O que Sophia Loren faria?

Revista Casa D’Italia, Juiz de Fora, Ano 2, n. 12, 2020 – Victor Bitarello | O que Sophia Loren faria?


Muitas vezes, quando fui ao cinema, não foi somente por querer ver aquele filme que estava ali, no telão. Eu simplesmente queria poder esquecer um pouco das coisas do lado de cá. No entanto, já ocorreu de eu me perguntar se aquelas pessoas, que eu estava ali assistindo, tinham ideia, a real ideia, do que faziam por nós, o público.

Quantas e quantas vezes o riso e o choro diante do telão salvaram meu corpo de possíveis males da alma.

Hoje, eu tenho os meus filmes preferidos. Também tenho atores e atrizes. Diretores e roteiristas.

Nancy Kulik também tem. Uma preferência muito bonita, diga-se de passagem. Digna. Grandiosa.

O cinema esteve muito presente na vida dessa mulher, em especial através de uma atriz que, assim como ela, tem origem italiana. É carismática, linda e talentosíssima. Sophia Loren!

No documentário de curta-metragem “O que Sophia Loren faria?”, de Ross Kauffman, possível de ser encontrado no streaming Netflix, acompanhamos a história de Nancy Kulik, uma mulher americana, casada, mãe de quatro filhos, avó, que conta sua vida fazendo paralelos com a vida e obra da atriz italiana.

Enquanto narra alguns acontecimentos marcantes pelos quais passou, ela cita, por exemplo, a tristeza vivida pela personagem do filme “Duas mulheres” ao perder a filha na guerra, personagem este que consagrou a primeira vitória estrangeira no Oscar, dando a Sophia Loren o prêmio de melhor atriz. Nancy se recorda da perda de um dos filhos, em virtude de um acidente, e fala também sobre a perda real vivida pela atriz quando do falecimento do marido, o diretor de cinema italiano Carlo Ponti, em 2007.

Nancy observa a cena da mãe conseguindo se levantar, após ser brutalmente atacada. Vendo a filha morta, estirada no chão da igreja em ruínas onde haviam se escondido, ela diz: “Você se levanta. Você simplesmente se levanta. E segue. É uma força que você não sabe de onde vem”.

Sophia também fala no documentário. Cenas de sua vida pessoal e de seus trabalhos fartamente mostradas. É delicioso para um fã de cinema assistir. E, assim como vemos em Nancy, vemos em Sophia uma mulher, um ser humano, mãe e viúva, que se emociona genuinamente ao lembrar-se da perda do companheiro.

“O que Sophia Loren faria?” é uma grande homenagem não somente à bela atriz italiana, mas ao cinema! Ao fascínio que essa arte tão maravilhosa exerce sobre nós e à ampla possiblidade de emoções que ela nos faz sentir. O documentário de curta-metragem é certeiro: o cinema faz parte das nossas vidas.

Tocante. Lindo. Assistam!


Victor Bitarello

Tem formação em Direito pela Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF – e atualmente encontra-se cursando o quarto ano da Faculdade de Psicologia do Centro Universitário Estácio Juiz de Fora. Atua na área jurídica desde sua formação, em 2006. Foi ator de teatro desde 1998 nos grupos GATTU e Mise en scène, tendo encerrado essa fase de sua vida em 2012. É dançarino no grupo folclórico italiano Tarantolato. Há 7 anos atua em parceria com o portal ACESSA.com, no qual é colunista cinematográfico. Apresenta lives semanais no perfil do Instagram do referido portal, bem como em seu perfil pessoal, o @bitarellovictor.


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