiro de Trios, Mineiro de Duplas, Mineiro Individual,  Mineiro de Duplas Mistas. E ainda tem a Taça Inconfidência Mineira , competição tradicional no mês de Abril em São João Del Rei.


4 Sabemos que a Bocha é um esporte muito importante em países como a Itália e vem crescendo cada dia mais no Brasil, sendo um esporte muito relacionado à cultura e tradição dos imigrantes italianos que vieram para o país. Gostaríamos de saber como vocês conciliam a tradição deste esporte com a busca por um público mais jovem e quais as estratégias para atrair este público?

Para manter a tradição e atrair público jovem, quando finalizarmos a reforma no ginásio temos projeto para criação de escolinha de bocha e consolidar parcerias com escolas e faculdades. Divulgamos bastante nossas atividades na imprensa esportiva da cidade, que sempre é solícita conosco. Isto ajuda muito divulgar nosso esporte e a equipe. Outro fator que contribui é nossa divulgação nas redes sociais. Mantemos ativas nossas redes divulgando notícias diversas relacionadas à equipe e sabemos que as mídias sociais têm muito alcance entre os jovens. Mas o diferencial será quando o ginásio estiver disponível para jogos, treinos e atividades, pois assim vamos proporcionar eventos presenciais com este público mais jovem e contribuir assim para difundir a bocha em nossa cidade e na instituição.


5 Quais são os próximos passos do Time Bocha Casa D’Italia JF? 

A primeira meta e a mais importante é reformar o ginásio que ficou inativo para competições a mais de vinte anos. Agradecemos muito nossos parceiros, patrocinadores e amigos que nos ajudaram chegar a uma etapa importante na reforma. Mas ainda falta uma boa parte para concluir tudo. Estamos em busca de parceiros para terminar e ficar em condições de realizar jogos, treinos, atividades em parceria com outras instituições e associações, além de eventos relacionado ao nosso esporte. Pretendemos atrair mais jogadores na equipe, atrair mais parceiros e patrocinadores para alcançar resultados mais expressivos e elevar uma gestão esportiva na equipe.


Leandro Dias

Jornalista e Atleta do Time de Bocha Casa D’Italia JF.


“Bella Ciao”: a flor que resiste aos tempos

Revista Casa D’Italia, Juiz de Fora, Ano 1, n. 3, 2020 – Rafael de Souza Bertante | “Bella Ciao”: a flor que resiste aos tempos


“O bella ciao, bella ciao, bella ciao, ciao, ciao”, é impossível apenas ler esses versos. Automaticamente, a leitura ganha ritmo, forma musical e é cantada, mesmo por aqueles que não cantam bem! A vibração entregue por esta canção transcorre o tempo, atinge grupos, toma os corações. Não se sabe ao certo quem a fez ou quando foi cantada pela primeira vez, entretanto, constantemente a história presencia seu uso, nos mais variados contextos. O que costuma perpassar por estas aplicações é a sua forma de resistência às forças autoritárias.

Como tantas músicas populares, Bella Ciao foi cantada e transmitida, geração após geração, de modo que sua origem se perdeu no tempo. Algumas possíveis referências indicam que a canção surgiu no século XIX junto aos camponeses italianos, que a utilizavam para denunciar as péssimas condições de trabalho. Outras apontam que ela é um compilado de músicas populares do norte da Itália. Há ainda quem diga que sua melodia é uma adaptação da canção “Oi Oi di Koilen”, do acordeonista ucraniano Mishka Ziganoff, gravada nos Estados Unidos em 1919. Mas também é possível que a sua melodia tenha chegado a América através dos imigrantes italianos.

Apesar do passado incerto, sua mensagem ecoa pelos tempos. A repetição dos versos “O bella ciao, bella ciao, bella ciao ciao ciao” faz com que a canção seja facilmente memorizada e cantada. Suas estrofes relatam ao ouvinte a despedida entre um membro da resistência e sua pessoa querida. O cenário conflituoso desse adeus é demonstrado na primeira estrofe, quando se lê do seu encontro com o invasor. Por pertencer à resistência, o personagem sabe que seu destino pode ser a morte, por isso, pede que seja enterrado no alto de uma montanha, tornando-o visível e que ao seu lado seja plantada uma bela flor. Cria-se um contrastante entre a morte inevitável e a vida, que florescerá. A flor passará então a simbolizar a resistência e a coragem daquele que morreu pela liberdade.

Sob tal contexto, a canção foi amplamente utilizada pelos “Partigiani”, ou os guerrilheiros da resistência ao fascismo durante a Segunda Guerra Mundial. Mas vemos seu uso em outros momentos da história. Anteriormente, “Bella ciao” também era cantada nas lutas de classes e protestos contra a Primeira Guerra Mundial. Posteriormente, nos anos 1960, tornou-se hino durante as manifestações de trabalhadores e estudantes na Itália.

Além das terras italianas, no século XX, a canção foi lembrada durante a Revolução Espanhola. No século XXI, foi entoada durante a Primavera Árabe, em greves que ocorreram na Grécia, em protestos em Istambul, nos atos pró-democracia em Hong Kong, na manifestação de bancários em Buenos Aires – quando ganhou a versão “Somos bancários, queremos aumento e Macri tchau, tchau, tchau – e no Brasil com a variante “Uma manhã, eu acordei e ecoava: ele não, ele não, não, não” fazendo referência contra o candidato à Presidência da República pelo PSL. Também, cabe mencionar o seu uso na série espanhola “La casa de papel”, exibida pela Netflix.

Algumas canções extrapolam o meio do qual foram pensadas. Atravessam os tempos, fronteiras e oceanos. Mantêm-se atuais apesar dos variados contextos. “Bella ciao” certamente é um exemplo desses. Contudo, o que parece não ter mudado é seu impulso pela liberdade e suas reivindicações por melhores condições de sobrevivência, justamente a essência que nunca deve se esvaecer.


Fontes: 

A HISTÓRIA por trás de ‘Bella Ciao’, hino dos protagonistas de ‘La Casa de Papel’. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/geral-43934601

ALTMAN, Max – Hoje na História: 1944 – Partigiani avisam que seguirão lutando contra o nazifascismo. Disponível em: https://operamundi.uol.com.br/politica-e-economia/14967/hoje-na-historia-1944-partigiani-avisam-que-seguirao-lutando-contra-
o-nazifascismo

MARCELLO, Carolina. Música Bella Ciao. Disponível em: https://www.culturagenial.com/musica-bella-ciao/

SILVA, Wilson Honório da. A história por trás de “Bella ciao”. Disponível em: https://www.pstu.org.br/a-historia-por-tras-de-bella-ciao/


Rafael de Souza Bertante

Graduado e mestre em História pela UFJF, com ênfase em sociabilidade e cultura italiana, atou em atividades patrimoniais no Laboratório de Patrimônios Culturais. Pós-graduado em Ciência da Religião. Cursa atualmente doutorado em Ciência da Religião pela UFJF e atua com pesquisa em arquivos.


Museu da Imigração: o resgate e a preservação da história dos Imigrantes no Brasil

Revista Casa D’Italia, Juiz de Fora, Ano 1, n. 3, 2020 – Paola Frizero | Museu da Imigração: o resgate e a preservação da história dos Imigrantes no Brasil


Foi no ano de 1887, quando fundada a Hospedaria do Imigrante, que tudo começou. A Hospedaria era uma das maiores e mais importantes do país. Construída ao longo da antiga linha ferroviária São Paulo Railway, o local tinha como principal objetivo promover a entrada e inserção dos imigrantes na província de São Paulo e encaminha-los para trabalhar nas fazendas. Imigrantes de todas as partes do mundo passavam por lá, todos os anos, vindos do desembarque do Porto de Santos. Dentre os milhares de europeus e asiáticos que vieram para o Brasil “fazer a América”, estavam os imigrantes Italianos, que aos poucos foram se distribuindo pelas fazendas do país e povoando os bairros nas redondezas da hospedaria. Até o ano de 1920, deram entrada no estado 1.078.437 italianos e em 1978 o local foi fechado após receber quase três milhões de pessoas de mais de 70 nacionalidades diferentes.

Havia na época uma tendência dos imigrantes do norte da Itália irem para as zonas rurais, enquanto os do Sul se instalavam mais nas regiões urbanas. Isso explica o fato de se encontrarem nos bairros do Bixiga, Brás e Mooca, uma maior concentração de italianos da Calábria e da Campania. Hoje, vivem em São Paulo mais de quinze mil italianos e descendentes, representando cerca de 34% da população do estado.

A partir de 1978, a hospedaria passou a representar o Memorial do Imigrante e em 2014, após passar por um processo de reformas e restaurações, o prédio passou a abrigar o Museu da Imigração, com um grande acervo de documentos e memórias dos imigrantes que ali passaram.

Hoje, o Museu da Imigração é um dos atrativos turísticos mais visitados da cidade, além de ser um dos maiores acervos de documentos de imigrantes italianos do Brasil. Muitos procuram o local não só para lazer, mas também para pesquisas documentais, em busca da memória de seus antepassados e em busca de registros para adquirir a cidadania italiana.

Mas, além de abrigar todo o acervo histórico da hospedaria, existem também algumas salas que contam fatos históricos, como a Segunda Guerra Mundial. Além disso, no museu há salas que reproduzem ambientes da hospedaria original, como o refeitório e o dormitório, inclusive com objetos da época, móveis e aparelhos de barbear, estes muitas vezes doados de acervos pessoais e de outros museus. Uma das curiosidades é a prateleira que imita uma parede, que além de dividir os cômodos (refeitório e dormitório) é cheia de gavetas contendo “cartas de chamadas” originais de imigrantes radicados que enviavam correspondências aos seus parentes, com relatos sobre o Brasil. Essas estão protegidas por um vidro, e manuseadas quando necessário para preservação. Os efeitos audiovisuais ajudam a contar a história, como no passeio de Maria Fumaça que proporciona aos visitantes ver como era o transporte público e as viagens da época. Além das exposições fixas, o Museu da Imigração também abre as portas para exposições temporárias e para eventos, como o Dia Nacional do Imigrante Italiano, por exemplo.

O Museu do Imigrante fica na Rua Visconde de Parnaíba, nº 1.316 no bairro da Mooca, a 600 metros da estação de metrô Bresser-Mooca. Em dias normais, funciona de terça a sábado, das 9h às 17h e aos domingos das 10h às 17h. Já o Centro de Preservação, Pesquisa e Referência tem um funcionamento diferente: de terça a sábado, das 10h às 16h (exceto feriados). Após visitar o museu, você pode se deliciar com a gastronomia típica do bairro, que te leva diretamente para a Itália, além de aproveitar os outros atrativos que o bairro oferece.

Obs.: Neste momento todo o complexo do Museu da Imigração de São Paulo encontra-se
fechado, devido à pandemia do COVID-19.


Fontes:

http://museudaimigracao.org.br/


Paola Frizero

Formada em Turismo pela UFJF, com ênfase em patrimônio cultural e bacharela em Ciências Humanas. Pós-graduada em Gestão Cultural, obtive experiências profissionais principalmente em educação patrimonial e hoje, além de atuar também no TRADE turístico, sou mestranda na Universidade de Évora – Portugal, em Turismo e Desenvolvimento de Destinos e Produtos.


Culinária italiana um presente para o Brasil

Revista Casa D’Italia, Juiz de Fora, Ano 1, n. 3, 2020 – Ana Carolina Moreira | Culinária italiana um presente para o Brasil


Os italianos trouxeram para o Brasil muitas contribuições para as artes, dança, música, arquitetura e não poderia ser diferente na culinária. A gastronomia é uma herança deixada pela imigração, rica e variada, em seus pratos e ingredientes. Em nosso país a influência teve início, sobretudo, por volta de 1880 até 1930, quando milhares de italianos deixaram sua terra natal, em busca de uma nova oportunidade. Ao chegar aqui tiveram que adaptar a sua culinária à realidade local, misturando sabores e ingredientes que tornaram seus pratos ainda mais saborosos. Muitos alimentos se tornaram tradicionais na cozinha brasileira graças aos Italianos, como exemplos disso podem ser citados os pães, vinhos, azeitona, frutas secas, amêndoas, nozes, avelãs, pinhões, berinjela, entre outros.

A cozinha Italiana dispensa sofisticação no cardápio, valoriza o sabor e o aroma natural dos alimentos de sua terra. Para eles os melhores momentos na mesa se compõem com massas (pastas), pizzas, peixes e carnes especiais, onde geralmente são preparadas com azeite de oliva. Também são amplamente utilizados anchova, mussarela de búfala, tomate e alcaparra, além dos temperos sempre presentes, ervas frescas, alecrim, estragão, salsa, tomilho, manjerona, orégano, manjericão e louro.

Apesar da gastronomia italiana conter uma quantidade considerável de carboidrato, ao consumir, é necessário o cuidado para não haver excessos. A alimentação italiana é rica em nutrientes, vitaminas, sais minerais e óleos pouco gordurosos, melhor dizendo, é possível desfrutar sem se preocupar. Atualmente, muitos restaurantes brasileiros servem receitas italianas, e em muitos casos, como carro chefe da casa.

Só de pensar nos pratos elaborados, é possível sentir água na boca! Pensando nisso, segue uma receitinha Italiana…

Receita original Italiana
Fortaia
Ingredienti:
• 4 uova
• 6 cucchiai di pane grattato
• 4 cucchiai di formaggio grattugiato
• latte – mezzo bicchiere (anche di più se l’impasto non
risulta morbido)
• sale

Sbattere leggermente le uova con una frusta. Aggiungere il formaggio, il pane, il latte, sale. Deve risultare un impasto molto mórbido. Cuocere in padella antiaderente con un filino di olio extravergine a fuoco basso. Girare con l’aiuto di un coperchio. Pronta per essere servita, calda, accompagnata da contorno di verdure cotte o crude.

(Tradução para o português)

Fortaia – Omelete

Fortaia – Omelete
Ingredientes:
• 4 ovos
• 6 colheres de farinha de rosca
• 4 colheres de queijo ralado
• Meio copo de leite ou mais se a massa não ficar mole
• Sal

Bater os ovos levemente com o batedor. Acrescentar o queijo, o pão, o leite e o sal. Deve resultar uma massa muito mole. Cozinhar em frigideira antiaderente com um fio de óleo extravirgem em fogo baixo. Virar com a ajuda de uma tampa. Deve ser servido quente acompanhado de guarnição de verduras cozidas ou cruas.


Fontes:

SILVA, Greice Mara Marques da; CONFORTIN, Helena. Cultura Italiana: Estudo comparativo-descritivo da culinária italiana da Itália e da culinária italiana do Brasil. In: Perspectiva. v. 39, n.148, p. 33-45, 2015.

AS INFLUÊNCIAS da cozinha italiana no Brasil. Disponível em: https://www.rj.senac.br/noticias/gastronomia/influencias-da-cozinha-italiana-no-brasil/. Acesso em maio de 2020.


Ana Carolina Moreira

Nutricionista, atuando em segurança alimentar. Formação em Tecnólogo em Leite e derivados pelo instituto Federal Sudeste de Minas Gerais, Graduação em Nutrição pela Universidade Presidente Antônio Carlos, Especialista em Gestão da Segurança de Alimentos pela instituição SENAC, e Cursando Especialização em Engenharia de Alimentos pela instituição Unyleya .


Um panorama da influência italiana marcada no espaço urbano de Juiz de Fora

Revista Casa D’Italia, Juiz de Fora, Ano 1, n. 3, 2020 – Caroline Furtado | Um panorama da influência italiana marcada no espaço urbano de Juiz de Fora


Na paisagem, nos elementos construtivos, na memória afetiva. Em diversos âmbitos estão escondidas as heranças que a cultura italiana deixou em Juiz de Fora. Os imigrantes que aqui se estabeleceram, contribuíram com a pluralidade da cidade e de seu espaço urbano. Hoje, vamos destacar um pouco da história da arquitetura de influência italiana, preservada até atualmente nas fachadas e volumetrias de construções, que muitas vezes passam despercebidas pelos olhares desatentos.

A passagem do século XIX ao XX foi marcada pela transição do regime monárquico ao republicano. Nesse período, o Brasil buscava um rompimento com seu passado monárquico e escravocrata, tentando acompanhar as mudanças trazidas pelo capitalismo que ascendia em outros países. Para isso, investiu-se em reformas urbanas, as quais visavam a elevação das cidades ao ideário moderno. Em Juiz de Fora não foi diferente. Somado ao crescimento da produção de café, a cidade logo ganhou destaque no cenário da construção civil e econômico, atraindo mercado de consumo e mão de obra especializada.

A chegada dos imigrantes italianos em 1880 na cidade de Juiz de Fora misturou culturas, difundiu costumes e deixou marcas que se encontram preservadas até os dias de hoje. Vindo em busca de trabalho e melhores condições de vida, os italianos trouxeram consigo uma carga de conhecimentos técnicos muito grande. Muitos deles que aqui permaneceram atuaram em diversos setores da cidade, como na construção civil, indústrias, comércio, entre outros. Um nome conhecido, como o Pantaleone Arcuri, é uma das maiores representações da influência italiana na cidade.

Formado pelos imigrantes italianos Pantaleone Arcuri e Pedro Timponi, a famosa empresa da construção civil foi responsável por obras na cidade que permanecem marcando a paisagem e que hoje são patrimônios de Juiz de fora, como é o caso do famoso Cine-Theatro Central, do Monumento ao Cristo Redentor e da antiga Escola Normal, situada na Avenida Getúlio Vargas. Outros marcos importantes se encontram preservados na cidade e substanciam a herança italiana, são eles “Casa de Anita”, abafada por grandes edificações em seu entorno e a própria “Casa d’Itália”. Ambas representam a intenção de fazer com que os imigrantes se sentissem em casa, reforçando seus costumes, valorizando sua língua e promovendo a união entre os imigrantes italianos.

Situada na principal via de circulação juizforana, a Casa d’Itália representava, na época em que foi inaugurada (1939), o fascismo em ascensão no exterior, o qual ditava diretrizes a serem seguidas aqui. O contexto de aproximação entre Brasil e Itália e de elevação do ideário moderno – através do investimento pesado em reformas urbanísticas de embelezamento – caíram como uma luva na época da sua construção. Com sua fachada imponente destacada por suas linhas verticais e por clara simetria, a edificação traz consigo uma mescla interessante entre traços do estilo eclético, vigente na época, e a intenção de representar uma Itália forte e poderosa.

A Casa d’Italia passou por diversas fases: de ascensão ao fechamento. Hoje, patrimônio cultural tombado, a edificação representa a força de uma cultura, que tenta estreitar os laços com a comunidade local e fortalecer ainda mais o cenário artístico, instrutivo e culinário vigentes em nossa cidade.


Fontes:

BERTANTE, R. de S., Silva, T. M. da, Pereira, T. N., & Olender, M. (2020). Elementos da arquitetura italiana em Juiz de Fora:: apontamentos sobre a contribuição da imigração italiana para a construção civil de Juiz de Fora na primeira metade do século XX. Principia: Caminhos Da Iniciação Científica, 18(1), 11. https://doi.org/10.34019/2179-3700.2018.v18.29843

DE SOUZA, Ana Lúcia. Estilo eclético na arquitetura de juiz de fora (MG) – Um debate historiográfico. ANPUH – XXII SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA – João Pessoa, 2003.

FERENZINI, Valéria. Os italianos de Juiz de Fora e as medidas nacionalistas do Estado Novo. Comunicação apresentada em novembro de 2207, no I SIMPÓSIO DO LABORATÓRIO DE HISTÓRIA POLÍTICA E SOCIAL: 70 ANOS DO ESTADO NOVO

https://g1.globo.com/mg/zona-da-mata/noticia/2019/05/31/juiz-de-fora-169-anos-a-busca-e-possibilidades-de-novas-historias-na-casa-ditalia.ghtml


Caroline Furtado

Arquiteta e Urbanista formada pela Universidade Federal de Juiz de Fora.


Andiamo a ballare! Com vocês, o Grupo de Danças Folclóricas Italianas Tarantolato!

Revista Casa D’Italia, Juiz de Fora, Ano 1, n. 2, 2020 – Luciana Scanapieco Queiroz | Andiamo a ballare! Com vocês, o Grupo de Danças Folclóricas Italianas Tarantolato!


“…funiculì, funiculà!
funiculì, funiculà!
‘ncoppa, jamme jà,
funiculì, funiculà!”

Trecho de “Funiculì, Funiculà”, composição de Luigi Denza e letra de Peppino Turco, 1880.

É com a famosa canção napolitana que o Grupo de Danças Folclóricas Italianas Tarantolato interage com o público, anunciando que o fim da apresentação está chegando, mas que a alegria e emoções despertadas ao longo do espetáculo permanecem ainda por muito tempo.

O grupo surgiu em Juiz de Fora, Minas Gerais, em 2000 junto com as comemorações dos 150 anos da cidade. À época, a cidade organizou um desfile de aniversário para celebrar as diversas etnias que compõem sua população. Nessa ocasião, membros e amigos da escola de idiomas “Cultura Italiana” foram convidados para representarem os povos italianos que migraram para a cidade.

Durante a grande onda de imigração italiana para o Brasil, chegaram em Minas Gerais imigrantes principalmente da região da Sardegna mas também em sua maioria das províncias de Salerno, Cosenza, Treviso, Verona, Arezzo, Padova e Lucca. O destino mais frequente eram as lavouras de café. No entanto, a industrial Juiz de Fora, por sua vez, atraía ao oferecer uma área urbana onde diversas atividades poderiam ser exercidas. De fato, mascates e negociantes italianos já circulavam pela região antes mesmo da política oficial de imigração de 1887. Por não terem a oportunidade de recriar suas antigas aldeias, como no caso das colônias rurais, os italianos urbanos tiveram de encontrar meios para manter vivas sua cultura e tradições.

Foram criadas sociedades de mútuo socorro e beneficência, desde 1878, algumas das quais também tinham por hábito realizar festas com músicas e comidas típicas italianas, além do ensino da língua. A Casa D’Italia criada em 1939, incentivada pelo nacionalismo crescente em ascensão na Itália durante a década de 1930, surge com o propósito de reunir todas essas sociedades. No entanto, são a fé o lazer e mais significativamente a música que conseguem agregar os italianos, independentemente de sua posição social, permanecendo presente especialmente nos lares, sendo transmitidos aos filhos e netos.

A grande presença de descendentes italianos na região e a memória despertada pelas músicas e danças contribuíram para o sucesso do grupo Tarantolato. O que seria inicialmente apenas um desfile representando os imigrantes, transformou-se em um grupo consistente com o objetivo de levar um pouco da cultura italiana à população através de seus espetáculos.

Tendo como sede a Casa D’Italia de Juiz de Fora, o grupo foi pouco a pouco aumentando seu repertório, realizando pesquisas sobre danças, trajes, músicas e cultura.

Através da Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage (FUNALFA) o grupo teve três projetos aprovados pela Lei de Incentivo à Cultura Murilo Mendes. O primeiro, em 2002, intitulava-se “Um tributo a D.Moraes”, autor da letra do Hino de Minas Gerais, cuja melodia foi inspirada na canção italiana “Viene sul mare”. A aprovação do projeto permitiu a criação da coreografia desta canção por César Lima, coreógrafo do Grupo Arcobaleno, do Rio de Janeiro e bailarino do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Em 2007 foi aprovado o projeto “O caipira e a tarantela”. Segundo as pesquisas, O “Ballo della Fagona”, ou “o Baile da Fogueira”, coreografado por César Lima, demonstra a influência italiana na cultura brasileira e especialmente mineira pois trata-se de uma quadrilha italiana que inspirou as quadrilhas dançadas nas festas juninas brasileiras, seguida de uma tarantela da região de Cosenza na Calábria, dançada principalmente na festa de São José.  Em 2013, através do projeto “Danzo pizzica e mangio pizza”, o grupo recebeu os dançarinos e coreógrafos italianos Marcella Bomba e Nando Silencio para um workshop de pizzica, dança da região da Puglia.

Ao longo de seus 20 anos de existência, o grupo fez mais de 360 apresentações tanto públicas como em festas particulares, em diversos estados. Dentre suas apresentações mais marcantes, estão o programa Zaccaro Italianissimo, na TV CNT-São Paulo e o IX Festival de Grupos Folclóricos Italianos em Curitiba. Além desses, destacam-se a Festa das Etnias em Juiz de Fora, Festa Alemã em Juiz de Fora, Feira da Providência no Rio de Janeiro e Festa Italiana de Belo Horizonte, das quais o grupo participou por diversos anos consecutivos.

Atualmente o grupo conta com 11 dançarinos, um tamburelista e uma apresentadora. Para participar não é preciso ser de ascendência italiana, apenas ter disposição e interesse em aprender e compartilhar um pouco da cultura que faz parte da memória afetiva de tantos brasileiros.

Andiamo a ballare!


Para saber mais:

LIPERI, Felice. Storia della canzone italiana. Roma: RAI-ERI, 2016.

BORGES, Célia Maia (Org.). Solidariedades e conflitos: histórias de vidas e trajetórias de grupos em Juiz de Fora. Juiz de Fora: Ed. UFJF, 2000.

Arquivo Pessoal do Grupo Tarantolato


Luciana Scanapieco Queiroz

Ex-dançarina do Grupo Tarantolato. É Bacharel e Licenciada em História pela Universidade Federal de Juiz de Fora, com especialização em Museografia e Patrimônio pela Rede Claretiano e Mestrado em Museologia e Patrimônio pelo PPG-PMUS Mast/Unirio. Atualmente trabalha como museóloga no Centro Cultural Câmara dos Deputados, em Brasília.


Um pedaço da Itália no Brasil

Revista Casa D’Italia, Juiz de Fora, Ano 1, n. 2, 2020 – Paola Frizero | Um pedaço da Itália no Brasil


O Brasil é um dos países com notória influência da Itália em sua cultura, começando pela gastronomia e chegando até os sotaques de algumas regiões. Por todo o país tivemos imigrantes italianos, mas foi principalmente nas regiões sudeste e sul que eles se instalaram. 

O primeiro navio com imigração em massa, desembarcou no porto de Vitória, no Espírito Santo, em 21 de fevereiro de 1874. Partindo de Gênova, o navio à vela “La Sofia” trazia 388 camponeses, destinados a trabalhar nas fazendas de café, substituindo a mão de obra escrava, em troca de um pedaço de terra por família. Como a Europa passava por uma grande crise financeira e o Brasil, naqueles tempos, era considerado o Eldorado (as informações que chegavam à Europa era de que tudo o que se plantava em terras brasileiras, nascia com fartura, pois era uma terra fértil), aqueles camponeses, que já estavam passando dificuldades na Itália, viam a oportunidade de “fazer a américa” como única naquele momento, mesmo com todas as dificuldades enfrentadas na viagem até aqui. Eram aproximadamente 45 dias de viagem, enfrentando muitas dificuldades, doenças, perdas, mas sem perder a esperança de uma nova vida e com melhor qualidade. 

Quando chegaram, perceberam que muitas das promessas feitas antes do embarque não seriam cumpridas. O trabalho era árduo para conseguirem seus pequenos pedaços de terra e plantar o que iriam comer. Além disso, muitos familiares foram separados nos portos, quando começaram a serem distribuídos em cada fazenda. Assim, a cada navio que chegava, eles iam se espalhando mais, por todo o território brasileiro. 

Hoje, podemos apreciar os grandes feitos desta cultura que se mistura tão bem com a pluralidade que é o Brasil. Além dos locais que nos transportam diretamente para a Itália, temos também diversas festas típicas, com muita gastronomia, música e dança. Vamos conhecer um pouquinho desses pedaços da Itália no Brasil? Separei algumas cidades para você adicionar na sua lista de desejos. 

Na região serrana do Espírito Santo, temos a cidade de Santa Teresa, onde a maior atração turística é a uva e o vinho. A cidade que foi considerada pioneira na colonização italiana no país, transborda o chame camponês até hoje. Possui vários circuitos turísticos relacionados à imigração, perfeito para quem gosta de passar uns dias de frio na serra. 

Até o ano de 1920, mais de 1 milhão de Italianos chegaram e se instalaram no estado de São Paulo. Foram direcionados às grandes fazendas do estado, mas por lá não conseguiam juntar muito dinheiro, por isso começaram a tentar a sorte nos centros urbanos, principalmente na capital paulista. Hoje, a cidade de São Paulo concentra uma das maiores colônias italianas do mundo e o mais conhecido bairro é o famoso Bixiga, com suas cantinas tipicamente italianas. 

Na cidade do Rio de Janeiro, estima-se que os italianos foram o segundo maior grupo de imigrantes em terras cariocas, perdendo apenas para os portugueses. Porém, ao contrário das outras regiões, os italianos que se instalaram na cidade eram majoritariamente urbanos, vindos já de outras cidades do país em busca de melhores oportunidades. O bairro de Santa Teresa, que na época ficou conhecido como a Calábria Carioca, foi o primeiro a ser preenchido pelos italianos, tendo hoje em suas ruas, nomes em homenagem a muitos deles. No estado, a região serrana também recebeu muitos imigrantes, como na cidade de Petrópolis, por exemplo. 

Em terceiro lugar no número de imigrantes no Brasil, encontra-se o estado de Minas Gerais. Espalhados em suas fazendas e áreas urbanas, por várias cidades do estado, tendo o maior número de imigrantes na capital, Belo Horizonte, Minas Gerais respira, ainda hoje, os ares da cultura italiana, tendo várias cidades como hospedaria na época, como é o caso de Juiz de Fora. A Casa D’Itália, em Juiz de Fora, uma das únicas ainda existentes em seu projeto arquitetônico original no país, o bairro da Savassi, em Belo Horizonte e a Colônia Viva, em São João Del Rei, são alguns dos exemplos de presença ainda viva dos italianos em Minas Gerais. 

No sul do país, a mais notória região onde a presença da colônia italiana é extremamente forte é, com certeza, na Serra Gaúcha, mais especificamente nas cidades de Bento Gonçalves, Garibaldi, Carlos Barbosa e Caxias do Sul. O principal atrativo da região é o cultivo da uva e a fabricação de sucos e vinhos. A região, que já foi cenário de filmes e novelas nacionais, ainda preserva na cultura, a língua, os costumes, as técnicas de plantio e a gastronomia. Na cidade de Bento Gonçalves, além dos cenários reais, hoje trabalhado através de circuitos turísticos, você ainda pode conhecer a história da Imigração no Rio Grande do Sul através do Parque Epopéia Italiana, que conta através do teatro interativo todas as lutas e conquistas do Italianos no Sul, até os dias de hoje. E se você gosta de um bom vinho, não pode deixar de visitar o Vale dos Vinhedos, que te transporta diretamente para a toscana, com suas várias vinícolas produtoras dos melhores vinhos nacionais e espumantes. 

Esses são apenas alguns lugares em nosso país para conhecer a história da imigração italiana e se apaixonar. Deu vontade de sair pelo Brasil conhecendo esses cantinhos? Então pode anotar na sua agenda a lista de festas italianas que eu separei para você!

  • SANTA TERESA – ES
    • Festa do Imigrante Italiano de Santa Teresa – Junho
  • SÃO PAULO – SP
    • Festa de Rua São Vito Mártir – Julho
    • Festa de Nossa Senhora Achiropita – Agosto
    • Festa de San Gennaro – Outubro
  • RIO DE JANEIRO – RJ
    • Festa da República Italiana – Junho
  • PETRÓPOLIS – RJ
    • Festa Italiana Serra Serata – Setembro
  • BELO HORIZONTE – MG
    • Festa tradicional italiana de Belo Horizonte – Junho
  • CAXIAS DO SUL – RS
    • Festa Nacional da Uva – Fevereiro

Fontes:

Dimensione na Mídia: https://dimensionesolucoes.com.br/2019/10/29/imigrantes-italianos-em-sao-paulo-conheca-a-historia/.

Oriundi: https://www.oriundi.net/ha-146-anos-nascia-a-imigracao-italiana-no-brasil

Viagens Cinematográficas: https://www.viagenscinematograficas.com.br/2018/05/santa-teresa-es-o-que-fazer.html

Governo de Santa Teresa: https://santateresa.es.gov.br/site/noticia/programacao-da-28-festa-do-imigrante-italiano-de-santa-teresa-es/356

Comunità Italiana: https://comunitaitaliana.com/consulado-da-italia-no-rio-de-janeiro-promove-corrida-e-festa-popular-no-dia-da-republica-italiana/

Sou Petrópolis: https://soupetropolis.com/2019/09/02/festa-italiana-serra-serata-acontece-este-mes-em-petropolis/

Viagem de Fuga: http://www.viagemdefuga.com.br/2016/03/colonia-viva-sao-joao-del-rei.html

A Festa da Uva: http://www.festadauva.com.br/festa


Paola Frizero

Formada em Turismo pela UFJF, com ênfase em patrimônio cultural e bacharela em Ciências Humanas. Pós-graduada em Gestão Cultural, obtive experiências profissionais principalmente em educação patrimonial e hoje, além de atuar também no TRADE turístico, sou mestranda na Universidade de Évora – Portugal, em Turismo e Desenvolvimento de Destinos e Produtos.


Lavoratori italiani e sua chegada em Juiz de Fora

Revista Casa D’Italia, Juiz de Fora, Ano 1, n. 2, 2020 – Rafael de Souza Bertante | Lavoratori italiani e sua chegada em Juiz de Fora


Falar da presença de pessoas com origem italiana “lá para as bandas” juiz-foranas é falar de uma história anterior a própria existência da cidade. Entretanto, há um recorte temporal que merece destaque aqui. Foram nas últimas décadas do século XIX e nas primeiras décadas do século XX – quando a cidade viveu seu potencial econômico e urbano – que um grande número de imigrantes italianos se estabeleceu na cidade e a brindou com traços de sua arquitetura, arte, culinária, costumes, festas, danças e músicas, que perpetuam até os dias de hoje.

Juiz de Fora está estrategicamente localizada entre o interior de Minas Gerais e a antiga capital do país, Rio de Janeiro. Durante a segunda metade do século XIX, a cidade funcionou como ponto de escoamento para a produção de café de toda a região da Zona da Mata Mineira, o que lhe possibilitou um acúmulo interno de capitais, responsável pela atração de mercados de consumo e inúmeros investimentos.

Foi neste contexto, que a cidade sediou a Hospedaria Horta Barbosa e presenciou a permanência significativa de imigrantes italianos. Essa instituição era responsável por registrar a entrada e a saída de parte dos estrangeiros que desembarcavam no porto do Rio de Janeiro. Ela hospedava os imigrantes por um curto período de tempo, enquanto os mesmos firmavam contratos de emprego no país. Nesse momento, a maior parte das pessoas que chegavam à hospedaria era de origem italiana. O motivo disso estava atrelado às inúmeras propagandas que prometiam empregos e novas condições de vida em terras brasileira, enquanto na Itália, o crescimento populacional e a falta de emprego motivavam seus cidadãos a se arriscarem em outros horizontes. 

Quando deixavam sua terra natal, esses italianos sabiam que encontrariam trabalho agrícola para exercer no Brasil. Porém, em Juiz de Fora, muitos enxergaram a escassez de mão de obra qualificada e assim vislumbraram a oportunidade de prosseguir com sua profissão e até abrir seu próprio negócio. Vários dos imigrantes que empreenderam na cidade possuíam baixa instrução escolar, mas, aos poucos, arriscavam-se nos pequenos comércios ou nas pequenas indústrias, que muitas vezes os colocavam em situações de destaque dentro da sociedade. 

Os frutos da iniciativa de tantos italianos são visíveis até os dias de hoje em Juiz de Fora. Ao caminhar pelas ruas da cidade é possível ver referências italianas em logradouros, comércios e construções. Então, fica um convite para conhecer Juiz de Fora e a cultura italiana existente nela!


Fontes: 

“BERTANTE, Rafael de Souza. Um olhar sobre a sociabilidade italiana em Juiz de Fora: italianos maçons e a “Unione Italiana Benso di Cavour”. Dissertação (Mestrado em História). UFJF, Juiz de Fora, 2017.

CHRISTO, Maraliz de Castro. Italianos: Trabalho, enriquecimento e exclusão. In: BORGES, Célia Maria (org.) Solidariedades e Conflitos: histórias de vida e trajetórias de grupos em Juiz de Fora. Juiz de Fora: Editora UFJF, 2000.

OLIVEIRA, Mônica Ribeiro – Imigração e Industrialização: os alemães e os italianos em Juiz de Fora (1854-1920). Dissertação (Mestrado em História) Niterói, UFF, 1991.

PIRES, Anderson. Café, Finanças e Indústria: Juiz de Fora 1889-1930. Juiz de Fora: FUNALFA, 2009.

RUGGIERO, Antonio de. Os empreendedores toscanos do mármore nas cidades brasileiras (1875 – 1914). In: Fay, Claudia Musa e Ruggiero, Antonio de (Org.). Imigrantes Empreendedores na História do Brasil: Estudos de Casos. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2014.


Rafael de Souza Bertante

Graduado e mestre em História pela UFJF, com ênfase em sociabilidade e cultura italiana, atou em atividades patrimoniais no Laboratório de Patrimônios Culturais. Pós-graduado em Ciência da Religião. Cursa atualmente doutorado em Ciência da Religião pela UFJF e atua com pesquisa em arquivos.


ENTREVISTA: Mariza Fernandes fala sobre os 20 anos do Grupo Tarantolato

Revista Casa D’Italia, Juiz de Fora, Ano 1, n. 2, 2020 – Departamento de Cultura | ENTREVISTA: Mariza Fernandes fala sobre os 20 anos do Grupo Tarantolato


Sabemos que o Grupo Tarantolato, em 2020, completa 20 anos de existência, tendo sido criado a partir do desfile de aniversário de 150 anos da cidade de Juiz de Fora – MG. Por toda esta história de tantos anos de estrada, teremos o prazer em saber um pouco mais sobre o Grupo Tarantolato. Entrevistamos a presidente do grupo Mariza Fernandes e ela nos contou um pouco dessa trajetória, seus desafios, parcerias e os planos que estão por vir.


1 O Grupo Tarantolato completa neste 31 de maio seus 20 anos de estrada. Gostaríamos de saber  quais foram as maiores dificuldades e as maiores realizações para o grupo desde sua criação em 2000?

Primeiramente gostaria de agradecer o convite e dizer que é sempre uma alegria muito grande poder falar um pouquinho sobre o Grupo Tarantolato e mostrar o trabalho que tem sido feito nesses 20 anos de história e que apesar de todo esse tempo e das centenas de apresentações realizadas na cidade, ainda há muita gente que não nos conhece.

O grupo nasceu por dois motivos principais: em primeiro lugar, sem dúvida, pela minha paixão pela língua e cultura italianas, já naquela época professora na Cultura Italiana e em segundo pela necessidade de uma associação cultural que representasse a grande colônia italiana existente em nossa cidade. Posso dizer que aquele convite que me foi feito pela Funalfa para formar um grupo que representasse os italianos no desfile comemorativo dos 150 anos de Juiz de Fora foi a oportunidade que eu esperava e ao mesmo tempo a certeza de que, uma vez criado o grupo, enfrentaríamos dificuldades. Tive sorte, pois além de minha família, pude contar também com a colaboração de vários amigos nessa difícil tarefa.

A principal dificuldade, creio não ser somente nossa, posso citar a falta de patrocínio, o que nos obrigou a recusar convites de importantes apresentações, como por exemplo em Portugal, no Canadá e em Praga. Outra dificuldade que devemos enfrentar de vez em quando é a diminuição do número de participantes devido ao fato de termos muitos jovens e estudantes que, pela necessidade de trabalharem ao mesmo tempo, têm que optar pelo trabalho. Mas são esses momentos difíceis que nos ensinam e, ao enfrentá-los juntos, nos fazem crescer. Temos que criar novas possibilidades, nos adaptar e nos reinventar para não “deixar a peteca cair”.

Mas, com certeza, as alegrias e prazeres superam todas as dificuldades. Cada apresentação é uma festa e de igual importância. Dentre elas posso citar nossa participação no Programa  Zaccaro, o italianíssimo na TV CNT em São Paulo em 2001, duas participações no Festival de dança Folclórica de Curitiba, duas apresentações na Festa da Polenta em Venda Nova do Imigrante no Espirito Santo, Feira da Providência  na Barra da Tijuca no Rio de Janeiro, todo ano praticamente, Festa Italiana de Belo Horizonte, participamos desde a primeira, somente a última não participamos. Em Minas, além de várias cidades, o Grupo é sempre presença certa nas festas de Barbacena e Leopoldina. 

Dentre as várias realizações, por três vezes fomos contemplados pela Lei Murilo Mendes de incentivo à cultura,  com os três projetos elaborados pela nossa então diretora cultural Luzia Casali, que tanto colaborou para que o grupo tenha tido o sucesso que possui hoje.

Nesses 20 anos foram organizadas diversas festas para comemorarmos aniversários e datas especiais. Promovemos um Baile de Máscaras, Sagra della Pizza. No início contávamos com a nossa então colaboradora Magda Picoli, outra apaixonada pelo grupo. Hoje continuamos a promover vários eventos sempre com o objetivo de divulgar o grupo e a cultura e podemos   contar também com a ajuda do Departamento de Cultura da Casa D’Italia que, além de promover os eventos, nos divulgam nas redes sociais.


2 Sabemos que há grupos que representam não só a cultura italiana, mas também outras etnias, por todo o Brasil, inclusive em Juiz de Fora. Houve a influência de algum destes grupos?

Sem dúvida que no início precisávamos de um suporte ou outros grupos nos quais pudéssemos nos espelhar e aprender com suas experiências. 

No início, ainda no ano 2000, tivemos a sorte de termos tido aqui na cidade a apresentação de dois grupos italianos, da Calábria. O Gruppo Folkloristico Pro Loco di Castrovillari, no Cine Theatro Central, no qual baseamos nossos primeiros trajes camponeses da Calábria e o Gruppo Folkloristico Capo d’Armi, que se apresentou no Teatro Solar, e tivemos a honra de abrir o espetáculo.

Nossa amizade com os outros grupos folclóricos locais também sempre foi muito boa, mas com o grupo alemão Schmetterling desde o início foi especial. Dois amigos que não esqueceremos são o Ricardo e a Sara que dançaram conosco e nos incentivaram muito no início. Outra experiência muito boa que tivemos foi com o Grupo Arcobaleno do Rio de Janeiro, hoje não existe mais, mas aprendemos muito com eles.


3 Sabemos que os trajes usados pelo grupo são trajes típicos inspirados nas roupas usadas pelos camponeses da região da Calábria, sul da Itália. Você poderia nos contar como ocorreu o processo de pesquisa e confecção destes trajes?

A ideia de representar os imigrantes italianos no Desfile do ano 2000 foi influência da novela Terra Nostra, transmitida naquela época na televisão. Então metade das pessoas desfilou vestindo roupas típicas de imigrantes, portando acessórios e adereços usados pelos nossos antepassados imigrantes.  Para vestir a outra metade das pessoas tive a ideia de pedir que a Funalfa confeccionasse 15 trajes típicos do folclore italiano femininos e 15 masculinos. Essa era a oportunidade de após o desfile formar um grupo folclórico. Para nossa surpresa e satisfação, na semana seguinte ao desfile fomos convidados por um grande amigo, o Padre Irani da igreja de Santana aqui da cidade, para uma participação na festa da Igreja, o que foi fundamental para que não faltassem mais convites. 

Aos poucos esses trajes foram cuidadosamente enriquecidos com aventais, bordados, lenços, faixas, fitas coloridas, flores, sapatos típicos para os homens, sempre com a preocupação se seguir o mais fielmente possível a tradição italiana. Hoje possuímos três trajes, dois homenageiam especialmente a Calábria e o outro, que chamamos de “festivo”, não representa uma região específica já que temos coreografias de várias regiões da Itália, de norte a sul.

A escolha dos trajes usados é uma função específica da diretora artística Thaiana Fernandes e da diretora cultural e também sócia fundadora Lucinia Scanapieco, que hoje podem contar com a ajuda de uma grande aliada, a Internet. Pesquisam, projetam e desenham não somente os trajes, mas também os acessórios e adereços usados nas coreografias. A confecção dos trajes fica por minha conta.


4 A tarantella napoletana é uma das músicas mais tradicionais da Itália e sabemos que o grupo dança não só essa, mas também outras tarantellas e outros estilos, como a valsa e a polca. Gostaríamos de saber como se dá a criação dessas coreografias, onde se inspiram para criá-las e como escolhem as músicas que são usadas? 

O ritmo base do grupo é a tarantela, cujos movimentos são contagiantes, vivos, rápidos e ritmados. Tarantella Napolitana, Calabresa, Siciliana etc., mas dançamos também a valsa, a mazurca, a polca, o saltarello. Todas as nossas coreografias são minuciosamente pesquisadas para que possamos representar as regiões da Itália, de norte a sul, obviamente dando mais ênfase ao ritmo que nos representa, que é a tarantela.

Os três projetos contemplados pela lei de incentivo já citados, deu-nos a possibilidade de ampliar nosso repertório. No primeiro em 2003 presta uma homenagem a Duduca Moraes, compositor mineiro falecido em Juiz de Fora, que adaptou uma famosa valsa italiana, Vieni sul Mare, de Martino e Frati, os versos do consagrado hino “Oh Minas Gerais”. Essa coreografia foi feita pelo coreógrafo Cesar Lima, naquela época famoso coreógrafo do Teatro municipal do Rio de Janeiro.

O segundo projeto chamou-se “O Caipira e a Tarantella”, no qual, mais uma vez, o coreógrafo Cesar Lima foi contratado para coreografar a primeira parte da canção “Il ballo della Fagona”, pois a segunda parte já era dançada pelo Gruppo Folkloristico Miromagnum da cidade de Mormanno da Calábria, e foi gentilmente cedida ao Tarantolato, uma quadrilha  italiana, cujos movimentos inspiraram a nossa quadrilha mineira. Nessa mesma data, Cesar coreografou também um saltarello, que é uma variante da tarantela.

No terceiro projeto intitulado “Danza pizzica, mangia pizza”, foi contratada a coreógrafa italiana Marcella Bomba, professora e especialista em danças do sul da Itália, que hoje vive na Bahia, para fazer a coreografia de uma pizzica, ou seja, dança da região da Puglia, Itália. É uma dança ligada ao tarantismo, ou seja, dançava-se para eliminar o veneno da Tarântula. Os casais dançam, mas não se tocam, trocam gestos e olhares provocativos, insinuando o desejo da conquista.As demais coreografias foram elaboradas após pesquisas feitas pelos próprios dançarinos como por exemplo, a Tarantella Napolitana, o Baile de Máscaras, a Mazurca e a Polca. A mais recente canção coreografada foi “Oh Bella Ciao”, que antes de tornar-se símbolo da resistência italiana era cantada e dançada pelos camponeses.


5 Ao longo desses 20 anos, o Grupo Tarantolato realizou diversas apresentações por todo o país, além de ter realizado e participado de vários eventos, na própria Casa D’Italia de Juiz de Fora. Gostaríamos de saber quais são os planos do grupo para os próximos anos e se possuem novos projetos em desenvolvimento. 

No início de 2020, já tínhamos várias apresentações agendadas para este ano. A primeira foi um convite para participarmos, pela primeira vez, da “Festa da Colheita”, organizada, pela primeira vez, pela Festa da Uva em Caxias do Sul-RS. Passagens compradas, hotéis reservados, enfim, tudo pronto para participarmos de um dos eventos mais desejados pelo grupo nesses 20 anos e que infelizmente, uma semana antes da realização, foi adiado por causa da pandemia do COVID-19. Um sonho que, quando tudo isso passar, será realizado.

Uma apresentação na Itália também é um projeto antigo, pois será uma experiência única e nos esforçamos para que seja realizado.

Novas coreografias também fazem parte dos planos, além de conseguir patrocínio para concluir um documentário contando a história dos nossos 20 anos, que está sendo produzido.

Não sabemos ainda como serão as coisas quando tudo isso passar. Certamente muitos conceitos serão revistos e pequenas coisas serão mais valorizadas.


6 Pedimos aos nossos entrevistados que façam três (03) indicações aos nossos leitores. Você poderia indicar, desta forma, três produtos da cultura italiana (Ex.: Autores, livros, filmes, documentários, artistas, músicas, etc)?

  1. Na música:  Além dos já conhecidos aqui no Brasil como Laura Pausini, Eros Ramazzotti, Andrea Bocelli, há cantores atuais, pouco conhecidos, que vale a pena conferir como: Giusy Ferreri, Marco Mengoni, Ligabue, Fedez, Emma Marrone.
  2. Na literatura: Niccolò Ammaniti (25/09/1966) Uma das obras “Io non ho paura” (Eu não tenho medo) adaptado para o cinema no filme do mesmo nome.
  3. No ensino da língua italiana: Cultura Italiana (método moderno, ambiente agradável, professores experientes e reconhecidos) Av. Rio Branco, 2585 Casa D’Italia.

Mariza Fernandes

Possui Licenciatura em letras pela UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora). Professora e diretora de cursos na Cultura Italiana desde 1987. Presidente e dançarina do Grupo de Dança Folclórica Italiana Tarantolato desde a sua fundação em 2000.