Museu da Imigração: o resgate e a preservação da história dos Imigrantes no Brasil


Foi no ano de 1887, quando fundada a Hospedaria do Imigrante, que tudo começou. A Hospedaria era uma das maiores e mais importantes do país. Construída ao longo da antiga linha ferroviária São Paulo Railway, o local tinha como principal objetivo promover a entrada e inserção dos imigrantes na província de São Paulo e encaminha-los para trabalhar nas fazendas. Imigrantes de todas as partes do mundo passavam por lá, todos os anos, vindos do desembarque do Porto de Santos. Dentre os milhares de europeus e asiáticos que vieram para o Brasil “fazer a América”, estavam os imigrantes Italianos, que aos poucos foram se distribuindo pelas fazendas do país e povoando os bairros nas redondezas da hospedaria. Até o ano de 1920, deram entrada no estado 1.078.437 italianos e em 1978 o local foi fechado após receber quase três milhões de pessoas de mais de 70 nacionalidades diferentes.

Havia na época uma tendência dos imigrantes do norte da Itália irem para as zonas
rurais, enquanto os do Sul se instalavam mais nas regiões urbanas. Isso explica o fato de se encontrarem nos bairros do Bixiga, Brás e Mooca, uma maior concentração de italianos da Calábria e da Campania. Hoje, vivem em São Paulo mais de quinze mil italianos e descendentes, representando cerca de 34% da população do estado.

A partir de 1978, a hospedaria passou a representar o Memorial do Imigrante e em
2014, após passar por um processo de reformas e restaurações, o prédio passou a abrigar o Museu da Imigração, com um grande acervo de documentos e memórias dos imigrantes que ali passaram.

Hoje, o Museu da Imigração é um dos atrativos turísticos mais visitados da cidade,
além de ser um dos maiores acervos de documentos de imigrantes italianos do Brasil. Muitos procuram o local não só para lazer, mas também para pesquisas documentais, em busca da memória de seus antepassados e em busca de registros para adquirir a cidadania italiana.

Mas, além de abrigar todo o acervo histórico da hospedaria, existem também algumas
salas que contam fatos históricos, como a Segunda Guerra Mundial. Além disso, no museu há salas que reproduzem ambientes da hospedaria original, como o refeitório e o dormitório, inclusive com objetos da época, móveis e aparelhos de barbear, estes muitas vezes doados de acervos pessoais e de outros museus. Uma das curiosidades é a prateleira que imita uma parede, que além de dividir os cômodos (refeitório e dormitório) é cheia de gavetas contendo “cartas de chamadas” originais de imigrantes radicados que enviavam correspondências aos seus parentes, com relatos sobre o Brasil. Essas estão protegidas por um vidro, e manuseadas quando necessário para preservação. Os efeitos audiovisuais ajudam a contar a história, como no passeio de Maria Fumaça que proporciona aos visitantes ver como era o transporte público e as viagens da época. Além das exposições fixas, o Museu da Imigração também abre as portas para exposições temporárias e para eventos, como o Dia Nacional do Imigrante Italiano, por exemplo.

O Museu do Imigrante fica na Rua Visconde de Parnaíba, nº 1.316 no bairro da Mooca, a 600 metros da estação de metrô Bresser-Mooca. Em dias normais, funciona de terça a sábado, das 9h às 17h e aos domingos das 10h às 17h. Já o Centro de Preservação, Pesquisa e Referência tem um funcionamento diferente: de terça a sábado, das 10h às 16h (exceto feriados). Após visitar o museu, você pode se deliciar com a gastronomia típica do bairro, que te leva diretamente para a Itália, além de aproveitar os outros atrativos que o bairro oferece.

Obs.: Neste momento todo o complexo do Museu da Imigração de São Paulo encontra-se
fechado, devido à pandemia do COVID-19.


Fontes:

http://museudaimigracao.org.br/


Paola Frizero

Formada em Turismo pela UFJF, com ênfase em patrimônio cultural e bacharela em Ciências Humanas. Pós-graduada em Gestão Cultural, obtive experiências profissionais principalmente em educação patrimonial e hoje, além de atuar também no TRADE turístico, sou mestranda na Universidade de Évora – Portugal, em Turismo e Desenvolvimento de Destinos e Produtos.


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