Um panorama da influência italiana marcada no espaço urbano de Juiz de Fora

Na paisagem, nos elementos construtivos, na memória afetiva. Em diversos âmbitos estão escondidas as heranças que a cultura italiana deixou em Juiz de Fora. Os imigrantes que aqui se estabeleceram, contribuíram com a pluralidade da cidade e de seu espaço urbano. Hoje, vamos destacar um pouco da história da arquitetura de influência italiana, preservada até atualmente nas fachadas e volumetrias de construções, que muitas vezes passam despercebidas pelos olhares desatentos.

A passagem do século XIX ao XX foi marcada pela transição do regime monárquico
ao republicano. Nesse período, o Brasil buscava um rompimento com seu passado
monárquico e escravocrata, tentando acompanhar as mudanças trazidas pelo capitalismo que ascendia em outros países. Para isso, investiu-se em reformas urbanas, as quais visavam a elevação das cidades ao ideário moderno. Em Juiz de Fora não foi diferente. Somado ao crescimento da produção de café, a cidade logo ganhou destaque no cenário da construção civil e econômico, atraindo mercado de consumo e mão de obra especializada.

A chegada dos imigrantes italianos em 1880 na cidade de Juiz de Fora misturou
culturas, difundiu costumes e deixou marcas que se encontram preservadas até os dias de hoje. Vindo em busca de trabalho e melhores condições de vida, os italianos trouxeram
consigo uma carga de conhecimentos técnicos muito grande. Muitos deles que aqui
permaneceram atuaram em diversos setores da cidade, como na construção civil, indústrias, comércio, entre outros. Um nome conhecido, como o Pantaleone Arcuri, é uma das maiores representações da influência italiana na cidade.

Formado pelos imigrantes italianos Pantaleone Arcuri e Pedro Timponi, a famosa
empresa da construção civil foi responsável por obras na cidade que permanecem marcando a paisagem e que hoje são patrimônios de Juiz de fora, como é o caso do famoso Cine-Theatro Central, do Monumento ao Cristo Redentor e da antiga Escola Normal, situada na Avenida Getúlio Vargas. Outros marcos importantes se encontram preservados na cidade e substanciam a herança italiana, são eles “Casa de Anita”, abafada por grandes edificações em seu entorno e a própria “Casa d’Itália”. Ambas representam a intenção de fazer com que os imigrantes se sentissem em casa, reforçando seus costumes, valorizando sua língua e promovendo a união entre os imigrantes italianos.

Situada na principal via de circulação juizforana, a Casa d’Itália representava, na
época em que foi inaugurada (1939), o fascismo em ascensão no exterior, o qual ditava
diretrizes a serem seguidas aqui. O contexto de aproximação entre Brasil e Itália e de elevação do ideário moderno – através do investimento pesado em reformas urbanísticas de embelezamento – caíram como uma luva na época da sua construção. Com sua fachada imponente destacada por suas linhas verticais e por clara simetria, a edificação traz consigo uma mescla interessante entre traços do estilo eclético, vigente na época, e a intenção de representar uma Itália forte e poderosa.

A Casa d’Italia passou por diversas fases: de ascensão ao fechamento. Hoje, patrimônio cultural tombado, a edificação representa a força de uma cultura, que tenta
estreitar os laços com a comunidade local e fortalecer ainda mais o cenário artístico, instrutivo e culinário vigentes em nossa cidade.


Fontes:

BERTANTE, R. de S., Silva, T. M. da, Pereira, T. N., & Olender, M. (2020). Elementos da arquitetura italiana em Juiz de Fora:: apontamentos sobre a contribuição da imigração italiana para a construção civil de Juiz de Fora na primeira metade do século XX. Principia: Caminhos Da Iniciação Científica, 18(1), 11. https://doi.org/10.34019/2179-3700.2018.v18.29843

DE SOUZA, Ana Lúcia. Estilo eclético na arquitetura de juiz de fora (MG) – Um debate historiográfico. ANPUH – XXII SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA – João Pessoa, 2003.

FERENZINI, Valéria. Os italianos de Juiz de Fora e as medidas nacionalistas do Estado Novo. Comunicação apresentada em novembro de 2207, no I SIMPÓSIO DO LABORATÓRIO DE HISTÓRIA POLÍTICA E SOCIAL: 70 ANOS DO ESTADO NOVO

https://g1.globo.com/mg/zona-da-mata/noticia/2019/05/31/juiz-de-fora-169-anos-a-busca-e-possibilidades-de-novas-historias-na-casa-ditalia.ghtml


Caroline Furtado

Arquiteta e Urbanista formada pela Universidade Federal de Juiz de Fora.


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