Caminhos e localidades da pesquisa

Revista Casa D’Italia, Juiz de Fora, Ano 2, n. 12, 2020 – Sandra Nicoli | Caminhos e localidades da pesquisa


Para uma melhor compreensão do campo onde foi desenvolvida a pesquisa, serão apresentados os municípios que foram pontos de chegada de famílias de imigrantes italianos, no início do século XX, e de saída de muitos de seus descendentes, a partir do final do século XX e início do século XXI, para o exterior. Os municípios de Itueta e Santa Rita do Itueto, focalizados na pesquisa, situam-se na Região Imediata de Aimorés-Resplendor, localizada na Região Intermediária de Governador Valadares (Vale do Rio Doce — Leste de Minas Gerais).

Itueta, com uma área territorial de 452,7 km², possuía uma população, segundo os dados do Censo Demográfico de 2010, de 5.830 habitantes, sendo que 56,6% deles residiam na zona urbana e 43,4% na rural. A população estimada em 2020 para o município foi de 6.083 habitantes. A colonização efetiva do referido município deu-se a partir do início do século XX, devido, provavelmente, a obstáculos existentes, como a mata densa e a presença dos índios Botocudos, sobre os quais havia se disseminado a fama de serem ferozes e antropófagos, o que não encontra fundamento nas documentações.

A ocupação mais intensa de Itueta ocorreu aproximadamente após o ano de 1914, com a fixação de colonos de origem alemã-pomerana na margem esquerda do Rio Doce e de colonos italianos na margem direita — ou seja, na parte norte do município a colonização alemã-pomerana e, na parte sul, a colonização italiana. O desenvolvimento da antiga sede municipal tomou impulso com a implantação, por volta do ano de 1925, de uma propriedade agrícola denominada Fazenda Barra do Quatiz, na margem direita do rio. Associadas à implantação da Estação Ferroviária, instalaram-se algumas serrarias no local, resultando no crescimento do povoado. Em 1939, Itueta foi elevadaà categoria de distrito do município de Resplendor/MG. Sua emancipação política registrou-se em 27 de dezembro de 1948.

Itueta é um município tipicamente rural, onde prevalecem propriedades de caráter familiar. Dentre as atividades econômicas mais significativas destaca-se o cultivo de café, milho, feijão, cana-de-açúcar, mandioca, além da criação de gado leiteiro e de corte e, com menor expressão, a suinocultura. Outra atividade econômica que se pode destacar é a extração de madeira.

Plantação de Café Conilon. Itueta/MG (2012)

Também situado na Região Imediata de Aimorés-Resplendor, o município de Santa Rita do Itueto possuía uma população de 5.697 habitantes, dispersa por uma área territorial de 485,1 km2, segundo os dados do Censo Demográfico de 2010, sendo que, desses, 40,5% residiam na zona urbana e 59,5% na rural. Sua população estimada para 2020 era de 5.457 habitantes. Antigos moradores de Santa Rita do Itueto relatam que essas terras eram habitadas por índios crenaques. A chegada de pessoas não indígenas teve início no princípio de maio de 1911. Aproximadamente em 22 de maio, data em homenagem a Santa Rita de Cássia, começaram a derrubada da densa mata. Em 15 de outubro de 1948, o povoado foi elevado à categoria de distrito e, em 30 de dezembro de 1962, conquistou sua emancipação, com território geográfico desmembrado do município de Resplendor/MG.

Municípios da Região Imediata de Aimorés-Resplendor, Minas Gerais, Brasil.

Santa Rita do Itueto é também um município tipicamente rural, onde predominam propriedades de caráter familiar. Sua base econômica está fundamentada na agricultura. A produção de café e a pecuária leiteira constituem as principais atividades econômicas do município. Como culturas tradicionais de subsistência também são cultivados o milho, o feijão e o arroz, que constituem a base alimentar das famílias. A fruticultura é outra atividade que vem ocupando destaque em Santa Rita do Itueto, como alternativa de diversificação agrícola e busca de novas opções de renda para o produtor rural.

O Vale do Rio Doce corresponde a uma das porções de colonização mais tardia do território mineiro. Seu território geográfico é alterado a partir das primeiras décadas do século XX, com a construção da Estrada de Ferro Vitória-Minas, que cumpre um duplo papel no processo de desenvolvimento regional. De um lado, representa uma via de acesso a áreas até então isoladas, facilitando a penetração das frentes de povoamento e, do outro, cria um canal para o escoamento da produção, estimulando o avanço da fronteira produtiva. A existência de reservas florestais, formadas pela Mata Atlântica, juntamente com as explorações econômicas a partir da entrada da ferrovia, foram os principais fatores que atraíram um expressivo fluxo migratório, fomentando o povoamento da referida área geográfica. Essa ocorrência envolveu expressivo número de famílias de grupos étnicos europeus, sobretudo italianos e alemães-pomeranos, que tiveram grande importância na formação e desenvolvimento de Itueta e Santa Rita do Itueto. Localidades de chegada das famílias de imigrantes italianos e atualmente ponto de saída de descendentes para o exterior, em especial a terra dos antenatos, Itália.

Estrada de Ferro Vitória – Minas. Itueta/MG (2010)

Referências bibliográficas:

INFORMATIVO da Prefeitura Municipal de Santa Rita do Itueto – “Compromisso com o Agricultor”. Santa Rita do Itueto. 2006.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – IBGE. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/cidades-e-estados. Acesso em: abril de 2021.

REZENDE, Marcos e ÁLVARES, Ricardo. A Ocupação do Médio Vale do Rio Doce e o Surgimento dos Municípios de Aimorés, Resplendor e Itueta. In: REZENDE, Marcos e ÁLVARES, Ricardo (Orgs.). Era Tudo Mata: o processo de colonização do Médio Rio Doce e a formação dos municípios de Aimorés, Itueta e Resplendor.Belo Horizonte, MG: Consórcio da Hidrelétrica de Aimorés, 2009.

NICOLI, Sandra. I/Emigração em Itueta e Santa Rita do Itueto – a chegada dos nonos e a partida de seus descendentes para o norte da Itália. Dissertação (mestrado). Universidade Vale do Rio Doce, Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Gestão Integrada do Território, Governador Valadares, MG, 2014.


Sandra Nicoli

Mestre em Gestão Integrada do Território pelo Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu da Universidade Vale do Rio Doce — Univale (2014). Possui licenciatura plena em História pela Universidade Vale do Rio Doce (2007). Atuando nos temas Migração Internacional, Território e Cultura, é pesquisadora no grupo de pesquisa: Migrações Internacionais contemporâneas da Universidade Vale do Rio Doce — Univale, participando também do grupo de estudos e pesquisa: Perspectivas no Ensino de Metodologia e Produção Científica. Membra do Grupo de Trabalho Minas — Itália. Conselheira do Patrimônio Histórico e Cultural de Governador Valadares/MG (2018-2022). Participante do Grupo Intensivo de Educação Patrimonial no município de Governador Valadares/MG. Membra da Comissão de AutoAvaliação do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Gestão Integrada do Território da Universidade Vale do Rio Doce. Colaboradora nas edições da Revista Casa D’Itália. Professora da disciplina de Metodologia Científica nos Cursos de Pós-Graduação Lato Sensu na Universidade Vale do Rio Doce — Univale (2015-2021). Endereço para acessar o CV: http://lattes.cnpq.br/8720126400304425. E-mail: nicolinicoli@hotmail.com; sandranicolinicoli@gmail.com


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