Casu Marzu: E aí, vai encarar?

Revista Casa D’Italia, Juiz de Fora, Ano 2, n. 13, 2020 – Ana Carolina Moreira | Casu Marzu: E aí, vai encarar?


Aposto que vocês nunca ouviram falar de um queijo proveniente de larvas vivas. É isso mesmo! Seu nome é Casu Marzu, que significa “queijo podre”, um queijo produzido na região da Sardenha, na Itália, onde popularmente o chamam de Casu Gumpagadu, “queijo de verme”, e Casu Becciu, “queijo velho”. Sua fabricação pode ser proveniente do leite de cabra ou bovino, mas o diferencial desse produto está na sua maturação, que tem a atuação de larvas de moscas.

O clima quente tem grande importância na sua produção, pois o aumento da temperatura favorece o aparecimento de moscas do queijo. Na Itália, o ciclo de vida das moscas se inicia no final de maio, com a primavera italiana e tem seu fim no outono, em outubro. Esses insetos se aproveitam da presença de estufamento precoce e das rachaduras na crosta do queijo para depositarem seus ovos. Existem relatos de que seu sabor é inigualável. É um queijo diferente que vai além da fermentação, chegando a um processo de quase decomposição.

Pode ser encontrado nas mais diversas formas em cidadezinhas interioranas na Sardenha. Cada região tem suas características peculiares, alguns mais adocicados, florais ou muito salgados, com sabor forte, picante, podendo agradar o paladar de várias pessoas. A presença das larvas causa nojo à primeira olhada, mas elas são fundamentais para dar a esse tipo de queijo o sabor e a consistência macia pela ação mecânica e enzimática. Essa textura cremosa também traz outros nomes pelos quais ele é chamado, como Muuidu Hasu “queijo de pasta mole”, e Casu Modde, “queijo mole”.

Vocês devem estar se perguntando: mas esse queijo é seguro para o consumo? Ele tem sido consumido nessa região da Itália há séculos, porém, para a saúde pública e  a segurança dos alimentos da União Europeia, o Casu Marzu é considerado um transmissor de doenças. Diante disso, suas fabricações para venda foram proibidas e, por isso, hoje há poucas pessoas que sabem como fazer o produto, existindo apenas a produção para consumo próprio ou em atrações como casamentos e outras ocasiões especiais, servindo de acompanhamento para o vinho tinto, tornando a festa ainda mais completa.

Os produtores locais afirmam que a larva não continua a viver dentro de quem consome o queijo. Desse modo, existe um grande interesse para que seja declarado um alimento tradicional da União Europeia, a fim de que possa ser fabricado e comercializado sem problemas. Há boatos de que há venda ilegal — talvez vocês possam encontrar e, quem sabe, experimentar essa iguaria. Segundo a cultura da Sardenha, os queijos são perfeitos com fatias de melão e torradas com azeite. E aí, vai encarar?


Referências bibliográficas:

CLICKPB. Casu Marzu: o queijo mais perigoso do mundo é italiano, da região da Sardenha. 2020. Milk Point. Disponível em: https://www.milkpoint.com.br/noticias-e-mercado/giro-noticias/casu-marzu-o-queijo-mais-perigoso-do-mundo-e-italiano-da-regiao-da-sardenha-221395/. Acesso em: 02 jun. 2021.

HYPENESS. Curiosidades: prepare o estômago, pois esse tipo raro de queijo é infestado por larvas vivas. 2019. Milk Point. Disponível em: https://www.milkpoint.com.br/noticias-e-mercado/giro-noticias/curiosidades-credo-que-delicia-este-tipo-raro-de-queijo-e-infestado-por-larvas-vivas-212074/. Acesso em: 02 jun. 2021.

CASTRO, Mariana Tôrres de. Casu Marzu, um queijo nada seguro. 2019. Food Safety Brazil. Disponível em: https://foodsafetybrazil.org/casu-marzu-um-queijo-nada-seguro/. Acesso em: 02 jun. 2021.

MENESES, U. T. B. de. A História, cativa da memória? Para um mapeamento da memória no campo das Ciências Sociais. Revista do Instituto de Estudos Brasileiros. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/rieb/article/view/70497. Acesso em: 21 Junho de 2021.

NAVARRO, Virginia. Por que ensinar arquitetura para as crianças? Disponível em: https://www.archdaily.com.br/br/895416/por-que-ensinar-arquitetura-para-as-criancas. Acesso em: 25 Junho de 2021.


Ana Carolina Moreira

Técnica em Leite e derivados pela instituição IF Sudeste. Graduada em Nutrição pela instituição Unipac. Especialista em Gestão da Segurança de Alimentos pela instituição Senac. Especialista em Engenharia de Alimentos pela instituição Unyleya. Atualmente mestranda do Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia de Leite e Derivados da instituição UFJF.


%d blogueiros gostam disto: