ENTREVISTA: Ramón Brandão


1 Atuante na comunidade artística de Juiz de Fora com diversas exposições, livros lançados e projetos, como você vê a importância dos espaços de cultura para a produção artística da cidade?

Os espaços culturais são os espaços onde a produção cultural chega ao público através de exposições de artes visuais, espetáculos, lançamentos literários e outras manifestações. São lugares destinados também à discussão sobre o papel da arte na sociedade, e isto é fundamental para que a cultura permaneça viva e aberta a múltiplas visões, interpretações e críticas. Inclusive, com mostras virtuais que podem ampliar mais ainda sua abrangência com a chancela de instituições culturais; nós estamos assistindo isto agora, com o isolamento social.


2 A exposição em exibição na Galeria Online da Casa D’Italia “Semplicemente Disegno” é uma viagem por trabalhos ao longo de sua carreira, trazendo obras que datam de 1984 a 2020. Em 36 anos, como você avalia o cenário artístico em Juiz de Fora?

Penso que, no que tange às artes visuais, a cidade viveu as últimas décadas do século XX numa efervescência cultural, especialmente com surgimento do Espaço Mascarenhas, conquistado com muita luta e visto como esperança de novos tempos na arte, além da realização de várias mostras coletivas e individuais ocupando galerias e qualquer espaço que se abrisse a novas experimentações. Foi um momento especial! Contudo, acompanhando o que ocorreu no panorama artístico nacional, e mundial, toda aquela efervescência parece ter emanado mais luz do que calor, seguindo-se á um período, talvez mais difuso nas propostas; o multiculturalismo, cuja assimilação ainda é um desafio, quase como uma esfinge! Não vejo isto com desânimo, ao contrário: períodos assim são bons para reflexões e experimentações. Às vezes é preciso sair da pista de dança para ver como toca a banda, não é?


3 A Casa D’Italia de Juiz de Fora desde 2015, com a criação do Departamento de Cultura, vem desenvolvendo suas iniciativas em prol da cultura e suas manifestações artísticas buscando a valorização dos artistas da cidade e região. Como se deu a aproximação entre você e a instituição?

Foi numa exposição do Grupo Pulsartes realizada no final de 2019 que se deu minha primeira aproximação oficial com o Departamento de Cultura da Casa D’Itália. Depois com a notícia da possibilidade de seu desaparecimento, veio a necessidade de tentar fazer algo no sentido de uma mobilização em torno da Casa. Porém, anteriormente já conhecia o ateliê do artista Rogério de Deus, que funciona na Casa e também utilizei serviços digitais oferecidos por um escritório que ocupava uma das salas, e tinha conhecimento dos cursos do idioma italiano e gastronomia. Hoje, imagino seus corredores, salas e recantos serviriam de forma esplêndida como cenários para produções em cinema e vídeo. Lugares ainda a serem descobertos!


4 Qual sua memória mais remota com a Casa D’Italia de Juiz de Fora? Qual a importância do prédio e suas associações para você?

Quando não havia o prédio na esquina da Avenida Rio Branco com Rua Espírito Santo, a Casa D’Italia era mais visível, e talvez minhas caminhadas subindo a Avenida rumo ao Senac – onde fiz curso de desenhista de propaganda em 1980 – fez-me reparar aquele prédio anguloso com aparência severa escrito “DOMUS ITALICA” na fachada. Mais tarde entendi o que significava. Então através de jornaleiros italianos, descobri que era uma espécie de embaixada italiana em Juiz de Fora. Tempos depois descobri o estilo arquitetônico Art Deco, que imediatamente me fez lembrar o “prédio da Itália”. Assim, juntando impressões e memórias alheias, fui descobrindo-o aos poucos. Lembrando que frequentei os bailes populares que aconteciam  no seu salão. Ah se suas paredes falassem!!!!


5 Agradecemos a atenção e pedimos que deixe um recado para os leitores da Revista Casa D’Italia.

Eu é que agradeço, e deixo a seguinte mensagem: A Casa não é apenas da Itália, é nossa! Vamos olhá-la como um patrimônio único que Juiz de Fora guarda; é nossa história que está ali, vamos abraçá-la!


Ramón Brandão

Artes pelo antigo Curso de Artes Visuais (Atual Instituto de Artes e Design, IAD) com Licenciatura plena em Educação Artística. UFJF; 1991
Especialização em História Cultural pelo Programa de Pós-graduação em História da UFJF, 2003.
Mestre em História pelo Programa de Pós-graduação em História. UFJF, 2013.


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